Paulo Lício Rizzo

Biografia

Paulo Lício Rizzo (1922-1957)

Paulo Lício Rizzo

Nascido em Campinas, São Paulo, em 23 de Outubro de 1922, era filho do Rev. Miguel Rizzo Jr e de Maria Lício Rizzo. Foi criado participando da Igreja Presbiteriana Unida, onde seu pai foi pastor por mais de 40 anos, sendo pastor emérito de lá.

Pretendia ser engenheiro, mas aos 14 anos, após passar muito mal, descobriu-se que era portador de diabetes juvenil. Isto o fez reavaliar a sua vida e mudar os seus planos. Escolheu ser pastor, assim como seu pai, e abraçou a causa nobre de falar de Deus, levar o evangelho por onde ia, cuidar de pessoas e de almas com afinco, com amor e o desprendimento que lhe era peculiar. Dirigiu, ainda jovem, uma Escola Dominical para operários e filhos de operários, na periferia de São Paulo, vindo daí a sua paixão pelo convívio com os mais humildes.

Fez o ginásio no Instituto Mackenzie e, pelo seu excelente desempenho, foi escolhido pelos próprios colegas como orador da sua turma. Cursou a Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana do Brasil, em Campinas, onde foi um aluno exemplar, e ali desenvolveu o seu talento nato que o ajudaria em seu ministério.

Era muito batalhador e ia a todos os lugares onde o convidavam, sendo extremamente carismático e sociável. Todos se encantavam com a sua forma de falar e lidar com as pessoas, independente da sua cor, classe social, profissão. Alma simples, amava estar entre as pessoas mais humildes, dando-lhes alento, palavras de incentivo e conforto, de acordo com a necessidade do momento, sem se esquecer de levar o evangelho a todos, marca da sua vida. Sabia tanto se portar em meio aos humildes, quanto em meio aos mais abastados, e todos o amavam.

Após cursar Teologia em Campinas, foi ordenado ministro na Igreja Presbiteriana Unida e resolveu ir para o famoso Seminário Presbiteriano de Princeton, onde cursou várias especializações. Resolveu ficar por lá por alguns anos, exercendo atividades jornalísticas, magistério, sendo também pastor na Igreja Cristã Presbiteriana de New Bedford.

Regressando ao Brasil, pastoreou a Igreja Presbiteriana da Lapa, conseguindo fazer com que a igreja crescesse muito, fruto de suas muitas orações e do seu pastorado dinâmico. Depois pastoreou a Igreja de Filadélfia, em São Caetano do Sul. Ali também era amado por todos, fazendo inúmeras visitações aos enfermos e levando de carro os idosos aos seus lares, após o término do culto. Era considerado por todos não só um pastor, mas um amigo dedicado e fiel.

Casou-se com a filha do Rev. José Borges dos Santos Jr, Cecília Borges Rizzo, sua companheira e ajudadora em todos os seus projetos e nos cuidados com a sua saúde e sua família. Tiveram 3 filhos: Lília, Irene e Paulo Marcos, que à época da sua morte tinham, respectivamente, 10, 7 e 4 anos de idade.

Em paralelo ao seu pastorado desenvolvia atividades como Coordenador de Relações Industriais da Companhia Ford, escrevia colunas diárias nos jornais “O Tempo” e “Diário de São Paulo”, além de ser secretário da revista “Unitas”.

Nesta revista colocou muitos dos seus escritos, sejam sermões, artigos, crônicas ou poemas.

Participou ativamente do Acampamento Umuarama, em Campos do Jordão, onde foi presidente por anos, liderando retiros onde eram ministrados estudos da Palavra de Deus para jovens. Eram retiros muito apreciados. Apesar de ser diabético amava esportes em geral e jogava, sempre que possível, voleibol com os jovens.

Amava escrever crônicas, artigos para jornais, romances, biografias e poemas, deixando inúmeros escritos, além dos diversos livros, que receberam vários prêmios em concursos de literatura.

