Quero estar ao pé da cruz – História do Hino – Por: Michael Hawn – Trad. Simei Monteiro

Quero estar ao pé da cruz
Letra: Fanny Jane Crosby (1820-1915)
Música: William Howard Doane (1832-1915)
Tradução: Júlio César Ribeiro (1845-1890)

Fanny (Frances) Jane Crosby (1820-1915) foi autora de mais de 8.500 cânticos evangélicos. Embora tenha ficado cega com apenas 6 semanas de vida, Fanny Crosby começou a escrever seus textos aos 6 anos. Mais tarde ela se tornou professora na escola para cegos de Nova York, onde estudou. Amiga de vários presidentes, Crosby tornou-se uma das mais importantes defensoras da causa dos cegos, nos Estados Unidos da América.

Seus textos foram incorporados a obras de alguns dos mais proeminentes compositores evangélicos da sua época, como William Bradbury, William Doane e Ira Sankey. Fanny Crosby escreveu sob vários pseudônimos. Ela se casou com o músico cego Alexander Van Alstyne. Hinários britânicos identificam-na como Frances Van Alstyne, seu nome de casada.

Este hino apareceu, pela primeira vez, na coleção Bright Jewels (Jóias Brilhantes), em 1869, organizada por William Bradbury, William Doane, W. F. Sherwin e Chester G. Allen. Pelo menos, dois dos desses se tornaram famosos escritores de melodias evangélicas. De fato, foi William Doane quem escreveu a música e a deu para Fanny Crosby adicionar o texto — uma prática que não era incomum entre eles.

Carlton R. Young, editor do United Methodist Hymnal, observa: “É um, dos muitos textos de Fanny Crosby, que combina imagens vívidas (lembrando que ela ficou cega na infância) e poderosas metáforas bíblicas e evangélicas: a Cruz, uma fonte de cura que flui, graça gratuita, a caminhada diária de fé, o amor e a misericórdia constantes de Deus, Jesus, o Cordeiro de Deus; além do rio da morte — o céu, com suas ruas de ouro — e o descanso para as almas, depois do Arrebatamento.

A “glória da cruz”, o tema do refrão, é uma metáfora comum da era romântica da hinódia. A cruz, lugar onde a dor da terra e a alegria do céu se unem, é como um altar espiritual do qual podemos nos aproximar para refúgio e consolo. Dela flui uma “fonte preciosa” — uma imagem talvez emprestada de William Cowper, poeta do século 18 e seu hino: “There is a fountain filled with blood” (UM Hymnal, No. 622).

Apesar de ser um instrumento de punição cruel e tortura, a cruz é a fonte de um torrente de “cura” (1ª estrofe) e um lugar de onde “a brilhante estrela da manhã lança seus raios” sobre nós (2ª estrofe).

A 3ª estrofe nos convida a meditar sobre a cruz — “descrevam suas cenas para mim.” A “sombra” da Cruz se projeta em meu caminho diário. Esta imagem evoca outra poetisa da era romântica, Elizabeth C. Clephane, que, em 1872, escreveu “Sob a Cruz de Jesus” (United Methodist Hymnal, Nº 297).

Muitos escritores comentam sobre a capacidade de Fanny Crosby de empregar a técnica da hipotipose (do grego, hypotyposis) — capacidade de recriar uma cena vívida, como se fosse presente — mesmo que se saiba que ela ficou cega logo após o nascimento.

Dizem que o famoso evangelista Dwight L. Moody fez a seguinte pergunta a Fanny Crosby no final da vida dela: “Se você pudesse ter apenas um desejo realizado, qual seria?”

Moody esperava que ela pedisse para ver. Sentindo isso, ela respondeu, “Se eu pudesse ter um desejo, eu desejaria poder continuar cega o resto da minha vida.” Moody ficou surpreso e perguntou: “Como pode dizer isso?” Crosby respondeu, “porque, depois de ter sido cega durante todos estes anos, o primeiro rosto que eu quero ver agora é o rosto de Jesus.”

O tema escatológico de “Near the Cross” (“Quero estar ao pé da Cruz”) captura a esperança e a alegria do céu, tema tão característico nos hinos de Fanny Crosby: “Até quando minha alma extasiada possa encontrar descanso, além do rio.” (“Till my raptured soul shall find rest beyond the river.”)

Este hino consta no “The United Methodist Hymnal” Nº 301, no “Cantor Cristão”.

A tradução para o português foi feita por Júlio Ribeiro (Júlio César Ribeiro Vaughan), jornalista, filólogo e romancista, nasceu em Sabará, MG, em 16 de abril de 1845, e faleceu em Santos, SP, em 1º de novembro de 1890. É o patrono da cadeira n. 24 da Academia Brasileira de Letras (ABL), por escolha do fundador Garcia Redondo.[1]

Charles Michael Hawn
Tradução do texto: Simei Monteiro

Dr. Hawn é professor de Música Sacra na Perkins School of Theology (Faculdade de Teologia Perkins), da Southern Methodist University (SMU), nos EUA.

© 2018 da tradução do texto de Simei Monteiro – Usado com permissão

[1] http://www.academia.org.br/academicos/julio-ribeiro/biografia

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