Blanche Lício

Biografia

Blanche Eunice Gomes Lício (1904-1987)

A Mulher Presbiteriana

A menina Blanche, da família Gomes, nasceu em 02/03/1904 na Fazenda da Serra.

Sr. João Batista Gomes, seu pai, para lá se transferira, após ter sido professor na única escola onde morava, S. João da Cristina. Ele esperava, nessa época, a nomeação para um único cartório em Itajubá, a qual não se concretizou por ter-se convertido ao protestantismo e, mais ainda, por ter tido uma discussão pública, programada e anunciada pelos católicos, no Teatro de Itajubá, com um padre conspícuo, que foi terrivelmente derrotado. Amigos sugeriram que Batista fosse lecionar na referida fazenda, da propriedade de um evangélico, Sr. Veiga, no município de Nepumoceno, onde nasceu a primogênita, no dia 2 de março de 1901. Vieram pois Else, Geni e os demais. Já então era presbítero e pregador leigo.

Blanche Lício

Algum tempo depois mudaram-se para Caxambu, onde o pai tentou montar armazém, mas sem muito êxito, pois que o sistema de vendas era a crédito, e muitos frequeses deixavam de liquidar as contas. O “fiado” obrigou o Sr. Batista a desistir.

Quando ele faleceu, em 1917, aos 38 anos, deixou a viúva, D. Olívia e cinco filhos que ainda estavam dependendo de educação, de modo que o patrimônio herdado do avô materno foi sendo usado até o fim.

Blanche aprendera a trabalhar muito cedo. Além de serviço de casa fazia bordado à máquina, e logo que possível, começou a lecionar, mesmo em fazendas, onde, por interesse eleitora, os coronéis pagavam-na, em tempos de férias para alfabetizar.

O Rev. Paschoal Pitta, pastor em Caxambu, espécie de tutor da família, muito ajudou no encaminhamento educacional das crianças. Quase todos fizeram o Instituto Gammon, Lavras, embora Blanche estivesse por algum tempo no Mackenzie, em S. Paulo. Em Lavras ou S. Paulo ajudou o próprio sustento com serviços e ensino.

Desde menina, fora frequentadora da SAF, pois que a avó gostava de tê-la em sua companhia. A princípio contrafeita, mas depois satisfeita. Quando no sítio, iam a cavalo, em cilhões; depois, na cidade, indo a pé, a menina Blanche participou da reunião das senhoras, levando coleta e dando opiniões, como, por exemplo, quando já mocinha, aluna do Mackenzie, dizia: – “No Natal, em S. Paulo, fazem assim…”

Até que viesse a diplomar-se no Carlota Kemper, porfiou sempre por tirar boas notas, tendo agradável lembrança das visitas do pastor Pitta, que levava doces preparados por sua mãe.

Ficaram na memória as noites de bordados, quando mãe e filha trabalhavam, até que o sono as extenuasse, pela madrugada. Assim também, as aulas de matemática e de ginástica, no colégio; ou as de alfabetização, nas férias. E o arranjo, juntamente com duas colegas, de dez mesas para 150 alunas do Kemper, para as refeições. Até como auxiliar de escritório ela serviu. Foi uma menina-moça lutadora.

Namoro Sui Generis

Além da família Gomes, havia em Caxambu a família Lício, cujo menino Mário foi sempre bom companheiro de Blanche. Eram competidores na escola e nos brinquedos. A mãe de Mário, D. Amélia, era das primeiras convertidas ao Evangelho na cidade; e o esposo, homem abastado, se conservou apenas amigo dos crentes.

Ajudou a igreja financeiramente. Amigas e vizinhas, as duas famílias, Gomes e Lício, pareciam estar destinadas a se unirem, tanto Blanche como Mário competiam na escola, por notas e prêmios; tanto brincavam em casa; tanto participavam de atividades na igreja. Blanche e Mário, infantis, adolescentes e, mesmo jovens, nos períodos de férias, estavam juntos. A própria mãe de Mário perguntou a Blanche, certa vez, porque não se casaria com o filho dela, ao que Blanche respondeu: A Sra. é que fala nisso; não ele.

Certa vez, Mário disse à Blanche: “No seu aniversário vou lhe dar um presente”, e o deu mesmo – uma caixa de fósforo; para quebrar o orgulho, explicou. Isso foi ensejo a que ela o desafiasse a brigar. E mais tarde, quando na festa de Natal ele trocou o prêmio que competia a ela: uma arca de Noé, por simples corda de pular, ficando com ele o melhor presente; foi esperado na esquina para uma esforra.

