Hora Diniz Lopes

BiografiaEntrevistas

Hora Diniz Lopes (1921-2017)

“Uma vida dedicada à Música”

Hora Diniz Lopes é o seu nome.

Hora Diniz Lopes nasceu em 01/10/1921 na Cidade de Itatinga/SP.

A professora Hora Diniz Lopes ensinando Teoria Musical no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (STBSB), anos 70.

Quando era ainda bem pequenina, com apenas seis anos, visitando a Igreja Metodista Central de São Paulo, ela se encantou ao ouvir o seu coral. Tão maravilhada ficou que a si mesmo se prometeu: “quando eu crescer, eu vou fazer parte desse coro”. Ela morava na cidade onde nasceu, a pequena Itatinga, no interior do Estado de São Paulo, que, até hoje, ainda não tem uma Igreja Metodista. O seu sonho teve que esperar mas ela finalmente o realizou ao completar dezoito anos.

Mudando com sua família para São Paulo, voltou à Igreja Central, onde assistiu a classe de Escola Dominical dirigida pela Dr.ª Amélia Correia. Naquele mesmo dia tentou entrar para o coro. Teve que esperar um pouco mais já que seu regente, o saudoso Alberto Ream, estava viajando para participar do Concílio Regional. Finalmente, em fevereiro de 1941, a jovem Hora realizou o seu sonho. Mais do que realizar um sonho de menina, porém, ela estava sendo chamada por Deus para entregar toda a sua vida ao belo ministério da música. Sem dúvida alguma, como se poderá ver um pouco no relato que se segue, nossa querida Hora foi sempre uma presença marcante no ambiente musical de nossa Igreja.

Já aposentada de suas atividades profissionais, Hora retornou às origens e reside em sua Cidade natal. Mas voltemos ao coral de São Paulo. O encontro com Alberto Ream e sua esposa Ethel, a amizade e a admiração mútua que desenvolveram, foi um fato marcante na vida de Hora. Os desafios que ele lhe apresentou foram positivamente respondidos por Hora e isto certamente mudou o rumo de sua vida. Hora, naquele tempo, já estudava piano e sua voz era muito bonita. Alberto Ream, com sua sensibilidade, deu-lhe cada vez mais atenção. Todos os seus coristas recebiam dele semanalmente 15 minutos de aula de canto. Hora, em virtude de seu grande potencial, foi conseguindo cada vez mais tempo, primeiro vinte minutos e, depois, duas aulas por semana. Esse cuidado técnico com sua voz, que já era muito bonita, lhe permitiu ser escolhida pelo maestro para executar alguns solos de soprano na primeira audição do Oratório “O Esperado das Nações” que ele havia composto. Nessa época, foi criado na Igreja Central o Instituto Coral, que teve grande apoio da Junta Geral de Educação Cristã, através do seu secretário executivo, Rev. James E. Ellis. Aquela instituição, que servia a diversas igrejas, foi realmente a precursora de atividades de ensino da música religiosa no mundo evangélico brasileiro, que atingiram o seu ápice com a Escola de Música Sacra do Colégio Bennett, sempre sob a direção de Alberto Ream, um “Missionário Musical”, e ajuda de sua esposa Ethel, filha do saudoso bispo Dawsey. Começavam então as atividades docentes de Hora, que duraram mais de cinquenta anos. No Instituto Coral Hora ensinava leitura musical.

No ano de 1947, Hora trabalhou no Instituto Metodista de Ribeirão Preto, ensinando música, especialmente para crianças, e dirigindo o seu coral.

No princípio de 1948, foi para a Faculdade de Teologia, onde ajudava Alberto Ream, em cuja casa morou. Durou pouco tempo essa atividade já que conseguiu uma bolsa de estudos e foi aperfeiçoar-se nos Estados Unidos.

Ruy Wanderley, Hora Diniz e Anita Betts

Voltou no final de 1949 diretamente para a Escola de Música Sacra do Colégio Bennett, recentemente fundada, que, no entanto, não pertencia a ele mas funcionava com a ajuda da Igreja Metodista dos Estados Unidos. O Bennett assumiria a escola dois anos depois, sempre sob a direção de Alberto Ream. Essa escola foi a primeira escola de música sacra evangélica na América Latina.

