Isaac Watts

Biografia

Isaac Watts (1674-1748)

Isaac Watts e a inovação do canto cristão
(Especial para “Hinologia Cristã”)

Dados biográficos

Isaac Watts

Isaac Watts nasceu na Inglaterra em 17 de julho de 1674.

Certa vez, o adolescente criticou as letras  que eram cantadas na igreja de Southhampton; seu pai desafiou-o a escrever letras melhores. Em 1694, Isaac apresentou a letra de seu primeiro hino. Ao jovem precoce foi oferecida bolsa de estudo na Universidade de Oxford ou de Cambridge, visando sua futura ordenação sacerdotal na Igreja da Inglaterra (estatal), mas ele recusou-a, e preferiu uma academia não-conformista.

Em 1702 (na mesma época em que Johann Sebastian Bach (1685-1750) começou sua vida profissional como organista na Alemanha), Isaac foi convidado para ser pastor de uma congregação independente em Londres e, por isso, engajou-se nos estudos teológicos e filosóficos.

Depois da graduação, voltou ao lar em Southhampton, onde escreveu muitos hinos, que foram publicados em 1706 e 1707; em Londres, em 1715 e 1719.

Em 1712, devido a séria enfermidade, teve um auxiliar em suas atividades pastorais. Até sua morte, em 1748, Watts viveu retirado no lar de Sir Thomas Abney, servindo como capelão da família.

Ele participou das lutas das igrejas dissidentes em Londres e escreveu cerca de 60 livros eruditos.

Foi sepultado num cemitério destinado a pessoas que não aderiam à igreja oficial, mas em sua homenagem em 1779 foi erigido um monumento no pátio da abadia anglicana de Westminster (capela inaugurada no século 11) onde estão os restos mortais da rainha Isabel I e Isaac Newton.

Hinografia

Watts tem sido considerado por alguns historiadores “o pai da hinodia inglesa”. Escreveu as letras de cerca de 700 hinos, publicados nas coletâneas “Horae Lyricae”, 1706; “Hymns and Spiritual Songs”, 1707; “Divine Songs”, 1715; e “Psalms of David” , 1719. No século 17 predominava a salmodia.

Em 1702, quando Watts assumiu um pastorado, havia poucos hinos.

Watts formulou uma tese para o hino e o canto congregacional que perdura, em algumas igrejas e denominações evangélicas, até os nossos dias.

Já em 1707, Watts opinara que os salmos não tinham sido feitos para a igreja da atualidade e não se inspiravam nos ensinos de Jesus.

Em 1719 (século 18) Watts rompeu com a tradição salmódica, por estar preocupado com a qualidade poética dos salmos cantados; eles possivelmente não refletiam as aspirações dos autores; os salmos, extraídos do Velho Testamento, deveriam ser interpretados pelo Novo Testamento, aliás, ambos em termos contemporâneos; o canto congregacional deveria incluir hinos sobre temas bíblicos, livremente compostos. No fim do século 18, o literalismo bíblico tinha sido moderado por uma espiritualidade subjetiva.

Embora Watts fosse um congregacionalista, de tendência conservadora, sua obra hinódica visava renovar a hinodia, libertando-a dos padrões salmódicos; ele foi chamado de “o liberador do hino inglês”.

A hinodia não foi reconhecida pelos estudiosos da música religiosa inglesa, nem admitida pelas catedrais da Inglaterra. Os compositores autorizados pela Igreja oficial eram William Croft (1678-1727) e Jeremiah Clarke (1673-1707). Na primeira metade do século 18 a figura predominante era, na Inglaterra, Haendel, na Alemanha, Johann Sebastian Bach, que compunham música sacra erudita.

Principalmente nas igrejas dissidentes (congregacionalistas, batistas e outros grupos evangélicos) a música executada era para acompanhar o canto dos hinos. Os de Watts rapidamente tornaram-se populares.

Antes de Watts, as congregações cantavam as estrofes e os estribilhos alternadamente, com a participação de um “song leader” (líder do canto); depois  de Watts, elas cantavam uma estrofe, seguida por  outra. Essa  prática teve implicação; passou a ser conhecida como “canto regular”, e chegou a ser uma renovação espiritual.

Ao escrever “Jesus shall reign” (Jesus reinará), o primeiro hino missionário, décadas antes do movimento expansionista das igrejas evangelizadoras, Watts revelou-se um hinógrafo à frente do seu tempo; esse hino faz parte da coletânea de 1719. Atualmente, estudiosos da hinologia inglesa consideram a letra de caráter colonialista e discriminatória.

Brasília, DF, em 15 de setembro de 2021. – RTH.

Roberto Torres Hollanda (Rolando de Nassau)

© 2021 de Roberto Torres Hollanda – Usado com permissão
Doc-HC-112

(1674-1748)

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