Joan Sutton

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Joan Larie Sutton (1930-2016)

A hinista e mestra de todos nós músicos brasileiros!

“O Cântico reflete a fé, as tradições, os valores, as preferências, as doutrinas, os rumos e a espiritualidade de cada um de nós. Nosso cântico reflete quem somos e onde estamos, na peregrinação cristã.” (Joan Sutton, 1991)

Joan Sutton

Em 1935 veio para o Brasil (com 5 anos) acompanhando seus pais que estavam sendo designados como missionários da Junta de Richmond –  John e Esther Rifley -, e que serviram em oito estados do Brasil. Seu pai foi diretor do Curso por Extensão do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, de 1938 a 1954. Sua mãe, D. Esther além do trabalho na Igreja local no Rio foi também autora e compositora para crianças trabalhando no Curso de Obreiras (mais tarde IBER, hoje CIEM). Estudou nos Colégios Batistas de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro até o 2º grau, voltando para os EUA para estudar Licenciatura (Pedagogia) em Violino, Mestrado em Música Sacra e Bacharel em Letras e Literatura inglesa e francesa.

Viúva, bem jovem, conheceu no curso de mestrado em Música Sacra e casou com o doce e amado prof. Boyd Sutton (já nos braços do Pai) e volta para nosso país em 1959 como missionária, após três anos de trabalho com seu esposo na Carolina do Norte. Filha de missionários, criada nas cercanias do STBSB, volta, em 1961 leciona música no STBSB e em 1963, junto com seu esposo iniciam o Curso de Música Sacra do Seminário do Sul. John Edwin (1954), Laura (1957) e Cecília (1960, nascida no Brasil), são os três filhos amados deste casal de /músicos/professores/missionários.

Edith Mulholland, no livro Notas Históricas do HCC (pág. 36) escreve: “Bem cedo revelou o seu talento musical. Desde os seis anos estudou piano, adicionando, depois, o violino. Em seu sermão oficial no VI Congresso Nacional da Associação dos Músicos Batistas do Brasil, realizado em Fortaleza, CE, D. Joana recordou a sua formação espiritual e musical. Realçou as suas experiências nos corais da sua igreja e escola, as capelas, os cultos, os orfeões. Sobretudo ela se lembrou dos hinos, que ajudaram a formar esta líder que mais tarde teria forte influência na música sacra brasileira”.

Após 20 anos abençoados no STBSB, em 1983, seguiu para outro campo missionário no Sul do Brasil, onde prof. Boyd dirigiu o Departamento de música da Convenção Batista do Rio Grande do Sul. Lá, profª Joana continuou sua produção musical como tradutora e assessora de Música da JUERP.

Muito cooperou com a AMBB – Associação de Músicos Batistas do Brasil e em 1987 foi designada pela CBB como a coordenadora do Projeto HCC – que não era só mais um hinário, mas um projeto com cinco volumes para o auxílio às Igrejas Batistas brasileiras para apoio e uso no Culto Cristão: Um Hinário com harmonização em vozes SCTB; um com Cifras para violão; um sem música e só com letra grandes; um facilitado com 80 hinos do HCC e com Notas Históricas sobre todos os hinos do HCC (autores, compositores, tradutores e arranjadores). Conviver com ela nas mesas lotadas de Hinários de diversos países e denominações, manuscritos, rascunhos, com sua disciplina, fé, perseverança e metodologia de trabalho foi uma pós-graduação para todos da Comissão do Projeto HCC.  Nós, seus alunos (ex), sentíamos grande orgulho de sentar com a mestra em volta da mesa de trabalho. Como todos aprendemos! Em Janeiro de 1991, entregou à denominação batista brasileira (CBB) o Hinário para o Culto Cristão, sendo oradora oficial nesta mesma Assembleia (72º) sobre “Adoração, Oração e Ação”.

Em outubro de 1992, o amado casal missionário, nossos professores da década de 70 (para quem estudou no STBSB), após trabalhar, servindo durante 33 anos no Brasil, voltou à sua terra natal, onde em 1993, o Prof. Boyd assumiu o Ministério de música da Igreja Batista de Shaw Creek. Lá em Hendersonville, Carolina do Norte, EUA continuaram a exercer com dignidade o que sempre fizeram neste nosso país – Servir. Após grande enfermidade, o Senhor Deus chamou para si, para seus braços nosso amado professor Boyd.

Joan Sutton – compositora/autora – e tradutora (músicas para coros e para o ensino de Canto) tem sido considerada por muitos estudiosos como dona de um patrimônio musical sacro no Brasil (e isto é comprovado no material que doou para a mesma Universidade que estudou, a Baylor University). Com todo seu material – manuscritos pessoais, partituras, papéis, materiais de ensino e outros itens por ela doado, foi criado na Biblioteca da Universidade a Coleção de Música Sacra Brasileira. Esta homenagem que a Baylor University fez, nos EUA, foi no dia 28 de outubro de 2010, e na ocasião do jantar solene, o ex-missionário e pioneiro na Música Sacra no Brasil, – Bill Icther – fez um discurso em homenagem à D. Joana, falando do Brasil. Perguntou Bill para D. Joana quanto tempo poderia dispor para falar e ela respondeu: “No máximo 5 minutos”. Impossível isto, mas esta é a Profª Joan – simples, humilde, direta e clara.

Joana, como nós brasileiros a chamavam, era perfeita como tradutora – seu excelente dom -, e de uma simplicidade na escrita impressionante, além do seu conhecimento, bem, acho que por isto mesmo era assim. O interessante na vida da professora é que não guardava para si o que sabia, mas prodigamente repartia. Ela traduziu grandes obras como O Messias, de Handel; Elias e Cristus, de Mendelssohn; Réquiem, de Brahms, As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz, de Dubois, Glória, de Poulenc e Oratório de Natal de Bach (1º cantata). Sua obra hinológica é vasta e está registrada em alguns hinários e também de forma avulsa. No HCC temos 52 contribuições entre poesias, metrificação, músicas e traduções (33). “E Habitou entre nós” (SCTB) e “Presente de Natal” (infantil) são duas cantatas publicadas pela JUERP. A “Trilogia da Vida”, dedicada ao Coro Jovem de Itacuruçá (Igreja batista no Rio) não foi publicada e entreguei os manuscritos que tinha em meus arquivos quando da homenagem em Baylor. Além da música vocal (coro, solo) ela escreveu para violino e piano. Aliás, lá na Coleção de Música Sacra Brasileira, em Baylor University, inaugurado por ela, estão todas as suas obras que valem uma busca minuciosa para registrarmos aqui no Brasil para conhecimento dos alunos de hinologia.

No Curso de Música do Seminário do Sul, ela foi a nossa querida professora de coros graduados, hinologia, contraponto, harmonia, composição, forma e análise, violino, órgão e foi também uma conselheira, uma mentora de quase todos que estão espalhados por este país na Educação e no Ministério de música. Muito está nos nossos corações, marcas em cada um que teve o privilégio de estudar com ela. Sempre muito exigente, mas também muito competente. Os que não estudaram com ela, receberam dos que tiveram este privilégio, o jeito firme de encarar a obra de Deus, o desejo de fazer um trabalho, bem feito e correto, a amabilidade, o sorriso suave, o esmero em procurar a excelência em tudo.  Uma americana de alma brasileira.

Gostaria de lembrar um hino (480 HCC) de protesto que fez em 1965 – Seguir a Cristo não é sacrifício – no primeiro período de férias nos EUA.  Presente em grande assembléia ficava triste quando alguém ao abraçá-la dizia do sacrifício que sua família estava fazendo no campo missionário e em resposta, então ela compôs este hino em inglês e que foi traduzido em 1966. Foi o seu primeiro hino a ser publicado, entrando na Coletânea Vinde, Cantai (1980). Foi também o hino oficial da União Feminina Batista do Brasil em 1985. Diz ela: ”este hino expressa bem como sinto a chamada e a bênção suprema de obedecer a Deus. Gosto muito do estribilho.” 

