Gedelti Gueiros (1931-2025)

Em julho de 2025, faleceu em Vitória (ES) um dos mais destacados líderes evangélicos do Brasil. Gedelti Victalino Teixeira Gueiros nasceu no dia 19 de novembro de 1931 em Bom Jesus do Itabapoana, no norte fluminense. Pertencia a uma das mais destacadas famílias evangélicas do Nordeste, originária do interior de Pernambuco, cujos pioneiros se converteram por meio das pregações dos missionários presbiterianos norte-americanos Henry John McCall e George William Butler. O primeiro a se converter foi Jerônimo Gueiros, sendo seguido por seu irmão Antônio de Carvalho Silva Gueiros e muitos outros. Ambos se tornaram destacados pastores presbiterianos em seu estado natal, assim como seu sobrinho Antônio Teixeira Gueiros, no Estado do Pará.
Gedelti era filho de Abílio Teixeira Gueiros (1897-1994), natural de São Bento do Una, e Sarah Victalino de Azevedo Mello (1904-2003), procedente de Canhotinho. Abílio, por sua vez, era filho de Alfredo Teixeira Calado e Francisca de Carvalho Silva Gueiros, irmã dos primeiros pastores mencionados acima. Abílio e Sarah se casaram em 1926 e seus dois primeiros filhos (Jabes e Jedáias) nasceram em Pernambuco. Em busca de novas oportunidades, a família mudou-se para o Estado do Rio, fixando residência na pequena Bom Jesus do Itabapoana, onde nasceram outros três filhos: Sara, Gedelti e Jerusa.

Sempre em busca de progresso profissional, Abílio finalmente foi residir em Vila Velha, próxima de Vitória, no Espírito Santo, onde abriu a primeira padaria da cidade. Com isso teve recursos para custear os estudos dos filhos, inclusive da caçula Edna Júnia, nascida nesse estado. Quando a Igreja Presbiteriana de Vitória abriu uma congregação em Vila Velha, a família se integrou a ela. Abílio foi o esteio do novo trabalho, tendo dado expressiva colaboração para a construção do primeiro templo. A participação da família era tão destacada que igreja ficou conhecida como “a igreja do seu Abílio”. Jabes tornou-se advogado; Jedáias, pastor, advogado e juiz; Gedelti, dentista, e as irmãs, professoras.

Numa época em que o movimento de renovação espiritual causava forte impacto no meio evangélico brasileiro, vários líderes presbiterianos de Vila Velha começaram a orar fervorosamente e experimentaram o que foi interpretado como um novo Pentecostes, com manifestações de línguas e profecias. Não sentindo atração pelas igrejas pentecostais, por causa de suas ruidosas manifestações emocionais, decidiram fundar em 1967 uma nova igreja, que inicialmente recebeu o nome de Igreja Cristã Presbiteriana, na qual os cultos eram realizados com relativa discrição, ao som de músicas suaves.
Segundo um relato, a Igreja Cristã Presbiteriana foi criada em Itacibá, perto de Vitória, pelo Rev. Milton Othon de Albuquerque Leitão, junto com os pastores Manoel dos Passos Barros (Foto abaixo), Alcary Simões e o presbítero Gedelti (ata de 31.10.1967). O movimento de avivamento espiritual teria sido trazido pelo Pr. Jonas Marques, a convite de Milton Leitão. Gedelti ocupou um lugar destacado nesses acontecimentos, tendo doado um terreno para a construção da igreja de Itacibá e outro da Toca. Esteve presente no primeiro culto em Campo Grande, no dia 27.11.1967, junto com os pastores Jairo Coelho, Jedáias Gueiros e outros.

No final dos anos 70, o nome da igreja foi alterado para Igreja Cristã Maranata, tendo a maior parte dos membros da família Gueiros residentes no estado se integrado a ela. Gedelti veio a ser consagrado pastor, tornando-se um dos principais líderes da nova denominação, governada pelo Presbitério Nacional. Em 2007, com o falecimento do pastor Edward Hemming Dodd, presidente do Presbitério, o pastor Gedelti, que era o vice-presidente executivo, assumiu o cargo principal.

