John W. Peterson

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John Willard Peterson (1921-2006)

 

John W. Peterson

John Willard Peterson nasceu em 01 de Novembro de 1921 numa humilde fazenda na comunidade de Lindsborg, Kansas, Estados Unidos da América do Norte. Havia uma grande colônia sueca naquela cidade e John Peterson nasceu num lar de descendentes suecos.

John foi o caçula numa família de sete pessoas, todas elas com talento musical. Charles Nelson, o avô, exerceu uma tremenda influência sobre o menino John. Homem muito religioso, ele nunca deixou o seu costume de três vezes por dia parar no meio dos afazeres, cantar um hino, ler um trecho bíblico e orar, tudo isso na língua sueca. Este exemplo de fé impressionou todos, mas mui especialmente o pequeno John Peterson.

Para homenagear o seu avô, que tanto amava, John escreveu uma poesia e lha deu no dia em que completava 80 anos. O velho ficou sensibilizado e exclamou, talvez até profeticamente: “John, um dia Deus vai usar você e seus talentos.”

Com 12 anos Peterson aceitou Cristo como seu único Salvador. Quando rapaz, no ginásio, participou num programa de “calouros” e saiu-se brilhantemente e, ganhando uma bolsa de estudos para estudar canto.

Em 1944 casou-se com Marie Addis, que conhecera alguns anos antes, numas conferências evangelísticas. Mas casar-se, para o jovem, naquela época, em virtude da Segunda Guerra Mundial, implicava uma inevitável separação e para o jovem casal Peterson não foi diferente.

John fez parte da Força Aérea Americana e serviu na China e em Burma. Devido ao costume que tinha de cedo de amanhã, no quartel, ler a sua bíblia, ganhou o apelido de “Diácono”.

John Peterson diz que uma experiência que jamais pode esquecer é a dum companheiro de farda que, depois de um “bate-papo” sobre religião, disse: “Pete (outro apelido de Peterson), concordo com tudo que você disse e um destes dias vou aceitar a Cristo como meu Salvador.” Na mesma noite Peterson fez tudo para que o seu amigo aceitasse Cristo ali mesmo, porém em vão. No dia seguinte, o amigo partiu numa missão perigosa, da qual nunca retornou.

Depois da guerra, Peterson estudou no Moody Bible Institute. Em seguida ele se formou no American Conservatory of Music de Chicago, onde se especializou em composição.

Em 1955 John Peterson aceitou o convite de ser editor de música na Singspiration Inc., uma das maiores editoras de música sacra evangélica nos Estados Unidos. Mais tarde, chegou a diretor da mesma, posição que ocupou por bastante tempo.

John e Marie Peterson tiveram três lindas filhas, que formaram o “Trio Peterson”, conjunto vocal bem conhecido nos círculos evangélicos da outra América e que já possui várias gravações de música sacra.

Mais de 3.000.000 de cópias das 15 cantatas de autoria de Peterson até 1971, foram vendidas. Durante a sua vida escreveu mais de 1.1000 canções e 35 cantatas. Aqui no Brasil, além da cantata “Maior Amor”, duas outras composições de Peterson são bem conhecidas: “Foi um Milagre” e o corinho “A Paz do Céu”. A cantata “Eu Vos Envio” contou com a colaboração de Edilene Correia de Oliveira Cavalcante, Ana Maria Ferreira Guedes, Lucy Maciel da Silva e Ivo A. Seitz, sob a supervisão da Profª Joan Sutton.

E, como foi este homem que tanto contribuiu para a causa da música sacra evangélica?

Nas ocasiões em que estive com ele, ficou evidente que a vida do compositor tem algumas das características de suas músicas – simplicidade, espontaneidade e beleza. John Peterson foi, antes e acima de tudo, um homem que amava a Deus. Ele viveu profundamente o seu cristianismo. Ao ouvir suas composições, é fácil perceber que ele não se preocupava em impressionar com temas musicais muito desenvolvidos e por mais complexos, mas se contentava em escrever músicas simples, que sirvam para transmitir uma mensagem singela. Ele escrevia realmente o que Deus lhe colocava no coração.