Brigaram mesmo!

Frequentaram a escola evangélica fundada pelo Rev. José Osias Gonçalves e continuada pelo Rev. Paschoal Pitta, auxiliado pela esposa D. Odete, ótima professora. Era costume haver o que chamavam de argumento, e que noutros lugares era denominado sabatina.

Aos sábados, os alunos eram chamados a provar seus conhecimentos com perguntas e respostas com hora e meia para cada matéria. Nessas ocasiões, particularmente, Mário e Blanche se empenhavam pelo primeiro lugar.

Quanto à igreja, ela era tida como a mais piedosa, por que não ia a futebol no domingo à tarde, como ele fazia.

Blanche foi, como sabemos, para S. Paulo e para Lavras; Mário fez alguma parte do ginásio em Lavras e o terminou no Culto à Ciência em Campinas. Ela se formou professora; ele fez cursos no Seminário Presbiteriano, formando-se em 1927, ao lado de Maurer, Schleschi, Assunção, Carvalho e M. Fernandes.

Houve namoros da parte dele e namoros da parte dela. Quando, porém, em Caxambu, continuavam a se encontrar na confiança de velhos amigos, a ponto de ele se oferecer para jantar na casa dela, e dizer que prato ela ia preparar…

O casamento ocorreu em Caxambu, onde ele era pastor, em 1932.

E Blanche, contando sua vida, conclui:

– “Não houve namoro entre nós, houve uma vida alegre em comum romanceada”.

– “Se voltasse à mocidade eu me casaria com ele mesmo!”

Residência ou Hotel

Blanche, experimentada na SAF, entrava para a categoria de esposa de pastor.

Naqueles tempos os valores eram outros e as possibilidades financeiras da igreja, muito limitadas. Todo o templo em Caxambu ficara em 800 mil réis. Uma oferta de 500 réis era boa.

Poucos eram os leigos que ajudavam os pastores, como fora o caso do Sr. João Batista Gomes, e depois, Sr. Antônio Moura, e seu filho Samuel.

Na família Lício já havia certa familiaridade com as obrigações pastorais. Maria, irmã de Mário, casara-se com o brilhante pregador, Rev. Miguel Rizzo Jr.

Blanche sabia se desdobrar para criar as condições de vida doméstica com pequeno ordenado e, sobretudo, a suportar as ausências do marido. Residindo em Caxambu, visitava ele todo o campo na egião; Sengó e Chapéu – a cavalo; Passa Quatro, Itanhandu, Itamonte, S. Lourenço, de Trem e Lambari, às vezes.

Na sede, tudo era bem organizado.

Mas, a esposa do pastor, com o marido presente ou ausente, tinha que ser operosa, lecionando na E.C; dirigindo SAF, ensaiando coro, atendendo crianças do Esforço Juvenil e até a um grupo de mocidade.

Além do campo mineiro, a seu cuidado, o Rev. Mário sempre foi participante ativo de concílios; o Presbitério Sul de Minas, o Sínodo, a Diretoria do Seminário, o Supremo Concílio. E não somente viajava para tais reuniões, como também usava convidar concílios para se reunirem em sua igreja, tocando às senhoras da igreja a tarefa ingente de hospedagem.

Cidade de águas, Caxambu foi sempre uma atração para o descanso de pastores, sobretudo do Rio de Janeiro. Alguns hotéis criavam condições mais favoráveis de hospedagem: Hotel Lopes, Hotel Fernandes, Hotel Bragança. A família Fernandes, ajudava sempre. Mas, a grande verdade, é que na casa do pastor havia um grande fogão a lenha e panelas bem grandes.

Polêmicas e Perseguições

Por outro lado, importa observar que a oposição romanista e a oposição aos romanistas não tornava a vida muito fácil.

O Rev. Mário se mostrou polemista, rebatendo os folhetos clericais aparecidos na região, e, como colaborador do jornal da cidade, não deixava um artigo do padre sem resposta. O bispo de Itajubá, certa vez proibiu o pároco de continuar a escrever.

O Rev. Mário fundou o jornal, o Elienai.