Não nos promete honras nem riquezas,
mas ele diz: Convosco eu estarei.
Seguir a Cristo não é sacrifício,
é triunfar com Deus, é ser feliz. (estribilho do hino 480)

Joan Sutton deixa entre nós a sua linda prole, sua especial família: Três filhos – John Edwin, Laura e Cecília. Cinco (5) netos, filhos do John Edwin: Leslie Sutton Lewis, Lora Lynn Sutton, John Ryan Sutton, Matthew William Sutton; e Samantha LeeAnne Floyd, filha da Laura. Deixa também dez (10) bisnetos:  Alexis e Marcus Allison, Shelby, Peyton, e Annalynn Lewis, Madison, James, e William McSwain, e Ava e Grabriella Sutton.

Em julho de 2013, aos 82 anos, casou com Reagan (Rick) Houston, e com este vieram também:  uma filha Lynn Houston Baskett, duas netas: Heather e Holly Baskett; e um bisneto: Jameson Baskett. 

Gostaria que as gerações de hoje ou vindouras a tivessem conhecido, e por isso não quero perder a oportunidade de escrever e deixar registrada a minha gratidão e de tantos irmãos que conviveram com ela e que ainda hoje cantam seus hinos ou arranjos

Ao Senhor seja a Glória e a honra por sua vida preciosa!

…………

Westh Ney Rodrigues Luz, profª da FABAT/ STBSB – Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, assessora da comissão executiva da AMBB, relatora da comissão de Assuntos, Base Bíblica e Organização do HCC e  membro da Igreja Batista Itacuruçá, Rio.

………….

Referências:

MULHOLLAND, Edith Brock. Notas históricas do Hinário para o Culto Cristão (HCC): Rio de Janeiro: JUERP, 2001

Hinário para o Culto Cristão. Rio de Janeiro: JUERP, 1991 p.vii (apresentação)

© 2016 de Westh Ney Rodrigues Luz – Usado com permissão

 

Fotografia enviada pela Colaboradora Westh Ney Luz

 

Alguns  depoimentos de amigos e ex-alunos de Joana Sutton coletados por Westh Ney Luz:

 

  1. “Gostaria de destacar lembranças das aulas de Harmonia e Contraponto, ou as aulas de Hinologia ou principalmente, a orientação que ela nos dava em sua casa, quando levava os alunos do último ano para fazer traduções de músicas para uso de nossos coros e congregações. Falar de D. Joana, é lembrar de sua garra e determinação em relação a qualidade e excelência que devemos ter no trabalho em nossas igrejas. É também falar na postura e elegância de uma grande mulher. Ela é um exemplo.”
    (Marilene Coelho, ex-aluna do STBSB e regente do Coro Novo Canto, Igreja Batista Itacuruçá).
  1. “Fiquei muito feliz com essa homenagem, pois a Profa. Joana é mais do que merecedora desse reconhecimento pelo que ela tem feito, começando no Brasil e, pelo que percebo, continua fazendo nos Estados Unidos. Espero que essa homenagem não seja somente por causa das doações que ela está fazendo, mas pela sua capacidade, criatividade. (…) Lembro que cheguei no Seminário com o objetivo de desenvolver a técnica de composição, na verdade, o objetivo era aprender a compor. Só que meu conhecimento da Teoria Musical era bastante limitado, e precisei fazer essa disciplina no 1o. ano. Essa deficiência, automaticamente me teria tirado do programa do curso, isto é, terminar o Curso de Bacharel em Música Sacra, com um Recital de Composição; pois deveria iniciar o curso fazendo a disciplina de Harmonia. Com isso no 3o. ano, quando deveria ingressar na disciplina de Composição I, estava ainda fazendo Harmonia II.

    Aí é que entra a capacidade e o conhecimento de descobrir os talentos nos alunos (…) E aí volto a pensar no meu desenvolvimento e aprendizado que recebi da D. Joana, pois ela acreditou que poderia juntar os dois períodos de composição I e II em um ano, e concluir o Curso com a apresentação do Recital em Composição  com o Coro da 1a. Igreja Batista de Mesquita- RJ, cantando a  “A Criação” ( minha primeira cantata),  além de outras que tinha composto.

    Joana Sutton (1930-2016)

    Diversas vezes parei pra pensar e analisar, como foi que a Profa. Joana conseguiu me preparar, e preparar um repertório para um Recital de uma hora?  Essa visão e capacidade de ensino da D. Joana, influenciou a minha visão na área de educação até hoje, porque isso provou que, não existe aluno ruim, se por trás desse aluno estiver um professor ótimo. Eu creio que é exatamente isto que aconteceu comigo. Tive a alegria e o privilégio de ter uma ótima professora (…)o estilo contemporâneo da Profa. Joana ficou bem explícito na minha primeira cantata.A segurança dela nas correções e no ensino continuaram me influenciando ainda depois da formatura. Lembro que, vários anos depois de formado, já trabalhando na 1a. Igreja Batista de Ijui- RS, cada composição que fazia, eu levava à D. Joana para fazer as correções. Até que um dia ela me disse com toda firmeza: “Verner, você não precisa mais me trazer as composições pra eu corrigir, você já está formado e já sabe o que quer fazer nas composições”. Na hora me senti até um pouco triste, e quase que desamparado, porque sabia que dali para a frente eu deveria aprender a “voar sozinho”. Isso aconteceu quando o casal já estava morando em Porto Alegre.”
    (MM Verner Geier, compositor com hinos no HCC e servindo na Igreja Presbiteriana de Brasília)

  1. “ Os Batistas brasileiros muito devem a esta musicista norte-americana que, depois de mais de 30 anos de fecundo trabalho no Brasil. Foi o elemento catalisador de talentos musicais nativos e alienígenas na elaboração do “Hinário para o Culto Cristão”, para o qual contribuiu com traduções, que revelaram hinos de autores contemporâneos – Carmichael, LeFevre, Terrell, Grecn, McClardPeterson, Reynolds, Skillings, Wolfe, Ward, Tomes”.
    (Roberto Torres Holanda, ver: ” Nassáu”, p.l66)
  1. “ Grandes, preciosas e edificantes recordações. Dona Joana é exemplo de fé, dedicação e amor. Mestra, educadora, professora, amiga, amorosa, conselheira, escritora, compositora, evangelista e além de tudo isso e muito mais, serva do Senhor comprometida com o Reino de Deus. Seja arranjando, cantando, compondo , contraponteando,  melodiando, fraseando, “accelerando”, “ritardando”, “a tempo” ou mesmo “prestíssimo” sempre soube em “harmonia”, “reger” família e profissão e cumprindo com eficiência tão sublime ministério – o da Música Sacra. Sua sempre aluna,
    (Rosaléi Curty, MM da Igreja Batista Vale da Esperança, no Rio)
  1. “ Eu era regente do Coro Feminino da Igreja Batista de Acari e este cantava meus arranjos.Ousei mostrar um tal arranjo para Da. Joana. Ela quis saber se eu tinha mais. Disse que sim, mas queria que ela revisasse. Ela pediu que os levasse à sua casa e me convidou para almoçar com eles. Olhava cuidadosamente cada arranjo e me surpreendia seus comentários, pois ela era um ícone para mim, jovem musicista, ainda inexperiente. Suas palavras foram tudo de bom para minha vida ministerial, impulsionand-me a  produzir mais e com confiança em mim mesma. Ela procurou o editor da Revista Louvor daquela ocasião e recomendou meu trabalho. Alguns foram publicados. Por seu incentivo e orientação, comecei a fazer também arranjos para as vozes masculinas porque ela dizia serem escassas as publicações para este grupo também. Com os estreitamento de nossa amizade pude recebê-la em minha casa e também para falar na Igreja de Acari e tocar violino (seu instrumento), num dos encontros sobre musicalização infantil. Também recebi de suas mãos traduções de obras inéditas em português para Coro Feminino, que tive a alegria de apresentar.Lembro-me com saudade de minha querida professora! Bom seria se viesse ao Brasil mais uma vez!
    (Neaci Pinheiro,  profª de música no Rio de Janeiro)
  2. Joan Sutton foi uma grande encorajadora do meu Ministério na Musica. Com Boyd, seu marido, cooperou em nossos Seminários de Musica do José Manuel da Conceição, em Jandira, SP. Quando começou a se dedicar à tradução de hinos, convidou-me para ir à sua casa no Rio de Janeiro, para que eu compartilhasse com ela as minhas experiências nesse assunto.  Quando a comissão do “Hinário para o Culto Cristão” se reuniu no Rio de Janeiro, por insistência dela, fui convidado a participar de uma reunião para, junto com a comissão, verificar algumas pequenas alterações no texto que poderiam melhorá-lo.  Nada foi feito sem meu conhecimento e autorização – uma atitude pouco comum em outras comissões de hinários do Brasil.  Quando o Hinário para o Culto Cristão foi publicado, ela mesma me dedicou um volume com a sua dedicatória, conforme foto anexa. Somos gratos a Deus por sua vida!
    (Rev. João Wilson Faustini, Pastor e Compositor Presbiteriano Independente)

