“O Hinário tem que acabar” – Por Mariane Godoi
O HINÁRIO tem que acabar
O hinário tem que acabar se a única razão para usá-lo no culto é:
“sempre foi assim”.
Tradição sem compreensão não forma fé, apenas repete rituais.
O hinário tem que acabar se os hinos são tratados como uma parte indesejada da liturgia, mal planejados, sem preparo musical, sem ensaio, sem participação intencional da banda.
Isso não é reverência.
É descuido disfarçado de tradição.
O hinário tem que acabar se ele existe apenas para agradar consciências saudosistas sem qualquer esforço de ensinar por que cantamos o que cantamos.
Preservar por apego não é o mesmo que preservar por convicção.
O problema nunca foi o hinário. O problema é o uso acrítico da tradição ou o abandono apressado dela.
Mas agora, o hinário deve continuar se…
O hinário deve continuar se entendermos o que ele carrega e por que ele importa.
O hinário deve continuar se reconhecermos seu valor teológico e doutrinário.
Hinos históricos não apenas emocionam.
Eles ensinam teologia validada e construída ao longo de séculos. Cada hinário preserva a teologia e a doutrina da denominação a qual pertence.
O hinário deve continuar porque ele conectar a igreja local à história protestante ao redor do mundo.
Ao cantar hinos, cantamos com igrejas de outros séculos, outros países e outras gerações.
O hinário deve continuar porque ele alcança gerações que construíram a igreja que hoje as mais novas desfrutam.
Isso não é nostalgia.
É gratidão e comunhão.
Hoje, 25 de janeiro, celebramos 35 anos do Hinário para o Culto Cristão, das igrejas batistas no Brasil.
Este post é um gesto de gratidão.
Gratidão a homens e mulheres que dedicaram tempo, estudo bíblico, reflexão teológica e sensibilidade pastoral para compor, traduzir, selecionar e organizar hinos que ensinaram (e ainda ensinam) a igreja a cantar a sua fé.
O problema nunca foi o hinário.
O problema é quando ele é usado sem compreensão, sem preparo, sem ensino… reduzido a um símbolo de tradição despropositada ou a um “momento protocolar” no culto.
Mas quando compreendidos, os hinos são:
• teologia cantada
• memória doutrinária
• elo entre gerações
• ligação viva com a história protestante ao redor do mundo
Celebrar 35 anos do Hinário para o Culto Cristão é lembrar que o culto forma a igreja, inclusive pelo que ela canta.
📘 Se você é líder, músico ou pastor(a) e quer aprender a escolher repertório para o culto de forma bíblica, teologicamente orientada e contextualizada, no meu livro Música e Igreja eu trato exatamente disso:
não como gosto pessoal,
não como tendência,
mas como responsabilidade pastoral.
Que a nossa gratidão pelo passado nos ajude a cantar com mais consciência no presente e mais fidelidade no futuro.








