A tradução de Hinos – Ideias para se fazer traduções de músicas – Joana Sutton

1. Ouvir a música tocada e cantada, para conhecê-la bem

a. por gravação
b. ao vivo
c. por meio de estudo da partitura

2. Determinar o tipo de música:
De acordo com o tipo da música, a tradução será mais aprimorada ou não, usará português clássico ou do dia a dia, etc.
Formal – estilo clássico dos grandes mestres, de qualquer período
Ex.: Messias de Handel; Cerimônia de Carols de Britten
b. Música sacra, de estilo mais livre e mais leve
Ex.: Buscai a Deus, antema de Roberts; Maior Amor, cantata de Peterson
c. Música “jovem”
Ex.: Som Maior; cânticos de Palavra da Vida, cantata Boas Novas

3. Determinar o tipo de letra:
A tradução deve seguir o mesmo estilo usado no original
Escritura – que tradução é usada?
b. Prosa
c. Poesia
livre, sem métrica
livre, com métrica
com rima e métrica

4. Determinar o estilo usado na letra
livre, falado
b. estilo recitativo
c. estrófico
d. uso de repetições
e. frases curtas usadas pela composição inteira – “frases-chave”

5. Fazer, em papel separado uma tradução livre da letra completa, procurando ser o mais literal possível. No caso de escrituras, procurar traduções diferentes mas no mesmo estilo (Ex.: Versões Almeida e Brasileira)

6. Rodear-se de dicionários do original para o português; dicionário de sinônimos; dicionário de rimas; e um excelente dicionário de português.

7. Determinar a acentuação – as sílabas fortes. Mesmo sem haver métrica, ainda haverá tempos fracos e fortes, de acordo com a música e a tradução terá as mesmas sílabas fortes do que o original.

8. Havendo rima, determinar os pontos onde ela deve cair e procurar a rima no português. Muitas vezes é mais fácil começar pela rima – achar as terminações e depois completar a tradução.

9. Quando uma frase é repetida, ou se há uma frase-chave para a composição, é bom traduzir esta frase primeiro, pois ela terminará o rumo do resto da tradução.

10. Quando já se tem um rascunho da tradução, começar a escrever a tradução na partitura; use letra leve, lápis macio (N.º 1).

11. O quanto possível, conservar os ritmos, as ligaduras originais. Evitar ao máximo o desdobramento de notas para encaixar a tradução. Observar as frases musicais do original. O quanto possível, a letra da tradução deve soar com se ela fosse a letra original que o compositor uso.

12. Cantar cada vez, especialmente em composições contrapontais onde as vozes nem sempre seguem o mesmo ritmo; verificar se a letra “canta bem” para cada voz.

13. Se possível, antes de usar a tradução, pedir a uma pessoa que entenda do assunto, que dê uma lida na tradução completa. Muitas vezes falhas, grandes ou pequenas, se corrigem nesta lida, evitando-se assim, apresentar ao público uma tradução errada (gramaticalmente, de conteúdo, ou com cacófatos, por exemplo).

14. Se a obra a ser traduzida é difícil, deixar “de molho” e voltar a ela mais tarde.

Traduzir é uma arte- exige conhecimento: de música, de língua original, da língua para a qual se traduz. Exige também, inspiração, imaginação, e trabalho – às vezes bem árduo.

Joana Sutton (In Memoriam)

“Publicado originalmente em: Louvor Perene nº 70 – Julho, Agosto e Setembro de 1977”
© 1977 de Joan Larie Sutton / © 2016 da Família Sutton (EUA) – Usado com permissão

 

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2 Resultados

  1. Jônatas Fernandes disse:

    Ótimo!!

  2. Jônatas Fernandes disse:

    Ótimo!!

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