Outros Hinos da Reforma Protestante – Joaquim Júnior

OUTROS HINOS DA REFORMA PROTESTANTE

A Reforma Protestante trouxe grandes contribuições para a música sacra.

Uma das figuras centrais da Reforma, Martinho Lutero, escreveu: “excetuando a teologia, nenhuma arte poderia ser colocada no mesmo nível com a música”. Rolando de Nassau registra que “Lutero foi o grande incentivador do canto congregacional”1. John Julian ainda chama Lutero de “primeiro hinista evangélico”. E, naturalmente, quando pensamos em hino da Reforma, nos lembramos de Castelo Forte é nosso Deus (323CC e 406HCC), baseado no Salmo 46 e chamado de “Marselhesa da Reforma Protestante” por Heinrich Heine. Bach utilizou essa melodia em algumas de suas obras, como na Cantata homônima BWV 80; Mendelssohn, no último movimento da sua 5ª Sinfonia; Giacomo Meyerbeer, na ópera “Os Huguenotes”; Richard Strauss, na ópera “Friedenstag”; dentre outros.

Outras melodias da época

Os hinários batistas registram pelo menos mais 2 outras melodias da época da Reforma, mas vinculadas à linha calvinista. João Calvino também acreditava que toda a congregação deveria participar do louvor a Deus no culto, mas ele focava no canto dos salmos e era mais rígido quanto à música no culto: “Devemos tomar todo o cuidado para não fazer da música um elemento de entretenimento; ao contrário, a música é para adoração do Criador e a edificação da igreja”. João Wilson Faustini destaca que, para Calvino, o foco do canto congregacional é Deus, e não o homem: “O primeiro objetivo maior do canto congregacional não é a expressão da resposta de alguém à fé, e nem o compartilhar dos sentimentos de alguém, mas sim louvar a Deus pela sua misericórdia e graça”1.

A Deus, supremo Benfeitor / A Deus, o Pai e Benfeitor (8CC e 238HCC) é uma doxologia com a famosa melodia OLD HUNDREDTH (1551), de Louis Bourgeois. Doxologia é uma fórmula de expressão de louvor, muito comum tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Neste hino, Thomas Ken exalta toda a Trindade. Mas desejamos destacar o compositor, Bourgeois, discípulo e Kantor de João Calvino (Ministro de Música da época, dirigente do canto congregacional e regente coral). Participou da preparação e de posteriores edições do Saltério de Genebra, contribuindo com inúmeras melodias originais. Edith Mulholland destaca que “suas melodias, com o uso frequente do padrão de quatro notas em linha descendente implicam numa saída dos modos eclesiásticos para as escalas maiores e menores, mudança radical e duradoura para a salmódia e, em consequência, para a hinódia”2.

Outro hino com música de Louis Bourgeois é O Meu Clamor, ó Deus, Atende (387HCC), cuja letra é uma paráfrase do Salmo 5. Sua relevância histórica é enorme, pois foi cantado no primeiro culto evangélico em solo brasileiro, em 1557, realizado pelo Pastor Pierre Richier (que deu o nome à melodia: RICHIER), outros pastores e membros da Igreja Reformada em Genebra, enviados por João Calvino e outros líderes. Após duras perseguições do catolicismo, muitos huguenotes e calvinistas foram presos e martirizados. E. Mulholland sugere o canto deste salmo nas celebrações anuais do aniversário da data em que suas palavras foram cantadas pela primeira vez em nosso país, 10 de março3.

Os 5 Solas

Diversos outros hinos se vinculam à Reforma ao expressar as verdades dos 5 Solas, frases latinas que definem os princípios fundamentais em contraposição aos ensinamentos da Igreja Católica. Destacamos alguns:

  • Sola fide (somente a fé): Firmeza / A minha fé e o meu amor (366CC e 348HCC), Meu coração descansa em Deus (336HCC);
  • Sola scriptura (somente a Escritura): A lei do Senhor / É divina, sábia e pura (138CC e 214HCC), Livro santo (215HCC);
  • Solus Christus (somente Cristo): Só por Jesus (192CC), Salvador Bendito (368CC e 340HCC), Glória ao Redentor (188HCC), Cristo é meu Senhor (203HCC);
  • Sola gratia (somente a graça): Maravilhosa graça (193HCC), Graça de Deus, infinito amor (291HCC), Preciosa a graça de Jesus (314HCC);
  • Soli Deo gloria (glória somente a Deus): A Deus demos glória (15CC e 228HCC), Saudai o nome de Jesus (60CC e 56 e 59HCC), Tu és digno (43HCC), Como agradecer a Jesus? (422HCC).

1www.hinologia.org

2HCC – Notas históricas

Joaquim Júnior

ⓒ 2020 de Joaquim Júnior – Usado com permissão

 

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *