A importância da preservação dos hinos – Rolando de Nassau

(Especial para “Hinologia Cristã”)

O conteúdo do hinário reflete as práticas e estilos do canto congregacional, e ajuda a formular a expressão, por meio da música, das crenças básicas da congregação.

Nos séculos passados, os hinários e os hinos eram tolerados, até certo ponto, pelos homens ímpios. Mas no século XX foram alvos de zombaria, protesto ou mistificação.

Há pouco tempo, numa reunião realizada no prédio onde resido, um vizinho ateu ameaçou abrir um tiroteio, porque detestava ouvir hinos evangélicos. As pessoas civilizadas admitiriam palestras culturais em voz baixa. Se fossem cantados e tocados números de “gospel rock”, essa mistificação seria bem aceita. Algumas pessoas zombariam dos termos usados pelos conferencistas e cantores. Por isso, é necessário que o canto de hinos seja compreensível numa cultura contemporânea e localizada. Concordamos que é uma tarefa difícil.

Pesquisadores concluíram que, nas igrejas atuais, observa-se o pluralismo e o relativismo; prevalecem no relacionamento interpessoal da sociedade contemporânea.

Pode acontecer que as igrejas se considerem uma instituição isolada numa cultura sem valores éticos e morais.

Essa cultura desfibrada se manifesta na intimidade das famílias, nas expansões dos lugares de comércio, nas dependências dos tribunais e nas salas de aula, onde penetram as drogas, o aborto, o homossexualismo e a pornografia.

A consequência desses fatores negativos é o distanciamento, observado pelas igrejas, entre a igreja cristã e a sociedade contemporânea.

Uma sociedade sem religião é inimiga do Evangelho, e perigosamente traiçoeira para os seguidores da religião, porque seus preceitos são incompreensíveis.

A linguagem de um hino é um problema de comunicação para um incrédulo, mas também para um crente. Por exemplo, a linguagem que define a Deidade.

Algumas denominações evangélicas discutem a questão do gênero da Deidade em seus hinários ou em suas coleções de cânticos contemporâneos; outras, não discutem, mas cantam sem refletir sobre a questão. Por isso, substituem as referências masculinas nos hinos tradicionais (Senhor, Mestre, Rei, Pai) por palavras não-genéricas nos cânticos tradicionais (vento, impulso, rocha).

Uma das maiores preocupações dos hinógrafos é que o hino seja didático. Para tanto, o texto do hino deve “iluminar” as verdades bíblicas, podendo ser enriquecido por palavras extraídas de estórias, parábolas e metáforas (ver: Forbis, Wesley L., Currents and Cross-Currents Impacting Hymnal Formation, in Handbook to The Baptist Hymnal. Nashville, Tennessee: 1992).

Muitos outros aspectos da hinodia devem ser estudados pelas pessoas interessadas no canto congregacional.

A preservação da hinodia é importante porque o canto congregacional reflete as tradições (passado), as preferências (presente) e os rumos (futuro) de uma congregação, marcando sua identidade no meio da sociedade, mesmo que não estejam registrados num hinário.

A preservação da hinodia garante a preservação da identidade de uma congregação.

As coletâneas de hinos são repositórios de expressões de pensamentos e emoções que se tornam mensagens.

O Salmista dizia: “Nós, Teu povo e ovelhas de Teu pasto, Te louvaremos eternamente; de geração em geração publicaremos os Teus louvores” (Salmo 79: 13).

Brasília, DF, em 23 de fevereiro de 2016.

Rolando de Nassau.

© 2016 de Rolando de Nassau –  Usado com permissão

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