Em 1957, encerrando sua carreira como missionário no Brasil, o casal Ream volta aos Estados Unidos e Hora Diniz Lopes assume a direção da escola. Alguns anos depois, em busca de aperfeiçoamento, ela passou mais dois anos nos Estados Unidos onde tirou o seu bacharelado em música, com especialização em canto e órgão.

Em 1967, numa decisão sem lógica nenhuma, já que era um sucesso e tinha muitos alunos, a escola foi fechada. Talvez essa pobre decisão tenha sido tomada com os mesmos pressupostos que levaram ao fechamento, no ano seguinte, da própria Faculdade de Teologia. Muitos atribuem a fraqueza de grande parte de nosso ministério pastoral àquele fechamento. Da mesma forma, podemos dizer que o fechamento da Escola de Música Sacra do Bennett não só impediu um aperfeiçoamento de nossa Música Sacra como também deve ter sido a causa de termos hoje em nossa igreja música de qualidade tão duvidosa. Nesses dez anos como diretora, a escola cresceu e formou um número crescente de alunos que vinham de outros estados do Brasil e também de outras denominações. Tantos anos depois, ainda existe a presença atuante de alguns dos seus alunos em igrejas do Brasil e do Exterior. Hora continuou servindo ao Bennett como Professora de Música e posteriormente, se tornou, por concurso, Professora de Música do então Estado da Guanabara.

No ano de 1966 ela assumiu a direção do Coral Henrique Soares, da igreja de Vila Isabel, onde permaneceu mais de dez anos e era muito querida. Eu estive presente no culto em ações de graças pela vida de Hora por ocasião de sua aposentadoria no templo do Seminário Batista, que estava superlotado, infelizmente com a presença de apenas meia dúzia de Metodistas. Num culto lindo, onde a boa música imperou, Hora recebeu as justas homenagens daquela denominação, com testemunhos eloquentes sobre seu caráter, sua firmeza religiosa e sua competência como educadora. Todos falavam que ela tinha sido um presente da Igreja Metodista. Ao encerramento das homenagens veio a notícia que demonstra a maneira como ela era amada por aquela igreja. O seu nome foi dado ao Internato Feminino dos citados seminário e escola de música, marcando indelevelmente a qualidade de sua atuação naquela escola de música.

Em 1968, ainda um pouco desiludida com o fechamento de sua Escola de Música, Hora recebeu um grande desafio que vinha da Igreja Batista, que foi o de trabalhar na Escola de Música Sacra do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (STBSB). Ela aceitou o desafio – e não havia porque recusá-lo – e o sucesso foi bem grande. Paradoxalmente, foi uma igreja que normalmente se considera fechada que abriu as suas portas para uma Metodista. Durante 25 anos, de 1968 a 1993, Hora colaborou com aquela escola, nunca deixando de ser uma verdadeira metodista. O autor destas linhas, a seu convite, esteve algumas vezes fazendo nessa escola palestras sobre “Hinologia Metodista”. Aliás, o Hinário para o Culto Cristão (HCC), da Igreja Batista contém mais hinos de Charles Wesley do que o Hinário Evangélico.

Durante um longo período, Hora dirigiu diversos coros de Igrejas Metodistas, como o da Igreja de Jardim Botânico, o do Catete e o de Pilares, onde era pastor o pai do autor destas linhas.

Dezenas e dezenas de seus reconhecidos alunos estão hoje, por todo o Brasil, no desempenho do tão importante Ministério da Música Sacra. A simpatia e competência de Hora ficou inesquecível para uma grande geração de jovens participantes de congressos regionais e gerais no início da segunda metade do século.

