Gunnar Vingren

Biografia

Adolph Gunnar Vingren (1879-1933)

Missionário sueco que chegou ao Brasil em 19 de novembro de 1910.

Biografia

Gunnar Vingren

Missionário sueco, pastor, fundador das Assembleias de Deus no Brasil e primeiro pastor das ADs em Belém do Pará e São Cristóvão (Rio de Janeiro).

Adolph Gunnar Vingren teve como berço a cidade de Östra Husby, Östergotland, Suécia, situada às margens do lindo lago de Väsnern. Nasceu no dia 08 de agosto de 1879 num lar evangélico, onde recebeu sólida educação cristã. Seu pai era jardineiro. Por serem crentes batistas, seus pais procuraram, desde a sua infância, ensinar-lhe a Bíblia. Quando Vingren ainda era bem pequeno, ia à Escola Dominical, da qual seu pai era dirigente.

Aos nove anos de idade, procurando manter uma vida de consagração, recebeu de Deus uma chamada toda especial. Sentia-se atraído por Deus de uma forma especial e costumava orar muito. Às vezes, reunia outras crianças com ele e orava com elas. Aos 11 anos de idade, concluiu o curso primário e começou a ajudar seu pai no ofício de jardineiro. Continuou nessa atividade até os 19 anos. Quando criança, Vingren costumava reunir outras crianças e orava com elas. Porém, com 12 anos de idade, desviou-se do evangelho. Segundo narrou em seu diário, “caiu profundamente no pecado até os 17 anos, quando o Senhor outra vez lhe chamou”. Isso aconteceu em 1896. Ele resolveu ir ao culto de vigília de ano-novo e se entregar novamente ao Senhor. Foi com seu pai para esse culto, e fez o que havia resolvido.

Neste tempo, ele havia enviado uma petição para entrar na Escola de Guerra como voluntário, mas Deus dirigiu-lhe para que não seguisse por esse caminho. Além disso, ele tinha medo de que seguindo a carreira militar, não pudesse permanecer como crente.

Aos 18 anos, foi batizado nas águas. Isto aconteceu numa igreja batista em Wråka, Småland, Suécia, em março ou abril de 1897. Neste mesmo ano, substituiu seu pai na direção da Escola Dominical de sua igreja. “Isto aumentou muito a minha necessidade de Deus e de Sua graça”.

Ainda neste ano, em 14 de julho, Vingren leu numa revista um artigo sobre as grandes necessidades e sofrimentos de tribos nativas no Exterior, o que lhe fez derramar muitas lágrimas. Subiu para o seu quarto e ali prometeu a Deus pertencer-lhe e pôr-se à Sua disposição. Orou também insistentemente para que Deus lhe ajudasse a cumprir esta promessa.

Em outubro, sua igreja realizou uma festa para levantar dinheiro, a fim de ajudar um membro que ia sair para o campo missionário como evangelista. Tudo o que tinha, nessa oportunidade, eram seis coroas, e ele as entregou como oferta. Quando voltou para casa, depois da festa, sentiu uma alegria imensa e ouviu uma voz que lhe dizia: “Tu também irás ao campo de evangelização, da mesma forma que o Emílio”.

Ficou mais de um ano no seu trabalho, mas sempre participando dos cultos, testificando e tratando de conquistar novos crentes. No final de outubro de 1898, deixou a direção da Escola Dominical e foi participar de uma Escola Bíblica em Götabro, Närke. Os dirigentes daquela escola eram os pastores Emílio Gustavsson e C. J. A. Kihlstedt. Aquela escola bíblica durou somente um mês, porém, foi-lhe de grande proveito espiritual. Eram 55 participantes, homens e mulheres. A escola fazia parte de uma Federação Evangélica que tinha como objetivo ganhar almas para Cristo. Cerca de 15 alunos foram enviados como evangelistas. Sua paixão pelas almas foi estimulada. Daí passou a evangelizar a Suécia, sua terra natal.

Na primavera seguinte, voltou à casa de seus pais e, por um tempo, trabalhou no jardim do palácio real de Drottningholm. Após um novo período de trabalho evangelístico, foi convocado para o serviço militar, e, em atenção a isso, apresentou-se em Söderköping. Ao concluir o serviço militar, voltou para a casa de seus pais. Trabalhou, então, como jardineiro em diversos lugares, perto de Estocolmo. Continuou pregando em cultos em diversos lugares, e ajudando seu pai na jardinagem.

