João Soren

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João Filson Soren (1908-2002)

João Soren

Vida e Ministério

1908 21 de Junho: Nasce no Rio de Janeiro, precisamente na Rua Barão de Petrópolis, no bairro Rio Comprido.

É o segundo filho do casal Jane Filson Soren (1877-1969) e Francisco Fulgêncio Soren (1869-1933).

1916 14 de Setembro: Professa sua fé perante a Igreja e no mesmo ano é batizado por seu pai, Pastor Dr. Francisco Fulgêncio Soren, no templo da Rua Santana, 77.

1926 – Ingressa no Seminário Teológico do Rio de Janeiro, transferindo-se mais tarde para o Seminário Batista de Louisville, EUA.

Bacharela-se em Humanidades no Colégio Batista do RJ, atualmente Colégio Batista Shepard.

1927 – Parte para prosseguir seus estudos nos Estados Unidos da América do Norte.

Integra como violinista a Orquestra Sinfônica da Rádio do Estado e violinista Spalla da Orquestra Sinfônica da Universidade de Louisville, podendo assim financiar seus estudos.

1929 – Integra o Westminster Literary Club, no Seminário de Louisville.

Recebe o grau de Mestre em Teologia pelo Southwestern Baptist Theological Seminary, em Louisville.

Recebe o grau de Mestre em Artes, após defender tese na Faculty of Political and Social Sciences da Louisville  University.

1933 – Volta para o Brasil.

Ensina no Colégio Batista as disciplinas: Inglês, História da Civilização, Química e Física. É também instrutor de esportes.

 1934 – Oficia seu primeiro casamento: João Muniz de Andrade e Odilla da Costa Andrade.

3 de Dezembro: É eleito pastor da PIBRJ em sessão presidida pelo pastor interino da igreja, missionário Lewis Malen Bratcher. Tinha a igreja, nesta data, 602 membros.

24 de Dezembro: Casa-se com Nicéa Miranda, carioca, professora, Bacharel em Ciências e Letras e especializada  em Música pela Escola Nacional de Música, atualmente UFRJ.

1935 – 1°.  de Janeiro: É ordenado ao ministério da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro. A Bíblia foi entrege pelo  irmão Manoel Corrêa Monteiro. O concílio foi composto dos seguintes pastores: José de Souza Marques (Igreja Batista do Engenho Novo),  Walfrido Monteiro (Igreja Batista de Tauá), Samuel Lawton Watson,  Asa Routh Cabtree e William Edson Allen.

Profere à Igreja o primeiro dos 48 sermões que faria sempre aos primeiros domingos do ano sobre o tema: “DIZE AOS FILHOS DE ISRAEL QUE MARCHEM”

É eleito presidente da Convenção Batista Federal.

24 de Fevereiro: Realiza seus primeiros batismos. Os irmãos: Bianca Mancini, Alayde Coelho da Fonseca, Manoel Lins Falcão, Maria Raymunda Alves, Penina Barreto, Eudoxio Monteiro da Silva, Olinda Campos,

Lydia Grimpeldt, Antonio Rodrigues, Manoel Moysés Barros Filho.

Até o final de seu pastorado batizou 3.345 novos crentes.

4 de Outubro, nasce o primeiro filho: a menina Marilia.

1955-60 – É eleito membro da Comissão Executiva da Aliança Batista Mundial.

1956 – É reeleito presidente da Convenção Batista Brasileira (PIBRJ, registrados 1.387 mensageiros, a maior até então realizada e                              só superada 9 anos depois, na Assembleia de Niterói em 1965).

1957 – É eleito pela 3ª. vez consecutiva presidente da Convenção Batista Brasileira (PIB Belo Horizonte, 1.066 mensageiros).

1958  É eleito presidente da Convenção Batista Federal (Igreja Batista do Méier).

1959 – É eleito presidente da Convenção Batista Federal (Igreja Batista do Méier).

1960 – Recebe a Medalha Comemorativa da Inauguração do Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, das mãos do Marechal Mascarenhas de Moraes.

Recebe o grau honorário de Doutor em Direito, do William Cowell College, de Liberty, Missouri, EUA.

É eleito presidente da Aliança Batista Mundial, em assembleia realizada no Rio de Janeiro, para o quinquênio de 1960-1965.

