João Dieners e o hino “A última hora” – Rute Salviano

João Dieners nasceu em 24 de setembro de 1889, próximo a Moscou na Rússia. Sua família era evangélica, de origem leta. Chegou ao Brasil em agosto de 1897, instalando-se em São Paulo, onde trabalhou como operário numa fábrica de tecelagem.

Dieners escreveu a letra original de três hinos: 259; 372 e 566 e traduziu quatro: 245; 249; 493 e 501. O mais conhecido de todos é “A última hora”, cuja letra e música foram compostas por ele. O hino é o de nº 259 do “Cantor Cristão”; e também consta do “Salmos e Hinos” (nº 284) no “Seja Louvado” (nº 160) e no “Hinário Evangélico” (nº 223). Também constou do “Aleluias”, que durante 30 anos (1931-1961) foi o hinário usado pela Igreja Metodista do Brasil.

Dieners escreveu o célebre hino “A última hora” em 1909 ou 1910, nos fundos do templo da Primeira Igreja Batista de Jundiaí, onde morava acolhido pelo missionário A. B. Deter. Na época estava trabalhando na tecelagem e pensando na mensagem proferida pelo pastor Deter no dia anterior. O missionário pregara um poderoso sermão evangelístico, lançara um comovente apelo ao auditório e várias pessoas haviam se decidido por Cristo. O fato ainda o emocionava. Seu trabalho tornou-se mecânico, enquanto aflorava em sua mente uma melodia nunca ouvida antes, mas muito clara. Repetiu a melodia várias vezes e, em sua casa, trabalhou a letra que surgira na fábrica. Ele pediu a Edith, filha de 13 anos do missionário, que lhe auxiliasse ao piano e na partitura, enquanto compunha “voz por voz” a harmonia desta linda melodia. Dieners cantou-a pela primeira vez na Igreja Batista do Alto da Serra num culto em que pregou o missionário William Buck Bagby.

(Henriqueta Rosa Fernandes Braga. O Jornal Batista, 26- 01-1963. p. 1)

Em maio de 1921 a Primeira Igreja Batista de Campinas convidou João Dieners para ser evangelista e auxiliar do Pr. William Bagby, que só podia estar presente uma vez por mês.

Sua vida a partir dessa época me é desconhecida, uma história comovente, porém é narrada por Francisco Cid, em O Jornal Batista de junho de 1990:

Várias histórias poderiam ser contadas de transformações de vidas ocorridas após ouvir o hino: “A última hora”, a história mais dramática, porém, de que se tem notícia, refere-se ao próprio escritor do hino:

“Certo domingo à tarde, vagava um homem nas ruas da cidade de São Paulo. Depois de haver bebido durante o dia, recostou-se para dormir num dos bancos da Praça Princesa Isabel, a mesma onde fica a Primeira Igreja Batista de São Paulo. Passadas algumas horas, ele despertou. Já era noite. De longe lhe vinha aos ouvidos o cântico de um hino! E era seu hino! Lá na Igreja, o pastor havia terminado a pregação e anuncio o hino final do culto. O hino era: “A última hora”. Este homem, separado da família e longe de Deus, ainda trôpego e um tanto ébrio, se levantou daquele lugar frio e de abandono e marchou em direção ao templo. Quando entrou, o Pr. Tertuliano Cerqueira se aproximava da porta e daquele homem desalinhado e com forte cheiro de bebida alcóolica que o cumprimentou e disse: “Que mensagem de Deus tem esse hino!” O pastor lhe respondeu: “Eu sei que o compositor foi alguém inspirado por Deus”. Dieners lhe disse, então: “Eu escrevi esse hino”. Em seguida, mostrou ao pastor a sua identificação. Depois, o pastor levou-o para casa, ouviu sua comovedora história e a manifestação daquele coração, que naquela noite havia se arrependido. João Dieners reconstruiu o seu lar, que estava desfeito, reconciliando-se com sua mulher. Ele voltou a cantar o seu hino, tornou outra vez regente do coro da igreja, e foi fiel ao Senhor até a sua partida, no ano de 1963.

Rute Salviano

 © 2016 de Rute Salviano Almeida – Usado com permissão

 

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2 Resultados

  1. Cleide Manoel Gossi disse:

    Este hino também consta no Hinário Presbiteriano com o n. 213. É muito lindo.

  2. Anderson disse:

    Este hino consta também no Hinário CCB com o nº 7 Granjeai, granjeai os talentos

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