Houve ocasião em que o pastor precisou ser escoltado por parentes e amigos. Doutra vez foi preciso que a polícia guardasse a igreja, pois a turba, estimulada pelo Padre João, ia atacar mesmo.

Perto de Caxambu, o Rev. Mário levou pancada na cabeça, e pior teria ocorrido não fosse o Sr. Castorino, um presbítero bravo, que o acompanhava.

A casa pastoral era numa ladeira e os moleques, pequenos e grandes, atiravam pedras sobre telhas e vidraças.

As meninas, filhas do pastor, Adaís e Marília, eam ameaçadas.

Nada, porém roubava o ânimo do rebanho, a começar pela mocidade, que se deu as mãos e avançou para a realização de comícios.

Um coro “gritando” cantava os hinos. Fazia-se a distribuição de folhetos. O convite em praça pública resultava sempre na ida de pessoas com os crentes até ao templo.

Após anos de Caxambu e cinco em Lavras o Rev. Mário e D. Blanche foram transferidos para a Igreja Presbiteriana de Itajubá, que se desdobrou em quatro igrejas, e, ficaram até que ele alcançasse a jubilação compulsória. Então mudaram-se para Campinas.

Em Itajubá realizaram trabalhos semelhantes, sendo não obstante, a 1.ª Igreja, uma igreja maior, em cidade maior e, por tanto, tendo maiores facilidades e também maiores desafios.

Um alto-falante era bem ouvido em Itajubá. As vezes, o rádio. Sempre, os jornais. Semanalmente, o púlpito e as demais atividades da igreja e das congregações, algumas das quais se transformaram em igrejas. E mais, a assistência à velha igreja rural de S. João da Cristina, e também à novel igreja de Sta. Rita do Sapucaí.

O nome do casal Lício é parte integrante da história do presbiterianismo naqueles rincões de Minas.

O Ensino de Línguas

Blanche Lício lembra-se com gratidão de D. Catarina Bookwalter, depois Wheelock, pois que veio a se casar com o missionário desse nome. Além de professora, ela mesma, muito dedicada, deu-se ao trabalho de ensinar inglês a Blanche, no período em que esteve em Lavras, em prosseguimento ao que já sabia dessa língua. Em S. Paulo residira com uma tia, casada com inglês, e seu ouvido já se tornara afeito ao idioma. Com essas duas excelentes oportunidades e a aplicação que lhe era peculiar. D. Blanche se tornou professora de inglês.

O “Colégio Evangélico” (com pré, primário e admissão), em Caxambu, foi compelido a mudar seu nome para “Ateneu Evangélico”, uma vez que não tinha curso ginasial. Apesar da oposição das correntes clericais, era bem frequentado em números e bem pago por algumas famílias ricas do lugar, e isso, pela qualidade do ensino.

Em Itajubá, Blanche passou a trabalhar no “Colégio de Itajubá”, dando o inglês e o Rev. Mário, no “Instituto Sete de Setembro”, o português. Quando aquele colégio foi vendido aos padres, a professora foi dispensada imediatamente. Mas, como se fundara lá um “Colégio Batista”, não ficou muito tempo sem colocação.

Decisão conciliar obrigou o Rev. Mário a deixar o ensino. Mas, a esposa continuou, e isso é que possibilitou a manutenção das filhas nos estudos, em Lavras.

Curioso que, dispensada D. Blanche pelos padres, como dissemos, sua substituta ia pedir sua ajuda no preparo da lição.

E ela nunca se negou a isso.

“Trabalho Feminino”

A experiência de D. Blanche no trabalho feminino da Igreja Presbiteriana do Brasil se estendeu. Foi bem além dos seus “palpites” entre as senhoras de Caxambu quando de sua infância à juventude.

Jovem, ainda, participou da organização da 1.ª Federação de Sociedades Femininas no Brasil, reunidas em Lavras, em 1921. A iniciativa fora da missionária D. Genoveva Marchant, residente em Varginha, com a colaboração de D. Irene Baker, D. Odete Pitta, D. Inês Goulart e outras.

Nady Werner, Cecília Siqueira, Blanche Lício, Genoveva Marchant

No retrato desse encontro histórico existente no Arquivo Presbiteriano, está Blanche, jovem, com seus cabelos compridos.

De muitas outras reuniões de federações faz parte e as muitas liderou.