26 de Junho e 3 de Julho: Memoráveis cultos, de abertura e conclusão do X Congresso da Aliança Batista Mundial, quando 72 nações fizeram-se representar no templo da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro.

3 de Julho: É intérprete do pastor Dr. Billy Graham, no sermão da última sessão da Aliança Batista Mundial, no Estádio do Maracanã, RJ.  Na ocasião, o coro formado por mais de 3.000 mil vozes atuou sob a regência de Arthur Lackschevitz.

12 de Julho, nasce o seu primeiro neto: Amaru.

1961 – É eleito presidente da Convenção Batista Federal (Igreja Batista do Méier).

1962 É eleito presidente da Convenção Batista Carioca (Igreja Batista do Méier).

Profere o discurso oficial da Convenção Batista Brasileira (44ª. Assembleia, Primeira Igreja Batista Curitiba, registrados 673 mensageiros).

29 de Março, nasce o seu segundo neto: a menina Suray.

1965 – 15 de Maio, nasce o seu terceiro neto: Márcio.

1966 – É eleito presidente da Convenção Batista Brasileira (Vila Mariana, SP, 1.596 mensageiros).

1967 – Recebe a Comenda da Ordem dos Protetores da África, no grau máximo desta condecoração conferida pelo Governo da República da Libéria.

É reeleito presidente da Convenção Batista Brasileira (Primeira Igreja Batista de Belo Horizonte, 1.066 mensageiros).

12 de Dezembro: É eleito unanimente membro da Academia Evangélica de Letras, como Patrono da Cadeira 38.

1968 21 de Março, nasce o seu quarto neto: João.

1968-71 – Dirige na qualidade de reitor o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.

1970 – Profere o chamado “Sermão da Coroação” do XII Congresso da Aliança Batista Mundial, realizado em Tóquio.

1971 – É agraciado com a Medalha Mascarenhas de Moraes.

1972 – É o orador oficial da Celebração do Sesquicentenário da Independência do Brasil, promovida pela Convenção Batista do Estado do Rio de Janeiro.

1974 É eleito presidente da Comissão de Texto da Imprensa Bíblica Brasileira.

É eleito Ministro-assessor da Cruzada de Evangelização Billy Graham / Grande Rio.

29 de Julho: Recebe o diploma de Benemérito do Estado da Guanabara – RJ, conferido pela Assembleia Legislativa  deste Estado.

1977-80 Dirige o Departamento de Estudos Teológico-Filosóficos do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.

1978 – É eleito presidente da Confraternização dos Ex-Combatentes e Veteranos Evangélicos da FEB (Confratex), em reunião realizada em Recife.

1981 É eleito presidente “o primeiro do Centenário” da Convenção Batista Brasileira, em assembleia realizada na cidade de Belém.

1982 – Preside a Convenção Batista Brasileira, que comemorou, em Salvador- BA, o Centenário dos Batistas Brasileiros 1882-1982.

Ele presidiu esta Convenção pela primeira vez, em 1938, quando tinha 29 anos de idade.

1984 Ano de comemorações do Centenário da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro.

1985 1°.  Domingo de Janeiro:  50 anos de pastorado na Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro.

6 de Janeiro:  Inauguração do Edifício Dr. João Filson Soren, uma homenagem da igreja a seu pastor.​

13 de Janeiro:  Culto de Ação de Graças pelo Jubileu de Ouro Ministerial.

20 de Outubro: profere os seus últimos sermões, nos cultos matutino e vespertino, do púlpito de sua amada igreja.

Recebe o título de Pastor Emérito da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, expressão dos membros da igreja, entregue pelo Diácono Orlando Pereira Pinto.

1990 – 25 de Janeiro: É homenageado pela Associação dos Músicos Batistas do Brasil recebendo o prêmio Arthur Lakschevitz “Amigo dos Músicos”, na 71ª.  Assembleia da Convenção Batista Brasileira, em Belo Horizonte.

14 de Maio: falecimento de sua esposa, Nicéa Miranda Soren (1910-1990), amada companheira que esteve ao seu lado por 55 anos.

1991  1°.  de Outubro, nasce o seu primeiro bisneto: William.

1993 29 de Abril, nasce o segundo bisneto: a menina Stephanie.

1997 12 de Junho, nasce o terceiro bisneto: Richard.

1998 9 de Março, nasce o quarto bisneto: a menina Michelle.

2001 16 de Novembro, nasce o quinto bisneto: Cristian.

