João Diener

Biografia e Hinografia

João Diener (1889-1963)

Especial para “Hinologia Cristã”

Biografia

Durante muitos anos presumimos que se tratava de um compositor alemão. Em 1976 informamos aos nossos leitores em “O Jornal Batista” que João Diener era um batista brasileiro (ver: artigo no. 130, OJB, 12 dez 76).

Na década de 80, ele foi incluído entre os batistas de origem leta que escreveram hinos.

O próprio Diener, quando residia em São Paulo, escreveu, em resposta a um questionário enviado pela hinóloga Henriqueta Rosa Fernandes Braga (ver: “O Cristão”, 30 set 62), que tinha nascido aos 24 de setembro de 1889, numa localidade próxima de Moscou, na Rússia. Assim, temos um moscovita em nosso “Cantor Cristão” …

Seus pais pertenciam a uma igreja evangélica e eram originários da Letônia, que, desde 1710, era uma província russa.

Viera para o Brasil, aqui chegando a 1º. de agosto de 1897, com oito anos de idade, dirigindo-se ao estado de São Paulo, onde, em sua juventude, trabalhou como operário de uma fábrica de tecelagem.

Converteu-se, mas durante algum tempo afastou-se da igreja. Reconciliou-se com sua mulher e reconstruiu o seu lar. Tornou-se outra vez regente do coro da igreja e foi fiel até a sua morte.

Hinografia

João Diener (1889-1963) escreveu a letra original de três hinos (nos. 259, 372 e 566) e traduziu quatro hinos (nos. 245, 249, 493 e 501) do “Cantor Cristão”.

São muito apreciados os hinos “Glória a Jesus, sim, ao Filho de Deus” (no. 372) e “Saudamo-vos, Irmãos em Cristo” (no. 566). Os traduzidos “Há hoje alguém esperando para Jesus encontrar?” (no. 245) e “Querido lar, tenho eu no Céu” (no. 501) eram muito usados pelos evangelistas.

O hino de Diener mais difundido é o de no. 259, “Ao findar o labor desta vida”; figura no “Hinário para o Culto Cristão” (no. 248), no “Salmos e Hinos” (no. 284), no “Hinário Evangélico” (no.223), no “Novo Cântico” (no. 213), na “Harpa Cristã” (no. 324), no “Hinário Adventista” (no. 168) e no “Seja louvado”  (no.160); este na década de 70, quando João Wilson Faustini pastoreava a Igreja Presbiteriana Unida “São Paulo”, em Newark, New Jersey (USA).

Constou do “Aleluias!”, que durante 30 anos (1931-1961) foi o hinário usado pela Igreja Metodista do Brasil.

De acordo com as informações prestadas a Henriqueta Rosa, o hino “A última hora” foi escrito, em 1909 ou 1910, nos fundos do templo da Primeira Igreja Batista de Jundiaí, SP.

Incorporamos a este artigo o precioso relato da inolvidável hinóloga:

“No enorme salão de uma fábrica de tecelagem, para onde afluíam as peças de fazenda para serem revistadas, carimbadas e enfardadas, um jovem industriário de vinte anos lidava automaticamente com o alvo tecido. Seu pensamento, porém, estava preso a algo que se passara na véspera, na pequena igreja batista local. O pastor, Arthur Beriah Deter (1868-1945), após haver pregado um poderoso sermão evangelístico, lançara um comovente apelo ao auditório e numerosas pessoas haviam se decidido por Cristo. O fato ainda o emocionava … As recordações sucediam-se e o artesão nem se dava conta do ambiente sufocante, do tempo que corria e do tecido que automaticamente passava por suas mãos. Repentinamente, como que por encanto, cessou a evocação e uma doce calma tomou-o por inteiro. A seguir, em audição mental, ouviu u’a música para ele desconhecida, mas que se desenhava clara e nítida, solene e lenta, gravando-se-lhe indelevelmente na memória. A melodia foi repetida inúmeras vezes. Trauteou-a o dia inteiro, procurando dar-lhe um texto. À noite, regressou ao quarto em que morava, nos fundos do templo. Sentou-se à mesa e lançou no papel os versos que lhe haviam aflorado à mente na fábrica, para acompanhar a melodia”.

João Diener cantou-o em público, pela primeira vez, na Igreja Batista do Alto da Serra, em São Paulo, num culto em que pregou o missionário pioneiro William Buck Bagby (1855-1939).

Conta Henriqueta Rosa que “um militar graduado, no Rio, converteu-se pouco antes de morrer, tendo sido encontrada em seu bolso, quando faleceu, uma cópia do estribilho desse hino”.

Ainda Henriqueta Rosa: “Certo domingo, em São Paulo, determinada sociedade recreativa promoveu um convescote para os seus associados. Um dos participantes, habitualmente o mais folgazão, sentiu-se deprimido e triste, a ponto de retirar-se da festa antes do anoitecer, tomando um bonde para retornar à casa. Ao chegar a uma praça, viu um grupo de pessoas que cantava: “Tu procuras a paz neste mundo, em prazeres que passam em vão, mas na última hora da vida, eles não te satisfarão”. Esta mensagem atingiu-o em cheio. Desceu do bonde, acercou-se do grupo, assistiu ao final do culto e, aceitando o convite ali formulado, foi à noite ao templo evangélico; gostou.

Continuou frequentando os cultos e veio a converterse”.

É bastante provável que muitas outras pessoas tenham sido influenciadas pela letra de Diener, que põe o pecador diante da escolha: “Vida ou morte, qual vais aceitar?”.

Nos bons tempos da Igreja Memorial Batista, observamos que, após os veementes apelos evangelísticos feitos pelo pastor Éber Vasconcelos, o hino “A última hora” era o mais frequentemente cantado pela congregação.

Agora, podemos afirmar que, além de aproveitar a contribuição de hinógrafos ingleses, alemães e americanos ao canto congregacional, os Batistas no Brasil também cantam hinos de um russo moscovita …

Referências Bibliográficas:

BRAGA, Henriqueta, “O Cristão”, 30 set 1962.
NASSAU, Rolando de. “O Jornal Batista”, 12 dez 1976.
NASSAU, Rolando de. “O Jornal Batista”, 24 mar 1985.
CID, Francisco. “O Jornal Batista”, junho de 1990.
MULHOLLAND, Edith Brock, Notas históricas do HCC. Rio de Janeiro. JUERP, 2001. p.203;

Alguns sites na internet reproduzem os comentários dessa hinóloga sem citar esta fonte, o que viola a Lei dos Direitos Autorais.

Rolando de Nassau

Brasília, DF, em 14 de fevereiro de 2016.

© 2016 de Rolando de Nassau – Usado com permissão

 (1889-1963)

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2 Resultados

  1. DIOGO MARINHO DA SILVA disse:

    E no hinário da ccb é : ” Hino 7 – Granjeai os talentos ( Hinário 5 ) “

  2. DIOGO MARINHO DA SILVA disse:

    E no hinário da ccb é : ” Hino 7 – Granjeai os talentos ( Hinário 5 ) “

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