Autobiografia Musical – Ivan Cláudio Pereira Borges, autor de “Calmo, Sereno e Tranquilo”

Autobiografia Musical  – Ivan Cláudio Pereira Borges

Pediram-me que escrevesse uma autobiografia para explicar a ligação da criação da música Calmo, Sereno e Tranquilo, ao autor. Tentarei me deter apenas na história que explica o cântico. Não sei se sou bom nisso, escrever sobre mim mesmo, mas certas informações, com certeza, somente eu, minha família, e Deus, sabem. Quem as ler, por favor, entendam como descrição e testemunho de fé, sem a pretensão de vanglória ou de autopromoção.

Ivan Cláudio Pereira Borges

Cheguei ao mundo em oito de novembro de mil novecentos e cinquenta e seis, na cidade de São José dos Campos, interior de São Paulo, no Vale do Paraíba. Tenho orgulho de dizer que sou filho de pais cristãos, Ivan Borges e Hilda Loyde Pereira Borges.

Meu pai, quando passei a entender o mundo à volta, era funcionário do Banco do Brasil, professor, graduado em Direito e em Ciências Contábeis. Minha mãe era professora, egressa do famoso curso de Normalista. Uma das melhores alfabetizadoras que conheci.

Frequentávamos a Igreja Presbiteriana Central da próspera São José dos Campos. Como todo mundo, alcancei a adolescência com todas as forças da evolução hormonal, questionando tudo que me ensinaram e que estava posto como verdade absoluta.

A estabilidade emocional se deu aos dezessete para os dezoito anos, enquanto prestava vestibular no concorrido concurso para as universidades do Estado do Rio de Janeiro, em mil novecentos e setenta e quatro. Passei e poderia ter dado continuidade aos estudos, mas em dezembro daquele mesmo ano, sozinho em meu quarto no Colégio Batista na Tijuca converti-me a Cristo e tudo haveria de mudar.

Em uma das noites no colégio, conversei comigo mesmo, questionando minha vida, meu presente e futuro, e o sentido de viver. Naquele momento, abri a Bíblia sem qualquer indicação precisa do que gostaria de ler, e meus olhos repousaram em Romanos 10: 8-10, que assim diz: “Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para salvação.”.

Após a leitura, passei a conversar com Deus, desta maneira: “-Senhor Deus, se realmente tu existes, encha a minha alma de paz e me dê a tua salvação.”. Foi um instante inexplicável de visitação divina sobre a minha alma e espírito. Estava de joelhos e estava impressionado com o que ocorrera. Levantei-me e passei a ler a continuação do texto até dormir.

No dia seguinte, à tarde, refletindo sobre o novo dia, peguei meu violão e comecei a dedilhar o acorde em ré maior, tentando encontrar uma expressão de louvor a Deus que traduzisse a experiência espiritual. Começavam ali os primeiros acordes do Calmo, Sereno e Tranquilo, que viria a concluir no piano, após o jantar, na sala de refeições da Estância Palavra da Vida, em fevereiro de 1975.

A conversão me acendera o interesse que há tempos guardava no coração: cursar teologia. Poderia ter sido por ali mesmo, no Seminário Batista. Mas o coração me indicara o então Instituto Bíblico Palavra da Vida, em Atibaia, interior de São Paulo, ministério que tivera contato antes da ida para o Rio de Janeiro, nos acampamentos em Atibaia.

Por lá cheguei em mil novecentos e setenta e cinco e estudei por dois anos. No início daquele ano conheci o Jayrinho e o Paulo César. Cantava as músicas que ambos faziam durante o dia, admirando como aquelas melodias expressavam uma fé genuína em Cristo. Tomei coragem e apresentei o Calmo, Sereno e Tranquilo para o Jayro, com o intuito apenas de saber sua opinião. Estava eu no caminho certo? Ele ouviu, meditou, achou bonita a música e nada mais disse por um tempo. Dias depois me mostrou uma gravação que fizera em sua casa na Estância. Fiquei maravilhado e honrado por aquele cuidado dele com algo que eu criara. Me disse o Jayro que estava compondo músicas para um disco e me pediu licença para usar a composição na gravação. Concordei de imediato e esperei alguns meses até que ele finalizasse.

Era uma manhã linda, céu aberto, quase perto do meio-dia. Jayro me encontrou perto do prédio sede da Estância e pediu que entrasse no carro. Com uma fita K-7 da gravação me mostrou a gravação toda do disco, com o Calmo, Sereno e Tranquilo gravado por ele, apenas no violão (Ovation). A qualidade do som me cativou logo de cara. E o tipo de apresentação escolhido por ele, mais intimista, como um James Taylor tupiniquim, ficou ótimo. Ele se animou com meu entusiasmo e me pediu então que o ajudasse a escolher a capa do disco. Fomos ao seu escritório naquele prédio da Estância e dei minha opinião. Ele levou para um artista na editora do seu pai, o Mapa Fiscal Editora em São Paulo, e o desenho ficou bem diferente do que havia. Um pergaminho envelhecido, com uma pessoa do campo andando no meio por um caminho. O significado? O caminho que cada um de nós trilha com Deus, com sua bênção e proteção.

Dali para frente ainda convivemos mais um tempo, saindo com ele para campanhas evangelísticas em um grupo vocal com Miriam, Maria Alice, Suzana e Éber. Durou o ano de 1976. Ano seguinte fui para Brasília, onde estou até hoje, e conclui o curso teológico no seminário batista. Atuei como pastor na igreja presbiteriana até o ano de 2003. Conclui o curso de Direito em 1994 e o mestrado na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em Portugal no ano de 2006. Doutorei-me em Direito em Brasília e continuo dando aulas universitárias até hoje. Sou casado com Kathia, tenho dois filhos e uma filha, André, Raquel e Samuel. Dois netos, Pedro e Sofia. Duas noras, Camila, Renata, e um genro, Zacarias. Somos felizes e abençoados, na Graça de Deus.

Pr. Ivan Cláudio Pereira Borges

© 2022 de Ivan Cláudio Pereira Borges – Usado com permissão

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1 Resultado

  1. Marco Maurício Souza Santos e Morais de Lima disse:

    Um grande abraço ao Pastor Ivan, Katia e família querida. Desde a década de 1980 não nos vemos mas são queridos sempre. Shalom

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