2002 2 de Janeiro: Aos 93 anos de idade, o servo João Filson Soren é chamado à presença de seu Senhor.

 João Marcos Soren

© de João Marcos Soren – Usado com permissão

João Soren, pastor e musicista

Em João Soren vemos não somente o venerando pastor da Primeira Igreja Batista do Rio, que em 1o de janeiro de 1985 completa 50 anos de ministério à frente dessa grei; o líder invulgar que exerceu os mais importantes cargos denominacionais e solucionou as mais graves crises em nossa Denominação; o respeitável catedrático no seminário batista no Rio de Janeiro (1946-1978), onde foi magnânimo reitor (1969-1971); o notável orador sacro, cuja voz autorizada (nunca autoritária) e melíflua (jamais pusilânime) foi ouvida nos congressos da Aliança Batista em Londres (1955) e Tóquio (1970), o que dá a medida de sua envergadura nativa e de seu alcance mundial, e que, no dizer de Ebenézer Soares Ferreira, “é o Spurgeon … é a eloquência elegante … é o primor pela postura e a graciosidade no manejo do vernáculo”; é, acrescentamos, um pregador atualizado, sem socorrer-se do jargão, e compacto, cuja linguagem simples e diáfana consegue revelar profundos conceitos teológicos; o intelectual polivalente que trabalhou como vernaculista na revisão da Bíblia,  pertence à Academia Brasileira Evangélica de Letras e foi agraciado com títulos universitários  pelo “Georgetown” (1955) e “William Jewell” (1960); o heróico capelão que acompanhou e assistiu a Força Expedicionária Brasileira nos campos da Itália durante o final da Segunda Guerra Mundial (1944-1945), tendo sido condecorado com a “Cruz de Combate”, pelo exército brasileiro, e a “Silver Star”, pelo americano; o cidadão exemplar  que participa do Conselho de Diretores do Hospital Evangélico e foi honrado pelas assembleias  legislativas  dos  estados da Guanabara (1974) e do Rio de Janeiro (1973) e pelo governo da Libéria (1971).

Em João Soren vemos também o musicista multiface; não é uma estrela solitária, mas em torno dele gravitam muitos batistas com dons musicais. Nos últimos 50 anos, muitos músicos receberam, dentro e fora da Primeira Igreja, o incentivo, a orientação e a influência do pastor Soren.

Minha saudosa mãe, Frederica Torres, contava-me que o jovem João Soren era exímio violinista; juntamente com Oswaldo Ronis, Frederico Vitols, Alexandre Klavin e Martinho Janson, no início da década de 30, quando a Primeira Igreja tinha menos de 500 membros, Soren com o seu violino acompanhava o canto congregacional. Assumindo o pastorado, sempre apreciou e conferiu a devida importância à música instrumental. Lembramo-nos de que, em 1958, o jovem violinista Hélio Dias Ribeiro foi incentivado a tocar o “Adágio” de uma sonata de Haendel, e, no Natal de 1974, uma cantata teve o acompanhamento de flautas, violinos, violoncelos, fagote, clarineta, trompa e oboé. O pastor Soren recentemente apoiou  a formação do conjunto instrumental “Aulos”, dirigido pelo seu neto Amaru, que conta com uma vintena de músicos (flautas-doces,  trompa, instrumentos de cordas e de percussão) para a execução de obras eruditas (Byrd, Scheidt, Caldara, Telemann, Haendel, Mendelssohn, Reger e outros).

Mas tem sido o órgão o instrumento que melhor tem contribuído para a divulgação da música sacra erudita: peças de Bach, Haendel, Vivaldi, Praetorius, Pasquini, Corelli, Daquin, Mozart, Mendelssohn, Gounod, Brahms, Reger, Saint-Saens, Widor, Guilmant, Vierne e Dubois são comumente executadas na Primeira Igreja pelos  organistas Nicéa Miranda Soren, Betty Antunes de Oliveira, Marília Soren Sosa, Leuzí Soares Figueira, Dirajáia Soren, Frederico Egger,  Edson Lopes Elias,  Domitila Ballesteros, Sérgio Presgrave, Eliane Carlita de Andrade e Amaru Sosa Soren.

O “Hammond” foi inventado em 1935,  e já em 1940 o  Pastor Soren substituía o harmônio (que em pouco tempo seria abafado pelo murmúrio da congregação e pelo barulho dos  bondes que trafegavam diante do templo) pelo órgão eletromagnético importado.