Sua competência a levou à participação de Congresso da Confederação Nacional no Rio, em Campinas, em Salvador…

Mas, às vésperas do Centenário da Igreja Presbiteriana do Brasil, representando as senhoras presbiterianas brasileiras em vários encontros, destacando-se o Congresso em Purdue, Lafayette, Indiana, onde estavam cinco mil mulheres de todas as partes do mundo.

A delegação brasileira, constituída de Blanche Lício, Alzira Valim Ferreira, Nelly Lane, Ceres Matos e Helena Silva, teve ocasião de apresentar um número, com caracterização nacional, que foi vivamente aplaudido.

Mas, quando, após o hino Nacional Brasileiro, pediu-se que se cantasse o hino Nacional Norte-Americano, não havendo no momento quem o tocasse, foi Blanche Lício, que o executou.

Foi sempre estimada por senhoras americanas, com as quais se correspondia.

Últimos Tempos

Uma vez jubilado o Rev. Mário Lício, passou a residir em Campinas, à Rua Frei Manuel da Ressurreição. Frequentava a Igreja Presbiteriana do Jardim Guanabara e D. Blanche cooperou no Parque Taquaral, congregação da IPJG. Sua filha Adaís é membro dessa Igreja e bem sabemos da participação ativa, que nela a família Machado tem.

Mas, a residência do casal Lício durou pouco. O estado de saúde precário da progenitora de D. Blanche exigiu sua mudança para Caxambu. Lá, pouco tempo depois, faleceu o Rev. Mário, aos 73 anos; seu passamento se deu em 26 de outubro de 1976, tendo nascido a 24 de setembro de 1903. No seu sepultamento a própria esposa tocou o órgão.

Ela, porém, continuou a estar entre nós, vindo visitar a família.

Seu coração, sempre posto na Igreja. Lembrava com emoção, de uma das experiências mais gratas, a conversão da freira D. Carmen. Esta, antes, fora auxiliar doméstica, e por razões de trabalho social, fora ao “pavilhão” da Igreja evangélica. D. Blanche convidou-a para vir um dia visitá-la e tomar café.

E a freira disse de si para si:

– Irei, sim, mas para fazer algumas perguntas, que ela não será capaz de responder.

Blanche em Campinas, na casa de Nilton e Adaís.

Como, no contato, D. Blanche nem tocasse no assunto religioso, mas a tratasse de moto cortês e amigo, pensou consigo mesma:

– Vocês tem um chefe?

Blanche rectrucou:

– Temos sim, mas o nosso usou coroa de espinhos e não de ouro.

Tocada por essa expressão, D. Carmen não apenas trocou ideias nessa ocasião, como em outras.

O padre proibiu-a de procurar contato com protestantes.

Mas, ela percebeu que já era uma protestante.

No índice de autores, no Hinário Evangélico, notam-se iniciais B.L., que querem dizer: Blanche Lício.

“De Belém a linda história”

“Não descanso em repetir”

“Ó Senhor, os céus proclamam
Quanto sabes tu fazer”

“Buscar-te-ei, Senhor, bem cedo,
No albor do dia que vier”

São hinos de sua autoria. Deus dotou-a para a poesia e para a música. Sua poesia é espontânea; sua música ela a aprendeu, ainda na infância, com D. Nephalia Gonçalves, esposa do Rev. José Ozias, então pastor em Caxambu, e que era filha do pastor pioneiro e exímio musicista, Rev. Antônio Pedro de Cerqueira Leite.

Que preciosa tradição…

Um Testemunho Filial

Blanche e Mário em Londrina, na casa de Marília e José Carlos

Sobre Blanche Eunice Gomes Lício escreveu sua filha D. Adaís:

Seus últimos anos de vida útil foram passados em Caxambu, onde viveu a maior parte do tempo. Ainda colaborava nos trabalhos da igreja local, como organista, em aulas da E.D., e em reuniões da SAF. Mantinha em sua casa reuniões semanais de oração, com um grupo de amigas. Sempre atendia aos convites da igreja das cidades vizinhas para fazer palestras, trabalhos em corais e outros. Dava também aulas de órgão (gratuitas) para jovens da igreja, e de inglês para estudantes e candidatos a vestibular.

