O Significado da Missão de Bill H. Ichter – Roberto Torres Hollanda

(Especial para “Hinologia Cristã”)

De 1882 a 1930, nos primeiros 50 anos da obra batista no Brasil, nove missionários (Ginsburg, Entzminger, Neighbour, Dunstan, Deter, Maddox, Muirhead, Cowsert e Allen) deixaram um legado hinódico valioso.

O ano de 1930 marcou o início de um vazio de 25 anos, que impediu a participação de missionários, a princípio causado pela Depressão norte-americana (1930-1933); de 1934 a 1938, entre os poucos missionários enviados pela junta de missões estrangeiras da convenção batista do Sul dos Estados Unidos da América, sediada em Richmond, Virginia, nenhum obreiro chegou ao Brasil com talento para a produção hinódica; o vazio foi agravado pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e depois continuou a ser admitido pela referida junta missionária durante quase uma década (1946-1955); à junta ainda não tinha sido pedida a nomeação de um missionário-músico.

Bill H. Ichter (1925-2019)

Em 1952, os Batistas Conservadores tomaram a iniciativa. O exemplo despertou, quatro anos mais tarde, a junta de Richmond para a necessidade de orientar a execução musical nas igrejas batistas no Brasil.

Em consequência, de 1956 a 1987, recebemos 28 missionários-músicos (Edith Brock Mulholland, William (Bill) Harold Ichter, Jerry Catron Ichter, Bennie May Oliver, Wyatt Mortimer Parker, John Boyd Sutton, Joan Larie Riffey Sutton, Joan Helen Johnson Key, James Frederick (Fred) Spann, Gene O’Neil Wilson, Joan Criswell Varner, Roger Williamson Cole, Clint Kimbrough, Carry Edward Spann, Jabus Dolph Batson, Mary Lois Summers Sanders, James Stanley Moore, William Griffin Ferguson, Betty Jane Sullivan Ferguson, Ralph Eugene Manuel, David William Hodges, Ramona Gay Miller Hodges, Ronnie Monroe Parker, Bath Colletti Parker, Charlotte Hallock Greenhaw, Janelle Ganey, Tony Gray e Kenneth James Litton).

Desejamos que o reconhecimento humano do que fizeram seja contemplado com o galardão divino!

Destacamos a atuação de William (Bill) Harold Ichter (1925-2019), falecido nos EUA em 29 de agosto.

Bill apresentou-se, em 1956, à junta de Richmond; por ela foi nomeado seu primeiro missionário-músico.

Obedecendo à vocação missionária, Bill Ichter veio para o Brasil com os objetivos de alcançar os estudantes de música, os amantes da leitura, os aficionados dos concertos corais e os apreciadores de hinos.

Ele organizou e dirigiu por quase 20 anos (1958-1977) o Departamento de Música da então Junta de Escolas Dominicais e Mocidade (depois JUERP), que publicou dezenas de obras musicais (antemas, cantatas, oratórios etc.). Foi, com certeza, a sua maior contribuição ao repertório musical das igrejas batistas e evangélicas no Brasil. Antes da década de 50, era muito escassa e pobre a literatura musical evangélica. No dizer do pastor José dos Reis Pereira, então diretor de “O Jornal Batista” o ano de 1958 marcou o início de uma época nova na história batista brasileira. Em 1980, sugerimos à Convenção Batista Brasileira a instituição, pela JUERP, do Prêmio “Bill Ichter” (ver: OJB, 31 agosto 1980, pág.2).

Na área da didática, Bill preocupou-se com a formação e o aperfeiçoamento de músicos, como professor no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil e no Instituto Batista de Educação Religiosa, no Rio de Janeiro (RJ), e nas clínicas de música realizadas em várias cidades do Brasil.

Como divulgador, durante 10 anos manteve coluna musical em “O Jornal Batista”; sua coleção de ensaios, “Se os hinos falassem” (1967-1977) e o livro “Vultos da música evangélica no Brasil” (1967) colocaram a hinologia à disposição do público evangélico, na época sedento de informações.

Como compositor, compôs a música do hino “Cristo é a única esperança” (CC-581, 1964) e harmonizou o hino “Minha Pátria para Cristo” (CC-439, 1971).

Em julho de 1960, ainda pouco conhecido, por ocasião do décimo congresso da Aliança Batista Mundial, realizado no Rio de Janeiro, modestamente Bill teve participação na preparação das execuções musicais.

Em 31 de janeiro de 1965 regeu, no estádio do Maracanã, o hino “Cristo, a única esperança”, para ser cantado por mais de 100 mil pessoas.

Com seu numeroso público, renovou a apreciação musical nas igrejas evangélicas, significando um grande avanço cultural nas membresias das denominações tradicionais no Brasil. Por isso, aqui consignamos o nosso preito a Bill Ichter.

Brasília, DF, 30 de agosto de 2019. – RTH.

Roberto Torres Holanda

© 2019 de Roberto Torres Hollanda – Usado com permissão
HC-107

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