Soren também gostava do bel canto, que era praticado em saraus de fim-de-semana, no Salão “F. F. Soren”, promovidos  pelo Departamento Artístico e Cultural da Assembleia das Uniões de Treinamento: a soprano Eunice Lima e o tenor Evandro Azevedo cantavam  trechos de óperas de Verdi e de Puccini, acompanhados  pela pianista Marília Soren, que, por sua vez,  como meio- soprano, interpretava árias de Cimarosa, Haendel, Gluck, Saint-Saens e Verdi.

De nossa parte, apreciávamos  a soprano Gláucia Simas Campelo na execução de trechos de “O Filho Pródigo”, de Debussy, e da “Paixão,  segundo São Mateus”, de Bach.

Em 1957 Soren patrocinou, para comemorar o quinto aniversário da Associação Coral Evangélica do Rio de Janeiro, uma Noite de Arte, com a participação dos  mais  destacados artistas evangélicos  da antiga Capital Federal, liderados  por Levino Alcântara e Heitor Argolo.

Naquela época, além da ACE brilhava no cenário artístico evangélico carioca o Coral Excelsior,  que, ainda no salão social da Primeira Igreja, apresentou uma audição de música folclórica, sob a regência de Guilherme Loureiro.

Desse compositor,  no santuário da Igreja, em outubro de 1953, foi apresentada a ópera sacra “Jerusalém, a Canaan Celeste”, tendo atuado o baixo Luiz Nascimento, a soprano Alaíde de Andrade, o tenor Evandro Azevedo, a soprano Olívia Magalhães, a ensaiadora Eudora Pitrowsky Salles e a organista Dirajáia Soren  (ver: “O Crisol”, dez 53, e “O Jornal Batista”, 25 fev 54).

Em abril de 1955 Soren foi o narrador de uma audição de música sacra erudita (trechos de obras de Bach,  Haendel, Francisco Martins e Mozart) para comemorar a paixão,  morte e ressurreição de Jesus, apresentada pela soprano Gláucia Simas, contralto Marília Soren, tenor Edson Salles, baixos  Eliézer Gomes e Daniel Pinheiro, acompanhados pela organista Dirajáia Soren e regidos por Heitor Argolo.

Cremos que a mais importante iniciativa de João Soren para o aprimoramento do canto coral  sacro foi a única apresentação no Rio de Janeiro, em setembro de 1955, do célebre “Thomanerchor” (coro infanto-juvenil da igreja de São Tomás, em Leipzig,  que foi dirigido durante 27 anos por Bach), que interpretou, além de peças de Bruckner, Reger, David e Kodály, o moteto “Jesus, minha alegria”,  de Bach, sob a regência de Gunther Ramin. Essa audição deve ter inspirado a Dorivil  de Souza a criação de um coro infanto-juvenil que pudesse cantar obras de alto nível.

Memoráveis  foram as  audições do Coro da Igreja realizadas  em 30 de outubro de 1955,  30 de junho de 1957,  26 de dezembro de 1965 e 24 de dezembro de 1972,  comentadas nestas colunas. Atualmente, na Primeira Igreja apresentam-se, sob os cuidados do pastor Soren, os seguintes coros: “Eclésia” (misto), “Nicéa Soren” (jovens), “Dominus” (masculino), “Hosana” (feminino) e “Coreutas” (falado).

Além de músico e incentivador  de músicos, João Soren cultiva o canto congregacional;  hinógrafo inspirado,  é autor de oito hinos: “No caminho do Senhor”, “A mão que me conduz”, “Com Jesus”, “Cristo maravilhoso”, “Fala e não te cales”, “Ó povo, vede a luz”, “O monte do Senhor” e “Olhando para Cristo”; os dois  últimos com música de C.Austin Miles.

Em menos de dez anos, o hino no. 579 tornou-se indis- pensável nas comemorações do “Dia do Pastor Batista”.

Como musicista, Soren tem todos os pastores ao seu lado. Como pastor, tem a gratidão de todos os músicos batistas!

Rolando de Nassau

© 1985 de Rolando de Nassau – Usado com permissão
(Publicado em “O Jornal Batista”, de 06 de janeiro de 1985, pp.02 e 10.)
Música n.º 295

(1908-2002)

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