Por volta de junho de 1903, foi atingido pela “febre dos Estados Unidos”. O grande país do Norte atraía-lhe tremendamente. No fim de outubro, viajou para a cidade de Gotemburgo, e no dia 30 do mesmo mês, aos 24 anos de idade, embarcou no vapor M/S ROMEO, que o levou à cidade de Hull, na Inglaterra, onde tomou o trem para Liverpool. Desta cidade, prosseguiu na viagem em outro vapor, atravessando o oceano Atlântico com destino a Boston, Massachusets, EUA. Depois, seguiu de trem até Kansas City, aonde chegou em 19 de novembro de 1903, depois de 19 dias de viagem. Apesar de não falar inglês, conseguiu localizar a casa de seu tio, Carl Vingren. Uma semana após sua chegada, começou a trabalhar à noite como foguista, em Greenhouse, até o início do verão, quando então passou a trabalhar de dia. Depois, conseguiu trabalho como porteiro em uma grande casa comercial. Quando chegou o inverno, começou a trabalhar outra vez como jardineiro. Nos últimos dias de fevereiro de 1904, viajou para St. Louis, onde conseguiu emprego no Jardim Botânico. Aos domingos, ele assistia aos cultos numa igreja sueca que encontrou naquele lugar.

No fim de setembro de 1904, foi para Chicago, a fim de iniciar um curso de quatro anos no Seminário Teológico Batista Sueco. Durante o tempo em que morou em Kansas City, pertenceu à igreja batista sueca dali. A igreja, então, recomendou-lhe que ingressasse em sua universidade. Durante os estudos, pregou muitas vezes em diferentes igrejas e lugares. No primeiro estágio, de junho a dezembro, pregou na Primeira Igreja Batista em Chicago (Michigan). No segundo, foi a Sycamore, Illinois. E nos últimos estágios, atuou como pastor em Mountain (Michigan).

Concluiu os seus estudos e foi diplomado em maio de 1909. Nesse tempo, ele havia entregado uma solicitação para ser enviado como missionário. Depois dos estudos, assumiu o pastorado da Primeira Igreja Batista em Menominee (Michigan), de junho de 1909 a fevereiro de 1910.

Nessa época, visitou a Convenção Geral dos Batistas americanos, e então foi resolvido que ele seria enviado como missionário a Assam, na Índia, juntamente com sua noiva. Até aquele tempo, ele estava convencido de que isto era a vontade de Deus para a sua vida – que ele fosse enviado como missionário pela “The Northern Baptist Convention”. Porém, durante a Convenção, Deus lhe fez sentir que essa não era a sua vontade.

Uma semana após voltar para a sua igreja, teve uma luta interior tremenda, e finalmente resolveu que não mais seguiria por aquele caminho. Escreveu para a Convenção, comunicando o que havia decidido. Por este motivo, sua noiva rompeu com ele, e quando recebeu a sua carta, respondeu: “Seja feita a vontade do Senhor”.

Durante aquela semana de visita à Convenção Batista, Vingren não havia sentido quase nada do poder de Deus sobre ele, mas na semana seguinte, depois que tomou aquela decisão, voltou a sentir o poder e a paz de Deus. Mais tarde, uma crente que possuía o dom de interpretação de línguas foi usada pelo Senhor, e, por meio dela, Ele disse a Vingren que ele seria enviado ao campo missionário, mas somente depois de haver sido revestido de poder.

No verão de 1909, Deus lhe encheu de uma grande sede de receber o batismo com o Espírito Santo e com fogo. Em novembro do mesmo ano, pediu licença à sua igreja para visitar uma conferência batista que seria realizada na Primeira Igreja Batista em Chicago. Foi à Conferência com o firme propósito de buscar o batismo com o Espírito Santo. Depois de cinco dias de busca, recebeu o batismo. Exultante, retornou à sua Igreja Batista em Menominee, Michigan, compartilhando com os irmãos a bênção recebida. Doravante, começou a pregar sobre o revestimento de poder. Não conseguia ficar calado. Como era de se prever, nem todos aceitaram a nova doutrina. O resultado foi que ele teve de deixar a igreja, pois a mesma estava dividida, metade dela creu nesta doutrina e a outra metade endureceu-se. Os que não creram, obrigaram-no a deixar o pastorado.