Comemorou seus 80 anos em Campinas (02/03/1984), com um Culto de Ação de Graça na I.P..J.G., no qual estavam incluídos hinos e passagens bíblicas de sua predileção, assim como poesia e alguns hinos de sua autoria. Tema predileto: Natal. No dia 13/08/85, em meio à composição de seu último hino, sofreu o primeiro acidente vascular cerebral, quando então ficou impossibilitada de ler, escrever e quase até de falar, mas não perdeu os movimentos, felizmente. Nesse estado conservou o espírito jovial e alegre de sempre, e não se cansava de dizer, às vezes tropeçando um pouco nas palavras: Como Deus é bom! vida é tão bonita! Aqui é tão alegre e gostoso! – Vocês são bons demais para mim! Agradecia calorosamente às menores atenções que lhe eram dispensadas em Campinas, para onde foi levada logo após o acidente cerebral. Quando ainda no hospital Samaritano, meio incosciente, suas palavras frequentes eram: Só mais um…só mais um…Ela se referia ao Hino que ainda não terminara de compor. Mas conseguiu se recuperar em parte, e frequentava regularmente os trabalhos da I.P.J.G. e as reunões departamentais da SAF. Sentia-se muito feliz com as visitas dos amigos.

Em agosto de 1986 foi passar uma temporada em Londrina, com Marília, quando então sofreu segundo acidente vascular cerebral, que a derrubou. Aí, não dava demonstras de reconhecer realmente as pessoas e suas reações mais positivas eram com relação aos hinos, orações e leituras bíblicas que ouvia e tentava acompanhar, balbuciando palavras e dizendo “Amém” bem claro, no final. Quando recebia visitas sorria, alegre, e parecia realmente feliz.

Descansou no Senhor a 10/01/1987, depois de 5 difíceis meses, deixando uma imensa saudade em nossos corações e o exemplo muito forte de total consagração a Deus além do grande empenho em trazer mais junto d’Ele todas as pessoas com quem convivia”.

Foi sepultada em Caxambu, MG, junto ao seu companheiro de lutas por 45 anos, Rev. Mário Lício, já em paz desde 1976. O ofício fúnebre, foi realizado na mesma igreja onde ambos foram batizados, casaram-se e trabalharam lado a lado por muitos anos, enfrentando toda sorte de dificuldades, até mesmo a perseguição religiosa, mas também desfrutando de bênçãos incontáveis. A cerimônia foi tocante, contando com a presença de vários pastores, amigos fiéis de longa data, parentes e membros da família. Foi oficiante o Rev. Francisco Moreira Jr., sobrinho do Rev. Mário. Também se fizeram representar diversos setores da Igreja Presbiteriana do Brasil, destacando-se do trabalho Feminino, ao qual Da. Blanche esteve sempre tão ligada. Foi cantado o seu hino predileto “Comigo habita, ó Deus…” pelos presentes, e o de sua autoria “Louvar-te-ei, Senhor, bem cedo…” (n.º 292 do H.E); foi entoado com muita emoção por alguns membros da família, incluindo filhas, sobrinhos e netos. Estes hinos, assim como os depoimentos prestados por vários pastores e amigos sobre os anos de convivência cristã com Da. Blanche e a influência que dela receberam, nos fortaleceram a certeza da presença real e constante de Deus em sua vida aqui, e por toda a eternidade.

“O Senhor a deu, e o Senhor a tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1.21).

Rev. Júlio Andrade Ferreira

Publicado originalmente no Jornal Brasil Presbiteriano, fev. 1988, p. 8 e 9

© 1988 de Júlio Andrade Ferreira

(1904-1987)

Você pode gostar...

2 Resultados

  1. Cleide Manoel Gossi disse:

    Dona Blanche, que legal. É tão bom conhecer a história dessa pioneira da SAF. Muito bom mesmo.

  2. Carmen Sílvia Musa Lício disse:

    Nossa! Que história linda, muito bem escrita… Eu fui sobrinha dela, pois meu tio Mário era irmão do meu pai, também pastor, Wilson Nóbrega Lício. Meu pai também nasceu em Caxambu e lá morreu, sendo enterrado lá mesmo, como sempre disse querer. Tinha 69 anos e morreu lá em 5 de Junho de 1988.

    Eu ia de vez em quando à Itajubá, onde éramos muito bem recebidos, e os recebíamos em São Paulo, quando das suas visitas para participarem de algum Congresso Missionário.

    Saudades daquele tempo, saudades dos dois, tão alegres, sempre bem humorados…
    Fica a certeza de reencontrá-los quando atravessarmos o Jordão.

    Ficam as boas lembranças de ente queridos especiais…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *