Em tua presença

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Em tua presença
Letra: Joseph Swain (1761-1796), 1791
Tradução: Eugênio Gall, 2021
Música: Freeman Lewis (1780-1859), 1813

Arranjo: Eugênio Gall, 2021 (Variações para Órgão)

Por muitos anos, fui assinante de 3 periódicos musicais para organistas editados pela Lorenz Corporation, sediada nos EUA: “The Organist,” “The Organ Portfolio” e “The Organ Journal.” Nessas publicações são, até hoje, publicadas peças para órgão destinadas ao serviço das igrejas, baseadas no ano litúrgico, entre elas, prelúdios, meditações, variações e poslúdios sobre os hinos de nossa tradição cristã e protestante. Desde 2020, início deste período de confinamento que vivemos por conta da pandemia, montei num canal que tenho no Youtube uma playlist (Hinos da Tradição Protestante) e passei a gravar ao órgão e publicar, pouco a pouco, tanto esse repertório adquirido da Lorenz Co. como também prelúdios-corais da tradição luterana e diversas outras elaborações sobre hinos de partituras que possuo e de alguns trabalhos próprios. Sempre identifico os hinos com seus títulos originais e também com os títulos de suas versões em nossa língua, além de indicar sua localização em ao menos um de nossos hinários aqui publicados. Na busca por uma nova música para gravar, encontrei um lindo prelúdio para o hino “O Thou in Whose Presence.” À primeira vista, não lembrei dessa melodia em nenhum de nossos hinários tradicionais em português. Fiz uma pesquisa mais a fundo (Cantor Cristão, Hinário para o Culto Cristão, Salmos e Hinos, Harpa Cristã, Hinário Evangélico, Novo Cântico, Hinário Adventista, Hinos do Povo de Deus, Hinário Luterano,  etc) e não encontrei versão em português do referido hino. Comecei então a pensar neste belo poema em inglês e disso resultou a presente versão em português de suas 5 estrofes.

O autor do poema original, Joseph Swain, nasceu em Birmingham (Inglaterra) em 1761. Em sua juventude, mudou-se para Londres e tornou-se pouco tempo depois um cristão resoluto, logo demonstrando seu temperamento emocional e poético por meio da composição de hinos. Em 1783, foi batizado e em 1791 tornou-se pastor de uma congregação batista na East Street, Walworth. Após um curto mas bastante popular e profícuo ministério, veio a falecer em 1796. (dados extraídos de Hymnary.org) O compositor a quem se atribui a melodia, Freeman Lewis, nasceu em Basking Ridge, Nova Jersey, nos Estados Unidos da América em 1780. Era um agrimensor, escritor e professor escolar itinerante que, paralelamente, tocava órgão e compunha música. Sua família mudou-se em 1796 para Fayette, Pennsylvania, onde veio a casar-se em 1809 com Rebecca Craft. Tiveram 11 filhos! Após a perda de 3 filhos por cólera e escarlatina e a morte de sua esposa em 1844, mudou-se para Knox com seus 7 filhos restantes e ali veio a falecer em 1859. Lewis compilou e publicou um livro de música sacra intitulado “Beauties of Harmony” (Belezas da Harmonia), nele incluindo composições próprias  (dados extraídos de Hymnary.org).

As variações para órgão procuram resgatar em sons a atmosfera poética das palavras de cada estrofe. A melodia desce ao baixo no verso 3 e fica em tom menor, simbolizando o vale de dor e o padecimento da alma longe de Deus, faminta, no deserto, à mercê do escárnio dos ímpios. Em seguida, o êxtase do autor exposto na quarta estrofe, com sua maravilhosa visão do céu, das miríades de anjos na expectativa da tonitroante voz do Senhor Deus do Universo e da manifestação de Sua vontade, é retratada no trio com a melodia no tenor com timbre de trompete, emoldurada pela alegre linha de tercinas. A última estrofe, onde a pequeníssima (e indigna) alma ouve essa voz, que ao mesmo tempo é todo-poderosa e capaz de preencher e abalar o universo inteiro, mas para a “ovelha” que volta é a voz “tão doce do querido Pastor” que a apascenta e protege, tem a forma de uma “pastoral,” com a melodia descendo do soprano ao baixo em cada frase.

Mais sobre a história deste hino: https://www.umcdiscipleship.org/resources/history-of-hymns-o-thou-in-whose-presence

Eugênio Gall, 2021

Em Tua Presença (O Thou in Whose Presence)

Letra: Joseph Swain (1761-1796), 1791
Tradução: Eugênio Gall, 2021
Música: Freeman Lewis (1780-1859), 1813
Arranjo: Eugênio Gall, 2021

Em Tua presença, minh’alma tem paz;
a Ti clamo em minha aflição.
Em Ti tenho alento, conforto eficaz,
esperança e salvação.
O Thou in whose presence my soul takes delight,
on whom in affliction I call;
my comfort by day and my song by night,
my hope, my salvation, my all.
Oh, diz-me: onde fica o redil, meu Senhor,
lá, onde nos nutres de amor?
Estou a sofrer neste vale de dor,
qual ovelha a vagar sem pastor.
Where dost Thou, dear Shepherd, resort with Thy sheep
to feed them in pastures of love?
Say, why in the valley of death should I weep,
or alone in this wilderness rove?
Por que vagar eu devo, afastado de Ti,
clamando no ermo por pão?
Os Teus inimigos rirão entre si
ao verem a minha aflição.
Oh, why should I wander, an alien from Thee
or cry in the desert for bread?
Thy foes will rejoice when my sorrows they see
and smile at the tears I have shed.
Os anjos exultam com o Seu olhar,
e aguardam ouvir Seu querer!
A voz do Senhor Deus se faz ecoar,
e o infinito vibra com Seu poder!
He looks, and ten thousands of angels rejoice,
and myriads wait for His word.
He speaks, and eternity, filled with His voice,
re-echoes the praise of the Lord!
Eu ouço o Teu chamado, querido Pastor,
e tão doce voz seguirei.
És tudo pra mim, és o meu defensor,
e em Ti eu sempre me alegrarei!
Dear Shepherd, I hear and will follow Thy call.
I know the sweet sound of Thy voice.
Restore and defend me, for Thou art my all,
and in Thee I will ever rejoice!

 

 

Em Tua Presença

Letra original em inglês: Joseph Swain (1761-1796)

Métrica: 11.8.11.9(10)

Música: (atrib.) Freeman Lewis (1780-1859)

Título original em inglês: “O Thou in Whose Presence”

Nome da melodia: Davis

Primeira linha da primeira estrofe: Em Tua presença, minh’alma tem paz.

Fonte original em Português: Eugênio Gall, 2021

Referências Bíblicas: Cantares de Salomão 1:7; Salmo 23:2 e 4; Cantares 2:8

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1 Resultado

  1. Raul Blum disse:

    Que maravilha de obra, Eugênio. O contracanto que você colocou na sexta parte deu um ar pastoril à música. Parabéns.

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