Vingren, então, voltou à Chicago e frequentou várias igrejas pentecostais, incluindo a Missão da Avenida Norte, de William H. Durham, e a Svenska Pingst Forsamlingen (Igreja Pentecostal Sueca), a primeira igreja escandinava pentecostal de Chicago.

No verão de 1910, Vingren assumiu o pastorado da Igreja Batista Sueca de South Bend, Indiana. Ali, todos receberam o ensino pentecostal e creram nele. Na primeira semana, dez pessoas foram batizadas com o Espírito Santo. No total, quase vinte pessoas foram batizadas com o Espírito Santo naquele verão. Assim, a igreja em South Bend tornou-se uma igreja pentecostal. Deixou South Bend no dia 12 de outubro de 1910.

Em uma das reuniões de oração em South Bend, um membro da igreja, Adolfo Ulldin, foi usado em profecia dizendo que Gunnar Vingren iria para o Pará. Foi lhe revelado também que o povo ao qual ele evangelizaria era de um nível social muito simples. Ele deveria ensinar-lhes os primeiros rudimentos da doutrina do Senhor. Naquela ocasião, o Espírito Santo revelou-lhe a língua daquele povo, o idioma português. Ele também lhe disse que comeria uma comida muito simples, mas Deus lhe daria tudo o que fosse necessário. O Espírito Santo disse-lhe ainda que ele iria se casar com uma moça chamada Strandberg. Tempos depois, Vingren casou-se com a missionária sueca Frida Strandberg.

O que faltava era saber onde se localizava o Pará. Ali, ninguém o conhecia. No dia seguinte, Vingren disse ao irmão Adolfo Ulldin: “Vamos a uma biblioteca aqui na cidade para saber se existe algum lugar na terra chamado Pará”. Sua pesquisa fez-lhe saber que no Norte do Brasil havia um lugar com esse nome. Confirmou-se, então, mais uma vez, que Deus lhe tinha falado. Aceitou sua chamada com inteira convicção de sua origem divina.

Em novembro de 1909, Vingren conheceu Daniel Berg, em Chicago, quando estava buscando o batismo com o Espírito Santo. No ano seguinte, enquanto Berg estava trabalhando numa quitanda, em Chicago, o Espírito Santo mandou que ele se mudasse para South Bend, Indiana, onde Vingren era pastor da igreja. Berg deixou o seu trabalho, foi para South Bend, e disse a Vingren: “Irmão Vingren, Jesus ordenou-me que eu viesse me encontrar com o irmão, para juntos, louvarmos o Seu nome”. Vingren respondeu-lhe: “Está bem!”

Um dia, sentiram que era da vontade de Deus que fossem à casa de Adolfo Ulldin, o homem que Deus havia usado quando chamou Vingren para o Brasil. Chegaram à sua casa num sábado à tarde, justamente quando ele estava chegando do trabalho. Quando entraram na cozinha, o poder de Deus veio sobre Ulldin, e ele foi arrebatado em espírito, como das outras vezes. E durante aquela poderosa reunião, Daniel recebeu a chamada para acompanhar Vingren ao Brasil.

Tudo isso aconteceu no verão de 1910. Deus, então, revelou-lhes, quando estavam orando, em outra ocasião, que deveriam sair de Nova Iorque com destino ao Pará. E para orientar-lhes ainda mais, revelou-lhes a data: 5 de novembro de 1910. Ainda não sabiam se havia algum navio partindo para o Brasil naquele dia, mas depois tudo foi comprovado.

Quando começaram a viagem para o Brasil, Vingren e Berg não tinham dinheiro. Só conseguiram alguma coisa depois de terem iniciado a viagem. Antes de iniciarem a longa viagem, tinham sido recomendados e enviados à igreja pentecostal em Chicago, na qual Durham era pastor. Durante aquela visita, o Senhor tocou no coração de Vingren para doar à revista daquele pastor tudo o que possuía, que era 90 dólares. Durante toda aquela noite, Vingren lutou com Deus sobre o assunto. Já amanhecia, quando finalmente prometeu a Deus que daria àquele pastor esse dinheiro, o que fez assim que tornou a vê-lo.

