Jaci Maraschin

Biografia

Jaci Correia Maraschin(1929–2009)

Jaci Maraschin

Por onde começar? Pode parecer uma pergunta sem sentido. Sempre se começa do começo! Mas a pergunta tem o seu lugar quando se trata de redigir a história de uma pessoa multitalentosa, criativa, cativante, produtiva e que viveu muitos e muitos anos com sua família e seus amigos e amigas antes de encerrar sua carreira.

Jaci Correia Maraschin nasceu em 12/12/1929 na Cidade de Bagé/RS.

Jaci Maraschin foi uma destas raras personalidades impactantes por tudo o que fez e pelas amizades que construiu, a quem raramente se esquece. Em sua atuação como sacerdote e pastor da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, ele foi simultaneamente educador, teólogo, escritor, poeta, músico e compositor. Tendo em vista que esta rápida biografia está sendo escrita para uma página sobre hinologia é natural que, sem esquecer suas contribuições nos demais campos de sua atuação, este texto se centre sobre os espaços afins a esta dimensão de seu desempenho ministerial. Sim, porque praticamente tudo aquilo que ele produziu girava ao redor de seu compromisso com a fé que em última análise professava, ainda que o fizesse de forma desafiadora frente a qualquer um que a compreendesse em termos conservadores e estreitos. Casado com Ana Dulce, eles tiveram duas filhas, Ana Isabela e Rosa Maria.

Jaci – como toda a gente o chamava, esquecendo sua posição de clérigo e sua formação como doutor em Ciência da Religião conquistada em Estrasburgo, França – começou sua educação musical muito cedo com professores particulares de piano e teoria. Logo foi para a capital do Estado onde se matriculou no Instituto Musical de Porto Alegre recebendo ali o seu diploma. Esta formação se tornou mais aperfeiçoada quando ele estudou canto gregoriano com o Prof. Ray Brown, no Seminário Teológico Geral da Igreja Episcopal em Nova York, por dois anos.

Antes de ir para o exterior, após um período em que foi líder jovem em sua igreja de origem, no ano de 1951 ele ingressou no Seminário Teológico da Igreja Episcopal do Brasil e se formou bacharel em teologia em 1953. Neste mesmo ano e em Porto Alegre ele recebeu, a ordenação como diácono. Foi então que Jaci, após sua ordenação como presbítero no ano seguinte, foi para o Seminário Teológico Geral nos Estados Unidos da América para estudos de pós-graduação e se graduou como mestre em teologia, no ano de 1956.

Três anos depois de seu retorno ao Brasil ele passou a lecionar no Seminário Teológico em Porto Alegre e logo se graduou em filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1963. No ano seguinte, 1964, ele foi para Estrasburgo, França, onde defendeu seu doutorado em ciências da religião. Marco importante em sua história é o fato de que ele foi um dos fundadores da ASTE, a Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, da qual veio a ser posteriormente seu Secretário Executivo por muitos anos. Naquele mesmo ano de sua volta Maraschin foi designado pela Igreja Episcopal para coordenar as atividades vinculadas à educação cristã.

Aquele Jaci musicista que havia enveredado por este campo desde os tempos da juventude foi amadurecendo ao longo da vida com a produção de melodias e letras que o tornaram um nome famoso no mundo do cristianismo no Brasil e no Exterior. No início dos 60, quando tinha por volta de 40 anos de idade, ele veio a compor a comissão que organizou o hinário oficial de sua Igreja.

Em 1987, ao editar uma coletânea de 200 cantos litúrgicos publicados sob o título O Novo Canto da Terra, Jaci escreveu: “Entregamos este livro aos que se interessam pela renovação do canto litúrgico e que trabalham pela criação de liturgias brasileiras. ” E acrescentou: “O título do livro, O Novo Canto da Terra, retirado de uma canção de Simei Monteiro, quer indica o tipo de preocupação presente nos autores das letras e das músicas. Em lugar das antigas ênfases na vida depois da morte nas visões das glórias celestiais, esforçamo-nos por cantar o nosso compromisso com a terra, cantando a partir dela, sabendo que se trata da mesma terra criada por Deus e escolhida por ele para a encarnação de seu Filho.”  Este cancioneiro inclui 71 composições musicais e 57 poesias da autoria do próprio Jaci. Ao lado das tradicionais virtudes cristãs – a humildade, a esperança, a bondade, a inocência – as canções selecionadas alinham o protesto contra a injustiça social, a afirmação da liberdade, o combate à opressão e a convocação aos cristãos e cristãs a que se unam nome do evangelho em uma expressão de fé comprometida com o amor ao próximo e ao bem.

Um exemplo:

Mil vozes eu quisera ter

Mil vozes eu quisera ter pra proclamar o teu amor,
e celebrar com gratidão o teu louvor.
Mil vozes eu quisera ter pra denunciar a escravidão,
as injustiças sociais, e protestar.

(…)

Ouvidos mil quisera ter pra ouvir contrito a tua voz,
e no silêncio da manhã ficar feliz.
Ouvidos mil quisera ter pra ouvir também o teu clamor
no grito amargo da opressão, e protestar.

Jaci Maraschin faleceu em 29 de junho de 2009.

Jaci Correia Maraschin! Um monumento!

Sérgio Marcus Pinto Lopes

© 2019 de Sérgio Marcus Pinto Lopes – Usado com permissão

(1929-2009)

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