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 Referências:

MULHOLLAND, Edith Brock. Notas históricas do Hinário para o Culto Cristão (HCC): Rio de Janeiro: JUERP, 2001

Hinário para o Culto Cristão. Rio de Janeiro: JUERP, 1991 p.vii (apresentação)

Publicado na Revista Louvor (ano 34, nº 126 – 1T11), por Westh Ney Rodrigues Luz

© 2016 de Westh Ney Luz – Usado com permissão

 

Joana Sutton: “Uma vida dedicada à música de Igreja”

(Dedicado ao leitor Bill Ichter, de Louisiana, EUA)

Conheci Joan Larie em 1941, no Rio de Janeiro; eu, era presidente; ela, diretora de música da União Intermediária da Igreja Batista “Itacuruçá”, na Tijuca.

Menina, Joana acompanhava ao violino o canto dos adolescentes, sempre tendo o cuidado de instruir-lhes quanto à origem e significado dos hinos, matéria em que, 20 anos mais tarde, seria mestra.

Nascida em 26 de julho de 1930, em Louisville, Kentucky (EUA), veio ao Brasil em 1935 com seus pais, John Leslie e Prudence Esther Riffey, enviados pela junta missionária batista de Richmond, Virginia (EUA).

Depois de estudar no Colégio Batista de Belo Horizonte, foi transferida para o do Rio de Janeiro, onde iniciou-se no violino. Bacharelou-se em Letras e Música na universidade “Baylor” (Waco, Texas, EUA), entre 1947 e 1951. De 1952 a 1956, cursou o mestrado em música-de-igreja no seminário teológico batista de Louisville, Kentucky. Na época, queria ser missionária. Casou-se, em segundas núpcias, com John Boyd William Sutton; dessa união nasceram nos EUA John Edwin (1954) e Laura (1957), e no Brasil, Cecília (1960). Entre 1956 e 1959, o casal Sutton trabalhou na PIB de Hendersonville, North Carolina, no ministério musical.

Nomeados como missionários-músicos pela junta de Richmond (ver: OJB, 01 mar 09), chegaram ao Brasil em agosto de 1959 para lecionar no STBSB; eram dois os alunos … Precedidos pelo STBNB, iniciaram em 1963 o curso de música, sendo John Boyd o diretor; Joana lecionou composição, contraponto, órgão, violino e hinologia, tendo a ajuda de Anna Campello Egger, Hora Diniz Lopes e João Wilson Faustini.

Tradutora (conhecia literatura inglesa e francesa), Joana fundou em 1977 o Centro de Traduções do STBSB, que recebeu apoio interdenominacional por ocasião do Primeiro Encontro de Professores de Música, promovido em Recife (PE) pela Associação de Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE). O Centro tinha a incumbência de fazer, receber, revisar, corrigir e arquivar traduções de letras de hinos.

Joana contribuiu assim para a renovação da hinodia evangélica usada no Brasil. Capacitada e experiente, ela traduziu 39 letras de hinos, tendo-se dedicado a esse mister desde 1959 (enquanto aperfeiçoava-se na língua portuguesa, em Campinas, SP) até 1990 (quando finalizava a elaboração do Hinário para o Culto Cristão).

Na década 1980 / 1989, com a existência do Centro de Traduções, cresceu sua faina: realizou 18 letras, quase a metade de suas traduções. Sua preferência dirigiu-se a hinos de Chisholm (nos. 25 e 372), de Peterson (nos. 185 e 312), e de hinógrafos da “New Generation” (OJB, 15 out 78 e 17 dez 78): Mc Clard (no. 203), Wolfe (no. 236), Green (no. 247), Le Fevre (no. 254), Carmichael (no. 256), Reynolds (no. 262), Terrell (no. 546) e Skillings (no. 572). No final da década de 80, elaborou a versão inglesa do hino “O que fez por mim”, de Jilton Moraes (HCC-443).

