SALMO 150 – CÉSAR FRANCK

Salmos (do grego Psaltérion, nome do instrumento de cordas que acompanhava os salmos) é o tesouro da lírica religiosa de Israel que nos foi conservado pelo Saltério.

Essa coleção de 150 salmos chamava-se “Tehillim”, em hebraico. É dividida em quatro gêneros literários (hinos, súplicas, ações de graças e gêneros aberrantes ou mistos).

Enquadrado na categoria de hinos, o salmo 150 (de autoria desconhecida) é a doxologia final de toda a coletânea.

Mais desenvolvida que as doxologias que terminam os quatro primeiros livros dos Salmos (1-41; 42-72; 73-89; 90-106), esta doxologia convida todos os instrumentos musicais e todos os seres vivos a louvar ao Senhor.[1]

David tocando harpa, de  Jan de Bray, 1670.

Fico me perguntando qual seria a reação do autor deste tão belo salmo ao saber que inspirou o genial compositor César Franck milênios depois a escrever e orquestrar uma das mais lindas obras para coro da história do cristianismo.

César Auguste Jean Guillaume Hubert Franck (1822-1890) foi um influente compositor, organista e professor franco-belga do Período Romântico Francês.

De acordo com Mark DeVoto, professor e colaborador do diário virtual The Boston Musical Intelligencer, a música francesa do século XIX gerou seus grandes compositores em ciclos de 20 anos: Hector Berlioz (1803), César Franck (1822), Emmanuel Chabrier (1841) e Claude Debussy (1862). A Guerra de 1870 impulsionou a modernização da música francesa, destacando Franck como organista, compositor e influente professor do Conservatório de Paris.

Franck começou a trabalhar na igreja Basílica de Sainte-Clotilde em 1858, onde desenvolveu obras importantes para órgão, como as Seis Peças, seguidas por mais Três Peças e Três Corais, fundamentais no repertório romântico.

Ele também foi fortemente influenciado pelo famoso compositor católico devoto Franz Liszt, que admirava seu talento e chegou a compará-lo a Johann Sebastian Bach.

O profundo sentimento religioso de Franck certamente influenciou sua arte, e ele pode ter considerado seu enorme oratório, Les Béatitudes, sua maior conquista.

A única música sacra de Franck conhecida mundialmente hoje é o Panis angelicus (1872), da Missa para três vozes. Cumpre destacar que alguns coros afortunados se apegam à comovente versão de Franck para o Salmo 150, o salmo dos músicos.

A fama de César Franck vem principalmente de suas obras de concerto, com destaque para peças importantes em vários gêneros, como quinteto para piano, sonata para violino, sinfonia, quarteto de cordas e variações sinfônicas.

Entre seus contemporâneos, ele teve apoio de Camille Saint-Saëns e Emmanuel Chabrier. Já Claude Debussy, apesar de não ter gostado de suas aulas, admirava sua obra ao longo da vida.[2]

César Franck (1822-1890).

O “Salmo 150” (Psaume 150) é uma composição de César Franck. Ele escreveu a obra, musicando a poesia do Salmo 150 para coro a quatro vozes, orquestra e órgão, em 1883. Foi publicada em 1896 pela editora Breitkopf & Härtel. Já a Carus-Verlag publicou um arranjo para coro, cordas e órgão.[3]

A presente versão do Salmo 150, de 1884, é uma das últimas obras de César Franck. Ela revela, de forma concentrada, os elementos altamente individuais do estilo do compositor: uma linguagem sinfônica consciente, harmonias ousadas e inconfundíveis, caracterizadas principalmente pelo cromatismo e por conceitos formais incomuns.

A popularidade desta obra foi em grande parte limitada pela necessidade de um grande número de instrumentos para uma peça tão curta.[4]

Através do maestro Ruy Wanderley (1940 – presente), membro da Academia Internacional de Música, esta incrível obra foi traduzida para o português.

O maestro Ruy afirma ter conhecido este salmo na Union Church, num coral onde trabalhou por 50 anos; ocorre que quando ingressou no seminário batista precisava ter muito mais repertório em português. Resolveu traduzir o hino (através do inglês) adaptando as palavras originais do salmo em português. Logo após, o maestro João Wilson Faustini (1931-2023) publicou o hino numa de suas coletâneas.[5]

O salmista exorta toda criatura a louvar ao Senhor

150 Louvai ao Senhor! Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento do seu poder. Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza. Louvai-o com o som de trombeta; louvai-o com o saltério e a harpa. Louvai-o com o adufe e a flauta; louvai-o com instrumento de cordas e com flautas. Louvai-o com os címbalos sonoros; louvai-o com címbalos altissonantes. Tudo quanto tem fôlego louve ao Senhor. Louvai ao Senhor!

Almeida Revista e Corrigida 2009 (ARC)


Texto escrito em 19 de março de 2026,

 por Gabriel Francisco da Silva Santana

(colaborador do site Hinologia Cristã).

Usado com permissão.

Copyright © 2026 de Gabriel Francisco da Silva Santana

Referências:

[1] BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém, pp. 858 e 1018 (nota de rodapé “e”). São Paulo: Paulus, 2002.

[2] VOTO, Mark De. “The Hemlines of César Franck’s Critics”. The Boston Musical Intelligencer, Boston, 4 de janeiro de 2015. Disponível em: https://classical-scene.com/2015/01/04/hemlines-cesar-franck/ Acesso em: 19 de mar. de 2026.

[3] Psalm 150 (Franck). In: WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Wikimedia, 2025. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Psalm_150_(Franck). Acesso em: 19 de mar. 2026.

[4] César Franck / Salmo 150 / Aleluia. Laudate Dominum / FWV 69, 1884″.Carus-Verlag. Disponível em: https://www.carus-verlag.com/en/music-scores-and-recordings/c-sar-franck-armin-landgraf-arr-psalm-150-4009855.html Acesso em: 19 de mar. de 2026.

[5] WANDERLEY, Ruy. [Tradução da obra “Salmo 150” de César Franck]. WhatsApp: [conversa com o autor do artigo]. 17 de mar. de 2026. 17:47min. 1 mensagem WhatsApp.

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