John Peterson faleceu em 20 de setembro de 2006.

Bill H. Ichter

“Publicado originalmente em: “O Jornal Batista”, Ed. 43 , Outubro 1970, pág. 4 – Coluna “Canto Musical”
© 1970 de Bill H. Ichter / Atualização do texto: Robson José – Usado com permissão

 

 

Maior Amor, de John Peterson

(Especial para “Hinologia Cristã”)

John Willard Peterson (1921-2006), embora não tenha ingressado na galeria da música sacra erudita contemporânea, mesmo tendo sido um dos mais prolíficos compositores norte-americanos, alcançou renome no cenário musical dos Estados Unidos.

Pelo mero fato de ter vendido mais de oito milhões de exemplares de suas 31 cantatas, é um compositor de “best-sellers” (ver: OJB, 22 e 29 mar 1981). Em mais de três décadas produziu música para as igrejas.

Peterson compôs 18 cantatas sobre o Natal, e 11 sobre a Páscoa, e mais de 1.000 canções religiosas.

Das cantatas, conhecemos “Eu vos envio” (“So Send I You”, 1954), “Maior amor” (“No Greater Love”, 1958), “Rei dos reis” (“King of Kings”, 1973), “Amor e bondade” (“Love and Kindness”, 1976), “Noite de milagres” (“Night of Miracles”) e “Canto angelical” (“The Night the Angels Sang”).

Peterson ainda estava cursando o grau médio quando recebeu oito dólares pela publicação de sua primeira música.

Com 22 anos de idade, recusou-se a assinar um contrato de edição para sua canção “Por cima das montanhas” porque os editores quiseram que a última frase, “Jesus, o meu Salvador”, fosse substituída.

Certa vez, declarou: “Tenho honra em fazer parte da tradição musical da Igreja”.

Pelo que sabemos, “Maior amor” é a sua obra-mestra.

Destina-se a coro misto, solistas e narrador, com acompanhamento instrumental.

Foi escrita e composta por Peterson e publicada pela “Singspiration”, de Grand Rapids, Michigan.

Com o título “Maior amor”, foi traduzida e adaptada, em 1969, pela professora Joan Riffey Sutton, com a colaboração de Helena Teixeira e Irmgard Rehn, no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, e publicada pela JUERP, do Rio de Janeiro (RJ).

Em 1981, o conjunto da obra de Peterson tinha atingido o ápice de uma escala de popularidade.

“No Greater Love” é uma cantata que talvez possa ser colocada no mesmo nível de “As the Prophets Foretold”, de Johan Franco (1908-1988).

A letra

No prefácio, Peterson escreveu: “Lançamos esta obra … para que cristãos, que a cantem ou a ouçam, sejam, novamente, cheios de gratidão a Deus pelo Calvário”.

O texto da cantata é baseado nos relatos dos evangelistas João, Mateus e Lucas. Há uma íntima correspondência entre os trechos evangélicos e os episódios do “libreto”.

Logo no início, o tema “Maior amor”; à maneira de um “leitmotiv”, é simbolicamente repetido sete vezes:

1ª.) para ilustrar a leitura de João 3: 16;

2ª.) após a vitória de Jesus sobre Satanás;

3ª.) depois da citação das bem-aventuranças;

4ª.) por ocasião da “entrada triunfal em Jerusalém”;

5ª.) na parte referente ao Getsêmane;

6ª.)  a propósito da prisão de Jesus;

7ª.) comentando o clamor da multidão que exige a crucifixão de Jesus.

Após o introito, cantado em uníssono pelas  vozes femininas e masculinas, o narrador lê João 3: l16 e 15: 13. Segue-se o trecho “Deus, tendo falado outrora”, para solista.

O coro canta “Deus O fêz herdeiro”, seguido pelo solo “O resplendor de Sua glória”.

O narrador lê Mateus 3 (alguns versículos) e o coro canta “Eis que os céus se Lhe abriram”, e Mateus 4, antecedendo o proporcionalmente longo duelo entre Satanás (representado musicalmente pelo barítono) e Jesus (pelo tenor).