Chegou, então, o dia da viagem para Nova Iorque. Vingren recebeu alguns dólares de uma igreja de uma igreja onde ele havia trabalhado, mas aquela quantia não daria nem para pagar a passagem inteira até Nova Iorque. Porém, Vingren e Berg sentiam-se tão tranquilos quanto uma criança no colo de sua mãe. Alguns crentes acompanharam-nos até a estação. Depois de orarem na sala de espera, embarcaram no trem. Toda a bagagem deles consistia apenas de duas malas, e não foi difícil encontrar um lugar para elas. Assim viajaram.

Chegando a uma cidade onde iriam trocar de trem, foram visitar uma missão cujo dirigente lhes havia convidado para a despedida. Era a igreja do pastor B. M. Johnson, de Chicago. Por ordem do Senhor, Vingren já havia dado tudo o que possuía – 90 dólares. Mas naquela igreja, recebeu quatro vezes mais do que havia ofertado. No culto, dirigido por Johnson, não se levantou nenhuma oferta para eles. O pastor Johnson somente disse: “Os que querem ajudar nossos irmãos na sua viagem, podem fazê-lo particularmente”. Terminado o culto, foram cumprimentar os crentes e de despedir deles. Quando saíram da igreja e examinaram os seus bolsos, encontraram mais do que o necessário para a viagem. E tudo em um só culto! Consideraram isto como um grande milagre de Deus, pois Ele lhes havia pedido antes “a oferta da viúva pobre” – todo o dinheiro que Vingren tinha guardado para usar na viagem para o Brasil. Porém, agora Deus estava lhes recompensando.

Depois de agradecerem ao Senhor, continuaram a viagem, felizes, porque, daquela maneira, Deus tinha suprido as suas necessidades. Depois de mais outra visita, eles finalmente chegaram a Nova Iorque. Não fizeram muitas viagens dentro dos Estados Unidos, mas foram diretamente para o Brasil. Tampouco sua viagem foi anunciada em alguma revista evangélica. Saíram como se estivessem fazendo uma viagem qualquer.

Quando chegaram à Nova Iorque, informaram-lhes que não havia nenhum navio que fosse sair em 5 de novembro com destino ao Brasil, e não conseguiram sequer lugar em outro navio. Porém, após alguns momentos de espera, a companhia na qual haviam procurado informação comunicou-lhes que realmente, no dia 5 de novembro, o navio “Clement” partiria rumo ao Brasil.

Aquela embarcação havia se atrasado por causa de alguns reparos. Desta maneira, cumpriu-se a Palavra do Senhor para eles. Partiram do porto de Nova Iorque justamente no dia que Deus lhes havia revelado. Por haver greve no porto de Nova Iorque naquele dia, as suas malas ficaram retidas lá, e só conseguiram levar com eles as maletas de mão.

Compraram passagens de terceira classe, pois queriam guardar alguns dólares para quando desembarcassem no Pará. Porém, com o passar do tempo, ao longo da viagem, tornou-se cada vez mais difícil comer a comida de bordo. Era simplesmente péssima. Todavia, eles continuavam contentes. Enquanto os passageiros da primeira classe comiam sua comida saborosa e de boa qualidade, eles ficavam ali, deitados na terceira classe, orando durante todo o tempo. Certo dia, Daniel Berg profetizou que o Senhor estava com eles, e verdadeiramente sentiram isso em seus corações.

Durante o período em que estavam no navio, oraram por um companheiro de viagem, e um dos passageiros aceitou a Cristo como Salvador. Quatorze dias após haverem saído de Nova Iorque, chegaram ao Pará. Era o dia 19 de novembro de 1910. O navio ficou fora do porto, e uma pequena embarcação transportou-os até o cais. Nessa ocasião, Vingren estava com 31 anos de idade.

Em Belém, passaram a morar no porão da Igreja Batista localizada na Rua João Balby, 406. Depois, passaram um tempo na casa do presbiteriano Adriano Nobre de Almeida, em Boca do Ipixuna, às margens do Rio Tajapuru. Hospedaram-se no mesmo quarto onde morava Adrião Nobre de Almeida, primo de Adriano. De volta a Belém, retornaram ao porão da igreja. Por esse tempo, já falavam um pouco de português, tendo como primeiro professor, Adriano Nobre.