Por cerca de 20 anos, teve como secretário e braço direito o Dr. Joabe Ribeiro Salaroli, advogado e professor. (Foto acima) Hoje a Igreja Cristã Maranata é uma das mais importantes agremiações religiosas do Brasil, estando ainda presente em vários outros países.
Pr. Gedelti foi casado com Jurama Barros Gueiros (1935-2019) (Foto abaixo), com a qual teve a filha do mesmo nome (Juraminha), casada com Albert Welten Bitran. Além de presidente da Igreja Cristã Maranata (ICM), foi professor do Instituto Bíblico Educacional Maranata (IBEM), de seminários da Igreja Cristã Maranata e da escola bíblica dominical. Na área secular, foi professor da Escola de Odontologia da Universidade Federal do Espírito Santo e odontólogo da Marinha de Guerra do Brasil (oficial da reserva R2). Fez curso de pós-graduação em Dialética do Ensino Superior. Destacou-se ainda como empresário e líder comunitário. Na noite de 23.11.2022, recebeu uma comenda da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em sessão solene. Essa honraria, a mais prestigiosa conferida por esse órgão legislativo a um cidadão, foi proposta pelos deputados estaduais Hudson Leal e Capitão Assunção, e aprovada por unanimidade.

Pr. Gedelti faleceu em decorrência de problemas cardíacos na madrugada do dia 5 de julho de 2025, aos 93 anos, em Vitória, ES. Além da filha, deixou dois netos. A cerimônia de despedida ocorreu no Maanaim de Carapina, no município de Serra, sendo o sepultamento realizado no Cemitério Parque da Paz, em Ponta da Fruta, Vila Velha.

Em seu lugar, assumiu a direção da Igreja Maranata o Dr. Alexandre Rubem Milito Gueiros (Foto acima), nascido em 11.07.1948, filho de Rubem e Gabriela Gueiros. Ele formou-se em Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (1970) e no ano seguinte iniciou longa carreira como diplomata na Ministério das Relações Exteriores. Foi Cônsul-Geral Adjunto em Chicago (1991), Ministro-Conselheiro nas embaixadas de Lisboa (2001) e Dublin (a partir de 2004), e Embaixador do Brasil em Jamaica. Sua mãe, Gabriela Gueiros, dedicou-se à música. Na década de 50, foi organista da Igreja Presbiteriana de Copacabana, no Rio de Janeiro, e auxiliou, como acompanhadora, as atividades musicais da Igreja Memorial Batista, em Brasília (Rolando de Nassau, Dicionário de Música Evangélica, p. 84).
O Pr. Gedelti Gueiros escreveu “Fé – sua manifestação histórica e profética” e “O louvor da igreja fiel” (que aborda o aspecto doutrinário do louvor na Igreja Cristã Maranata). Prefaciou a “Coletânea de hinos da Igreja Cristã Maranata” (maior hinário evangélico brasileiro) e “Expressão da alma remida – experiências que inspiram louvores”, do Departamento de Louvor da ICM. Conheceu nomes importantes da música sacra evangélica no Brasil como o Rev. Renato Ribeiro dos Santos (1898-1967) – compositor e pianista, autor do clássico “Sonda-me, ó Deus, o coração”, gravado pelo Grande Coral Evangélico, regido pela Dr.ª Dorotéa Kerr. Também conheceu Zely de Paula Simon (1930-1961) – tradutora e patrona da Cadeira nº 28 da Academia Espírito Santense de Letras, traduziu o hino “Tenho saudades de Jesus, meu Mestre”,gravado pela saudosa dupla Dico e Rosinha, também presente na Coletânea de Partituras da Igreja Cristã Maranata (n.º 503).
No site “Hinologia Cristã”, o Pr. Gedelti Gueiros é citado na história do hino “Cristo vem me buscar” (1967), de Rosimery Henriques Gomes (www.hinologia.org/cristo-vem-me-buscar). Também é citado no artigo “Os hinos e suas histórias contadas em livro”, de Priscilla Cerqueira (https://www.hinologia.org/os-hinos-e-suas-historias-contadas-em-livro-hinologia-crista/) e na biografia de Lydia de Souza e Silva (https://www. hinologia.org/lydia-de-souza-e-silva/), compositora do hino “Jerusalém do povo santo do Senhor”.

O Projeto “Hinologia Cristã – Cantos da Fé Cristã”, na pessoa de seu idealizador, Robson Santos (Foto acima), é profundamente grato ao Pastor Gedelti Gueiros por todo o apoio dispensado a essa iniciativa, que tem por objetivo resgatar os hinos e cânticos evangélicos, bem como preservar as histórias de seus autores. A Igreja Maranata também tem uma grande dívida de gratidão para com esse líder eficiente e estimado, que dedicou toda a sua vida ao serviço de Deus e da família humana. “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos”.
Dr. Alderi Souza de Matos
Historiador da Igreja Presbiteriana do Brasil
Professor do Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper, no Mackenzie, São Paulo
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