Na parte referente ao ministério de Jesus, baseada em Mateus (cap.4, 5, 7, 9, 10 e 19), as vozes masculinas apresentam o trecho “Quando aqui viveu”; a soprano executa o solo “Bênçãos para os pobres de espírito”, seguido pelas vozes femininas no trecho “Bênçãos para os puros de coração” e pelo coro no episódio “Bênçãos aos pacificadores”.

“Ó vinde a Mim “ e “Venham todas as crianças” são trechos para vozes graves e femininas.

Para ilustrar a entrada triunfal (inspirada em Mateus, 20, João, 12 e Lucas, 19), as vozes femininas e masculinas cantam “Hosanas a Cristo”.

A parte referente ao sermão profético (Mateus 26) abrange os trechos “Em verdade vos digo” e “Mestre, sou eu?”.

Os episódios do Getsêmane (Mateus 26) oferecem oportunidades ao tenor em “Minha alma está mui triste” e “Faça-se a Tua vontade”.

Na prisão e crucificação (Mateus 26 e 27), aos solos de barítono “Quem quereis?” e “Que farei de Jesus?” e aos coros “Barrabás!” e “Crucificai-O já!”; aos tenores (“Não vejo culpa”) e aos contraltos (“Vivi tão longe do Senhor”); ao coro (“Em contrição voltei”) e aos contraltos (“Seu maravilhoso olhar”).

Dois trechos da cantata, “Jesus virá” e “Seu maravilhoso olhar”, estão à disposição das congregações (HCC, nos. 148 e 312).

O capítulo da ressurreição (Mateus 27 e 28) é ilustrado pelo coro no trecho “Mas Cristo já vive”.

A última parte da cantata, baseada em João 20: 19-20, 30-31, com as vozes masculinas em uníssono, depois com o coro em cânone, é um “finale” grandioso.

A tradução

Examinando atentamente o original inglês e a tradução portuguesa, verifico que à expressão original as tradutoras juntaram palavras coincidentes em sonoridade. Por exemplo: “When He had by himself purged our sins, sat down on the right hand of the Majesty on high!” (“Purificando-nos dos nossos pecados, Jesus se assentou nas alturas com Seu Pai!”).

A música

Composta inicialmente para piano, a cantata foi adaptada para órgão por Norman Johnson, e instrumentada por Harold De Cou. A instrumentação original prevê: cordas (3 violinos, violoncelo e contrabaixo), madeiras (clarinete e flauta), metais (trompa em fá, 3 trompetes e 3 trombones) e percussão (timbales, pratos, triângulo, pandeiro, tambor, sinos e gongo).

Tenho diante de mim a partitura: é uma escritura musical evidentemente singela, tanto para as partes vocais quanto para as instrumentais; as indicações para execução são concisas, dando oportunidade à inventiva do regente; é mais frequente a participação dos violinos e do violoncelo.

O “tutti” instrumental funciona nos trechos “Maior amor” (introdutório), “Ao Senhor adorarás”, “Alegrai-vos e regozijai-vos”, “Hosana a Cristo”, “Barrabás”, “Crucificai-O já!”, “Mas Cristo já vive!” e “Aleluia!”.

É preciso que o regente tenha um temperamento musical bastante sóbrio para que os trechos “Venham todas as crianças” e “Hosana a Cristo” não resvalem para o popularesco.

“Faça-se a Tua vontade” é um dos trechos mais austeros da cantata. “Vivi tão longe do Senhor”, solo para contralto, é um lamento, enfatizado por uma bela melodia, confiada às cordas, e que ficaria mais soturno se tivesse a participação de um oboé.

O regente não tem condições de aumentar as suas qualidades, mas poderá realça-las.

Sem dúvida, “Maior amor” é a obra-mestra de Peterson. Que saudade!

23 de outubro 2015.

Rolando de Nassau

© 2015 de Rolando de Nassau – Usado com permissão

(1921-2006)

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