Notas Históricas sobre o HCC – Rolando de Nassau

(Especial para “Hinologia Cristã”)

Pela abençoadora iniciativa do missionário russo-polonês Salomão Luiz Ginsburg (1867-1927), em 1891 foi lançado, particularmente, o “Cantor Cristão” (CC).

A 12ª. edição do CC, contendo 400 hinos, foi adotada oficialmente pela Convenção Batista Brasileira em sua assembleia, realizada em 1911, na Cidade de Campos dos Goytacazes (RJ).

Durante 80 anos, o “Cantor Cristão” foi o único hinário oficial das igrejas filiadas à Convenção Batista Brasileira.

A liderança musical da Denominação sentia a necessidade de mudanças em letras e músicas. As mudanças deveriam obedecer a critérios linguísticos, gramaticais, poéticos, hinológicos, teológicos e musicais.

No decorrer daqueles anos, a CBB foi propondo alterações pontuais, revisões parciais e reformas totais.

A edição de 1971 também não nos satisfazia, por isso passamos a pedir, em 12 artigos para “O Jornal Batista”, que pelo menos a CBB autorizasse a publicação de um suplemento ao CC, ou a edição de um hinário alternativo.

Em 1984 escrevemos a tese “Um hinário brasileiro”, que foi lida no Primeiro Congresso da Associação dos Músicos Batistas do Brasil, realizado em Porto Alegre (RS).

No ano seguinte, no Rio de Janeiro (RJ), o Congresso Nacional de Educação Religiosa recomendou à Convenção Batista Brasileira a produção de um novo hinário oficial, além do “Cantor Cristão”.

Em 1986 foi anunciado que a implantação da Informática na gráfica da JUERP possibilitaria a confecção do desejado novo hinário.

Coube à extraordinária capacidade de Joan Larie Sutton tomar as primeiras providências da formação de uma Comissão para a elaboração do HCC. Joana Sutton foi o elemento catalisador dos talentos musicais, nativos e alienígenas, para produzir um dos mais importantes empreendimentos na história da Convenção.

Para as subcomissões convidou Clint Kimbrough, Marcílio de Oliveira Filho, João Soares da Fonseca, Denise Cordeiro de Souza Frederico, Westh Ney Rodrigues, William Harold Ichter, Ralph Manuel e Edith Brock Mulholland.

Contribuíram, com letras e músicas: Marcílio, João, Denise, Bill e Ralph Manuel; destacaram-se Joana, como autora de 45 letras e compositora de 7 músicas; e Ralph Manuel, como compositor de 35 hinos; com atividades administrativas, Clint e Westh Ney; com atividade historiográfica, Edith, que compilou e organizou as notas históricas dos 613 hinos do HCC, que se tornou uma obra monumental.

O conteúdo propriamente hinódico do HCC (441 hinos) tem quase a mesma quantidade da 12ª. edição do CC.

A disponibilidade de informações de interesse hinológico é uma característica do HCC, que o coloca entre os melhores hinários da atualidade.

Foram escolhidas as tonalidades mais acessíveis, na busca de uma tessitura mais confortável às vozes da congregação.

Uma característica inovadora do conteúdo do HCC é a inclusão de “leituras escriturísticas”, embora os cultos das igrejas filiadas à Convenção Batista Brasileira não sejam litúrgicos.

Para auxiliar o usuário, o HCC oferece 12 índices.

Entre os compositores evangélicos latino-americanos encontramos o dominicano Rafael Grullón e o argentino Pablo Sosa.

A grande contribuição do HCC para a renovação da hinodia brasileira está na participação de novos compositores, isto é, nascidos depois de 1950; Ralph Manuel está incluído nessa cota.

Aplaudimos a inclusão, por nós sugerida, de “Negro Spirituals” no HCC.

Além de Edith Allen, foram aproveitados hinos compostos por missionários americanos que fizeram parte da Comissão do HCC: Janelle Ganey, David William Hodges (que escreveu a letra e compôs a música do hino “Venham à Mesa”, executado durante a celebração da Ceia do Senhor), Bill Ichter, Ralph Manuel e Joana Sutton.

Em suma, o HCC é um tesouro hinódico que está á disposição dos Batistas e dos Evangélicos do Brasil!

Brasília, DF, em 16 de janeiro de 2019. – Rolando de Nassau.

Doc. HC-103
© 2019 de Rolando de Nassau – Usado com permissão

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