Equipe “Louvor Perene”, 1970 – Dir-Esq. Hora Diniz, Lida Knight, Hope Gordon, Miriam Kerr , Boyd Sutton, J. W. Faustini, Ruy Wanderley

Eu a conheci no Congresso da antiga Região do Norte, realizado em Juiz de Fora no ano de 1950. Os hinos e corinhos que ensinou, a preparação de um coral do congresso tornaram marcante o trabalho e o talento de Hora, sempre convidada para aquele tipo de evento. No citado congresso Hora introduziu o lindo hino “Jesus tão belo”, com tradução de França Campos, que alcançou tanto sucesso que foi inserido na segunda versão do Hinário Evangélico. Ela foi a responsável pela música em muitos Congressos Regionais dos Jovens e em dois Congressos Gerais, o de 1952 em Juiz de Fora e o de 1956 em Porto Alegre, em todos eles introduzindo novos hinos e canções que certamente permaneceram no coração de todos aqueles que foram “regidos” pelo talento e dedicação de Hora Diniz Lopes.

Quando se divulgou uma relação dos “Metodistas Eméritos do Século 20”, com a introdução dos seus nomes na Ordem do Mérito Metodista. O que se pode dizer é que a ausência daquela lista de nomes como o de Hora Diniz Lopes e do Rev. Alberto Ream foi indesculpável. Uma igreja que nasceu com os hinos vibrantes de Charles Wesley, não poderia deixar de homenagear quem empregou toda a vida na divulgação da boa música e, mais do que isto, que ajudou a capacitar pessoas para exercer bem esse importante ministério.

No merecido descanso das atividades profissionais e enfrentando dificuldades em sua saúde, Hora guardava no seu coração uma esperança de que nossa Igreja volte a ter uma Escola de Música. Temos que ser uma Igreja comprometida com a boa música. Ela acha que a semente plantada por Alberto Ream tem que germinar outra vez. Falando de suas alegrias, que foram tantas, ela menciona a realização de outro antigo sonho, o de conhecer os locais históricos do metodismo, sonho que realizou por ocasião da X Assembleia das Mulheres Metodistas, realizado na Inglaterra. Ao homenagear a doce Hora Diniz Lopes através das páginas do AVANTE, a oração que elevamos aos céus é que o Senhor levante pessoas como ela, dispostas a exercer bem o Ministério da boa Música na Igreja.

Hora Diniz Lopes faleceu em 27/08/2017 na Cidade de Itatinga/SP.

Deus seja louvado pela vida e obra de Hora Diniz Lopes.

João Wesley Dornellas (In Memoriam)
Atualização do artigo: Robson Junior

Fonte: http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/Hora_Diniz.pdf

© João Wesley Dornellas (In Memoriam) / Igreja Metodista de Vila Isabel – RJ – Usado com permissão
Atualização: Robson Junior

(1921-2017)

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2 Resultados

  1. MILZEDE DE MOURA BARROS ALBUQUERQUE disse:

    Conhecida e estimada entre os Batistas Brasileiros (CBB), aos quais emprestou seu talento como professora, regente, cantora, a tal ponto que nós, Batistas, temos dificuldade em reconhecê-la como Metodista. Mas, o que importa não são os rótulos e sim o serviço de primeira linha, a dedicação e o amor com que serviu ao Senhor Jesus e ao seu povo cristão evangélico, com maestria e verdadeira consagração, com música de qualidade, característica que, na Babel musical de hoje, está se perdendo quase totalmente. Sua boa fama e influência chegou também aqui, ao Nordeste, aos cursos de Música Sacra do STBNB e do SEC. Louvamos e agradecemos a Deus por sua vida musical tão prolífica!

  2. MILZEDE DE MOURA BARROS ALBUQUERQUE disse:

    Conhecida e estimada entre os Batistas Brasileiros (CBB), aos quais emprestou seu talento como professora, regente, cantora, a tal ponto que nós, Batistas, temos dificuldade em reconhecê-la como Metodista. Mas, o que importa não são os rótulos e sim o serviço de primeira linha, a dedicação e o amor com que serviu ao Senhor Jesus e ao seu povo cristão evangélico, com maestria e verdadeira consagração, com música de qualidade, característica que, na Babel musical de hoje, está se perdendo quase totalmente. Sua boa fama e influência chegou também aqui, ao Nordeste, aos cursos de Música Sacra do STBNB e do SEC. Louvamos e agradecemos a Deus por sua vida musical tão prolífica!

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