O seu primeiro livro, intitulado “Pedro Maneta”, foi escrito aos 20 anos, logo quando ingressou no Seminário, e recebeu o primeiro lugar no concurso literário realizado pelo Ministério do Trabalho. Este romance foi baseado em uma história real e foi escrito em apenas 10 dias, durante as férias de Julho, e concorreu com autores ilustres como Viriato Corrêa, José Lins do Rego e outros. Assim a sua carreira como escritor já foi consagrada. Escreveu um trabalho sobre a “Reestruturação do Mundo após Guerra”, premiado em um concurso internacional pela Liga das Nações. Escreveu a “Biografia de Joaquim Nabuco” para o concurso instituído por ocasião do centenário deste diplomata tão conhecido, sendo também premiado (Esta obra se encontra na Biblioteca do Congresso Americano). Sobre Joaquim Nabuco escreveu outra obra intitulada “Antes que a Noite Desça”, premiada pelo Ministério da Educação. Escreveu ainda várias obras, tais como “Duas Cruzes e um Cifrão”, “Manquejando para a Glória” (estudo da vida do poeta romântico inglês Byron), “Bebedouro dos Diabos” recebendo o Prêmio Jabuti de literatura, além de uma peça teatral “Dois de Dezembro”, comédia em 2 atos.

Era tradutor, tendo traduzido poemas do inglês, de forma a não perder a sua forma poética, além de traduzir sermões de Peter Marshall, sermões estes considerados difíceis de traduzir. Pouco tempo antes da sua morte publicou, pela Editora Melhoramentos, a tradução do livro “Ao Sul do Saara”.

Deixou ainda três romances que não foram publicados…

Escrevia também letras de hinos, sendo que uma delas, ainda não musicada, foi escrita duas semanas antes do seu falecimento, tão prematuro, aos 34 anos, parecendo ser um pressentimento da sua própria morte. Foi por mim agora encontrado na revista Unitas, após 60 anos do seu falecimento, sendo então por mim musicada, de uma forma muito natural, o que me deixou muito feliz, pois não sou música muito menos da área, mas ao ver letra tão linda, saída do profundo da sua alma, sabendo ser um hino escrito em condições tão especiais, resolvi cantarolar e a música me veio aos meus lábios, enquanto a cantarolava e me emocionava; coisas que só Deus pode explicar. Feliz pelo privilégio de Deus me ter usado, sendo eu prima dele, apesar de à época da sua morte eu ter apenas 5 anos de idade.

Não entendemos os mistérios de Deus, os Seus feitos, a Sua vontade, mas sabemos que tudo Ele faz com algum propósito, segundo a Sua boa vontade e a Sua imensa misericórdia. A Ele aprouve leva-lo, mesmo tão cedo aos nossos olhos. Mas sabemos que o seu servo viveu para a Sua Glória, para fazer tudo aquilo que Ele destinou para ele, completando assim a obra que Deus tinha nele, para ele e através dele… E quando chegarmos lá, na Sua Glória, entenderemos as Suas razões, que no momento só nos cabe aceitar.

A Deus toda a Glória, pelos séculos dos séculos! A Ele toda a nossa gratidão por conhecermos a história do seu fiel servo, que mesmo em sua breve vida, soube honrá-Lo e fazer todo o possível pelo Seu Reino.

Bem aventurados aqueles que são chamados segundo o Seu propósito, para as Suas boas obras.

“Bem aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam” (Ap 14:13)

“O Senhor o deu, o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó)

Carmen Lício

© 2016 de Carmen Lício – Usado com permissão

(1922-1957)

 

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5 Resultados

  1. JOSUÉ MIRON disse:

    Eu frequentava a Igreja Presbiteriana Filadélfia em São Caetano do Sul, onde meu pai, Izidoro Miron era Presbístero e o Rev. Paulo Licio Rizzo era o Pastor. Muito do que está relatado eu acompanhei. Parabéns pela excelente e autentico relato.

  2. Daniel Custodio da Silva disse:

    Fiquei emocionado ao ler.
    Eu tentava encontrar na internet a tradução de Guardas das Fontes. Gostaria muito de conhecer a sua tradução.
    Abraços em Cristo.

  3. Carmen Sílvia Musa Lício disse:

    Que bom saber que pessoas se inspiraram na vida e obra do Paulo Lício Rizzo. Isto me deixa muito feliz…

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