Celina Martins de Albuquerque e Maria de Nazaré, membros da Igreja Batista de Belém, creram na mensagem pentecostal e receberam o batismo no Espírito Santo. Criou-se, então, uma discussão na igreja, que culminou na expulsão de 13 membros, no dia 13 de junho de 1911, terça-feira, numa sessão extraordinária convocada por Raimundo Nobre, após o culto de oração. No dia 18 do mesmo mês e ano, domingo, com 18 pessoas presentes mais Vingren e Berg, nascia, na casa de Celina Albuquerque, a Missão de Fé Apostólica, que em 11 de janeiro de 1918, mudou de nome, sendo registrada oficialmente como Assembleia de Deus. Era uma igreja sem vínculos estrangeiros, genuinamente brasileira. No início, o irmão Gunnar Vingren pouco saía, pois sua missão era orar dias inteiros, às vezes, até noites, pelo sucesso da obra do Senhor. Ele era o pastor da igreja, pois sua vocação de pregador era essa.

Durante a época em que pastoreou a igreja em Belém, no Pará, Vingren visitou, por duas vezes, a Suécia, passando pelos Estados Unidos. Em 1917, na Suécia, pouco antes de retornar ao Brasil, em sua primeira viagem à sua terra natal, conheceu a enfermeira Frida Maria Strandberg, que lhe contou que também tinha uma chamada para o Brasil. Em 16 de outubro de 1917, em cerimônia oficiada pelo missionário Samuel Nyström, Gunnar e Frida casaram-se, em Belém. Tiveram seis filhos: Ivar, Ruben, Margit, Astrid, Bertil e Gunvor.

Vingren fundou os jornais “Boa Semente”, em 1919, em Belém do Pará. O “Som Alegre, em 1929, no Rio de Janeiro, e o “Mensageiro da Paz”, em 1930, resultado da fusão dos dois primeiros jornais, que se tornou o órgão oficial das Assembleias de Deus no Brasil. Na “Harpa Cristã”, constam como de sua versão os hinos 79 (“Sua graça me basta”) e 478 (“Eis-me Jesus”). Vingren e Frida cantavam hinos e tocavam violino, violão e órgão, na igreja.

Além do pastorado de 14 anos na AD de Belém do Pará, Vingren pastoreou a AD de São Cristóvão (Rio de Janeiro), de 1924 a 1932. Todavia, seu ministério pastoral abrangeu quase todas as regiões do país, realizando viagens para fortalecer a fé da crescente igreja.

Em 1920, fez uma viagem ao Rio de Janeiro, passando por Santa Catarina e Recife, onde cooperou com o missionário Joel Carlson. Em 1921, Gunnar Vingren foi acometido de malária, o que o levou de volta à Suécia. Restabelecido, retornou ao Pará, sendo essa a sua terceira viagem. Daqui transferiu-se para o Rio de Janeiro, em 1924, onde ficou por nove anos.

Com outros missionários estrangeiros e pastores nacionais, participou da primeira Convenção Geral das Assembleias de Deus, em Natal (RN) no período de 5 a 10 de setembro de 1930. O pioneiro presidiu a segunda Convenção Geral, realizada em 1931, no Rio de Janeiro.

Até a sua partida definitiva para a Suécia, Vingren trabalhou incansavelmente, apesar das inúmeras crises oriundas de suas enfermidades. Após uma viagem cansativa, escreveu: “Estou bastante abatido no meu corpo. Sinto-me totalmente acabado. Tenho vontade de trabalhar para Jesus, mas faltam-me forças. Quando estive em Santa Catarina, fiquei muito enfermo do estômago, com uma forte gripe e dores no peito, pois voltei de um batismo com a roupa toda molhada e havia um vento muito frio. Mas o Senhor me ajudou. Entendo que, se continuar assim, vou terminar em breve a minha jornada”.

Em 15 de agosto de 1932, Vingren retornou à Suécia, deixando a igreja no Rio de Janeiro, que pastoreou por mais de nove anos, sob a responsabilidade de Samuel Nyström. No Brasil, terra que tanto amava, ficou sepultada sua filha Gunvor. A igreja no Rio, sob sua direção, “cresceu mais do que qualquer outra no Brasil, naquele período; os batismos em água multiplicavam-se”.