Joana, cultuante exemplar, escreveu a letra de oito hinos, tendo, nos hinos nos. 270, 367, 396 e 480, como interesse principal, o ambiente do culto. A fé, o serviço e a gratidão ela expressou nos hinos nos. 500, 506 e 613. Seu espírito missionário ela confessou em 1985, em “Eu aceito o desafio” (no. 543), mas cremos que esse hino desde 1959 estava no recôndito de seu coração, intimamente dizendo: “Se algum dia pra os campos distantes o meu Salvador me convocar, eu responderei confiante: ‘Eis-me aqui, para trabalhar”.

Além de traduzir hinos para a congregação, Joana verteu para uso coral obras da música religiosa erudita: os oratórios “Messias” (Haendel – 1977), “As sete últimas palavras de Cristo” (Dubois – 1981), e “Elias” (Mendelssohn – 1986); o “Requiem” (Brahms), o “Gloria” (Poulenc) e o “Oratório de Natal”, primeira parte, (Bach), inéditos.

Traduziu também oito cantatas: “Eis! A estrela” (Graham – 1968), “Maior amor” (Peterson – 1970), “Eu vos envio” (Peterson – 1972), “Um menino nos nasceu” (Williams – 1974), “Testemunho” (Reynolds – 1975), “Escuta outra vez” (Burroughs – 1977); ficaram inéditas, “Cristo vive, aleluia” e “Razão de ser”.

Para montagem de espetáculos musicados, traduziu: “Boas novas” (Oldenburg – 1971), “Celebração” (Red – 1975) e “Pela manhã vem a alegria” (Danner –1985).

Joana escreveu duas cantatas originais: “… e habitou entre nós” (1971) e “O presente de Natal” (1979), e editou a coletânea “Vozes angelicais”.

O casal Sutton realizou clínicas de música em várias regiões do Brasil.

Joana e John Boyd lecionaram no STBSB de 1961 a 1983; em março desse ano foram transferidos para Porto Alegre (RS); John Boyd, para dirigir o Departamento de Música da Convenção Batista do Rio Grande do Sul, mas Joana continuou seu trabalho como assessora musical da JUERP/CBB, tendo elaborado o livreto “Filosofia da Música Sacra”; a consequência natural foi ser convidada para assumir a coordenação geral da elaboração do “Hinário do Culto Cristão” (1987/1990).

Em outubro de 1992, o casal voltou para os EUA, cooperando com a igreja batista em Hendersonville, North Carolina; John Boyd faleceu em 2006.

Em 28 de outubro de 2010, Joana foi homenageada pelas bibliotecas e pelo centro de estudos musicais cristãos da universidade “Baylor”, em Waco, Texas (EUA), por sua contribuição para a música-de-igreja no Brasil. Num jantar, foi cantada música por ela composta, arranjada, traduzida ou colecionada. Missionários-músicos que serviram no Brasil talvez tenham comparecido ao ato.

Joana doou seu arquivo pessoal para “Baylor”, que iniciará uma coleção de música usada nos campos missionários. A obra lítero-musical de Joana ficou exposta na referida universidade, sob a coordenação de Kathy Hillman, que manifestou o desejo de que o evento inspirasse outros missionários a doar seus arquivos musicais, salientando que o de Joana refletia o ideal de sua vida.

Baylor está ligada à obra batista americana desde 1880, quando os missionários William Buck e Anne Luther Bagby foram enviados ao Brasil. Estes foram seguidos pouco depois por Zachary Clay Taylor, também aluno daquela universidade.

Joana Sutton teve como exemplo a esposa deste missionário, Kate Stevens Crawford Taylor (1862-1894).

O evento em Baylor marcou a influência dos missionários sobre o trabalho batista no Brasil – por meio da música dos Suttons.

É chegado o tempo de os Batistas no Brasil celebrarem a vida desse casal, uma vida dedicada à música-de-igreja!

Rolando de Nassau

(Publicado em “O Jornal Batista”, 02 jan 2011, p. 14). Doc. JB-754
© 2011 de Rolando de Nassau – Usado com permissão

 

(1930-2016)

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