Na Suécia, enquanto enfermo, participava dos cultos da Igreja Filadélfia de Estocolmo, onde celebrou sua última vigília de ano-novo. Em junho de 1933, foi com a família para uma colônia de descanso, em Tallang, onde terminou seus dias. Gunnar Vingren faleceu no dia 29 de junho de 1933, às 14h45, em consequência de um câncer no estômago que o havia deixado muito fraco, desde 1930.

Sua esposa, Frida Vingren, testemunhou seu falecimento: “No dia 27, entre cinco e seis da manhã, ele recebeu a chamada para o Céu. Então, com os braços levantados, exclamou: “Jesus, como tu és maravilhoso. Aleluia! Aleluia!” Enquanto estava sob esse poder, leu-os quatro primeiros versículos do Salmo 84: “Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos! A minha alma está anelante, e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo. Até o pardal encontrou casa e a andorinha ninho para si e para a sua prole, junto dos teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu. Bem aventurados os que habitam em tua casa: louvar-te hão continuamente!” Depois dessa experiência, viveu ainda por dois dias, quando por várias vezes disse que tinha saudade de ouvir o cântico dos anjos. Uma vez sentou-se na cama, levantou os braços e louvou a Deus, pois sentiu-se maravilhosamente livre.

Na quinta-feira, pela manhã, estava muito fraco e quase não falava. A única coisa que disse foi: “Está cantando o meu coração!” E, aos quinze minutos para as três da tarde, partiu para a eternidade sem a menor angústia. Começamos a orar e o poder de Deus veio sobre nós, fazendo-nos pensar que também iríamos para o Céu. Em menos de cinco minutos, tudo já havia passado e ele encontrara triunfante, através da morte, nas moradas eternas, enquanto eu, as crianças e alguns irmãos cantávamos com as mãos levantadas: “Encontra-me ali, encontra-me alí, naquele país, onde está Jesus!” Uma irmã viu, naquele momento, duas mãos traspassadas e estendidas, prontas para receber alguma coisa preciosa.

Antes de Vingren morrer, deixou a seguinte mensagem aos crentes brasileiros: “Diga-lhes que eu vou feliz com Jesus e, como um pai em Cristo, exorto a todos a receberem a graça de Deus, que quer operar mais santidade e humildade, para que possam receber os dons do Espírito Santo. Somente desta maneira a Igreja de Deus poderá estar preparada para a vinda de Jesus.”

O pastor Lewi Pethrus (antigo líder da Igreja Filadélfia de Estocolmo) considerava-o um apóstolo: “Quando ele e Daniel Berg foram para o Brasil, eram apóstolos de Cristo tanto quanto Paulo e Barnabé, que também foram chamados apóstolos (…). Gunnar Vingren foi um grande dirigente. Daniel Berg tinha importantes qualidades individuais como trabalhador e homem de fé, qualidades que foram de suma importância para a colaboração mútua no trabalho pioneiro. Mas Vingren era o dirigente principal. E como dirigente tinha muitas qualidades e capacidade, que foram de grande ajuda para o novo movimento, que crescia rapidamente. Porém, era um homem sem vaidades, e vivia quase inconsciente do seu talento natural. Aconteceu com ele o que se passa com as verdadeiras e grandes personalidades, que somente depois que desaparecem, somente depois de terminada a sua obra e a sua vida, é que se vê e se compreende quão grande foi essa obra e essa vida. A firme convicção de sua chamada, sólida como uma montanha, o seu fervente zelo, o seu grande entusiasmo, juntamente com sua prudência, eram traços característicos que ninguém podia deixar de ver. Ele enfrentou muitos riscos e perigos diversos, porém, miraculosa e maravilhosamente sempre as superou. Ele pertenceu àquela categoria de mensageiros de Cristo que teve de passar por profundos sofrimentos, mas que, por meio de uma fé viva e de uma íntima comunhão com Deus, sempre viveu uma vida feliz.”

Jacó Rodrigues Santiago, 2012

© 2012 de Jacó Rodrigues Santiago – Usado com permissão
Publicado originalmente em: https://jacorodriguessantiago.blogspot.com/2012/01/missionario-gunnar-vingren.html

(1879-1933)

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