Guilherme Kerr Neto: Cantador e Contador de Histórias e Estórias – Clauber Ramos


Era início da década de 90, eu jovem nos seus 20 e poucos anos, resolvi entrevistar para um pequeno jornal, minha grande referência na música: Guilherme Kerr Neto, Cantor e compositor que participou de obras primas como “Vento em Popa”, “Tanto Amor”, “Vento Livre”, “ Eram 12”, “Missões & Adoração” e tantas outras que marcaram a música cristã brasileira. A entrevista, apesar do tempo passado continua relevante, vale a pena conferir:

 

Clauber Ramos

Campinas, 26 de novembro de 1991.

Prezado Clauber,

Paz! dAquele que nos ama e a Si mesmo se entregou por nós.

Recebi sua carta onde você especifica o lançamento de um jornal voltado para a juventude batista de sua região. Fico feliz com o empreendimento e, apesar do pouco tempo, vou tentar responder a algumas de suas perguntas.

Clauber Ramos – Quem é Guilherme Kerr?

Guilherme Kerr – Guilherme Kerr Neto, é produtor de arte, poeta, escritor e pastor. Trabalha e reside em Campinas, SP.

Clauber Ramos – Como foi sua infância?

Guilherme Kerr – Minha infância foi bem normal, como de muitas crianças de uma cidade típica de interior de São Paulo. As atividades se desenvolviam em torno de um eixo tríplice: família com os encontros de férias com os primos, com o Natal na casa das duas avós super esperados e ansiados; escola com a rotina de estudo, lição de casa, dificuldade com um ou outro professor (a) – a bem da verdade, nunca fui um aluno excelente; e igreja pois nasci em berço evangélico.

Clauber Ramos – Como foi sua conversão?

Guilherme Kerr – Minha conversão foi aos 18 anos pois durante os anos de adolescência me afastei bastante do Senhor e de sua Igreja.

Clauber Ramos – Sobre o ministério de música.

Guilherme Kerr – Na realidade não exerço o ministério da música e sim do ensino, através, principalmente, da música. Isso se deu no contexto de trabalho com os Vencedores por Cristo, quando viajamos por dois anos quase consecutivos e eu percebi a necessidade e a imensa abertura que as pessoas em geral, os jovens em particular, tinham para com a música, como veículo de comunicação da poderosa mensagem do evangelho.

Clauber Ramos – Sobre sua trajetória.

Guilherme Kerr – Trajetória:

  • 7 anos em Vencedores por Cristo
  • 5 anos na Igreja Batista do Morumbi
  • ½ ano na VINDE e, mais recentemente,
  • 4 anos incompletos na GKerr Produções e Luz para o Caminho.

Clauber Ramos – Como você considera a popularidade de Vencedores por Cristo?

Guilherme Kerr – A popularidade de Vencedores é proporcional ao seu volume de trabalho, que, por diversas razões pode ser mais intenso nas décadas de 60 e 70. Mas a pergunta cabe melhor a eles mesmos.

Clauber Ramos – Fale sobre o Sérgio Pimenta e seus outros parceiros:

Guilherme Kerr – Sérgio Pimenta foi uma destas figuras singulares, amigo leal, pessoa corretíssima, caxias (às vezes, até demais). Eu o conheci aí no Rio, em sua igreja e logo nos tornamos amigos e parceiros de canções, o que muito me enriqueceu. Também vejo assim o contato com Jorge Camargo, Jorge Rheder, Nelson Bomilcar e João Alexandre. Cada um deles é uma pessoa diferente, com suas virtudes e defeitos, como eu também. No correr da vida temos aprendido, às vezes a duras penas, a nos respeitar, nos perdoar e nos incentivar mutuamente.

Clauber Ramos – E o Guilherme Kerr? Letrista, cantor ou instrumentista?

Guilherme Kerr – A opção pelo Guilherme letrista é uma opção de dom e não de escolha pessoal. Não sou um grande cantor nem instrumentista competente. Tenho planos de me esforçar um pouco mais nestas áreas.

Clauber Ramos – Como você se autodescreveria?

Guilherme Kerr – Eu me considero um cantador de histórias e de estórias também. Não é uma maneira eficiente e agradável de ensinar?

Clauber Ramos – E o estilo brasileiro de compor?

Guilherme Kerr – Minha música é voltada para as raízes brasileiras por culpa. E que durante muitos anos (talvez os melhores anos de minha adolescência e início de juventude eu fui um burguês branco, metido a rico, que achava que o melhor sonho de todos era o sonho americano e que não conseguia ver as belezas naturais, humanas e nem culturais de seu próprio país…até que um dia acordei…ou melhor, Jesus me acordou. Agora eu tento me redimir.

Clauber Ramos – Qual o futuro da música cristã brasileira?

Guilherme Kerr – Muitos pontos ainda estão por ser explorados pela música cristã brasileira: ritmos, melodias, regionalismos que ainda falta resgatar para o Senhor da Vida.

Clauber Ramos – Você teve duas composições suas incluídas no Hinário para o Culto Cristão da igreja Batista, o que achou?

Guilherme Kerr

Guilherme Kerr

Guilherme Kerr – O Hinário para o Culto Cristão foi e é um trabalho que contou com o esforço e sacrifício de muita gente. É um trabalho louvável e, com certeza, logo será imitado por outras denominações.

Clauber Ramos – Alguma novidade?

Guilherme Kerr – O disco novo acabou se chamando “Canções Comunitárias” para não envelhecer precocemente o outro. Tudo é novidade: ouça e você mesmo verá!

Clauber Ramos – Como você considera a música evangélica brasileira hoje?

Guilherme Kerr – A atual música evangélica brasileira caminha entre a contemplação mística de Deus em Cristo e o rock urbano de crítica social pouco aprofundada. Creio que ainda é uma música voltada para si mesma, linguagem do “ghetto” evangélico… isso inclui a minha música também.

Clauber Ramos – “O cântico novo”.

Guilherme Kerr – O cântico novo pode incluir modismos temporários. Permanente é o Senhor e o Seu reino que não tem fim!

Clauber Ramos – Família.

Guilherme Kerr – Minha família é muito linda: minha esposa Sandra é uma pessoa muito especial (pra me aguentar, tinha que ser!), carinhosa, zelosa e opinada. Tenho quatro filhos: Guilherme, 14 que gosta de rock e de Michael Jackson, joga tênis e vôlei, e na maior parte das vezes é respeitoso e amigo do pai; Shaila, 13, é nossa talentosa artista, gosta de teatro e música, canta no coral da cidade de Campinas, tem um dom inato de forte liderança; Raquel, 12, também é muito talentosa, canta, toca flauta doce e já estuda a transversal e, a Cris, 10, caçula, protegidinha, dengosinha, manhosinha e todos os “inha” que os caçulas acabam sendo, toca violino.

Clauber Ramos – O que você gosta de fazer no tempo livre?

Guilherme Kerr – Gosto de ler, escrever, estudar, preparar e comer churrasco à moda gaúcha, praia e pescaria. É mole, ou quer mais?

Clauber Ramos – Planos para o futuro?

Guilherme Kerr: Futuro: escrever mais, estudar contrabaixo.

Clauber Ramos – Uma mensagem final.

Guilherme Kerr – Nossa mensagem é nossa vida. Obrigado pelo espaço e oportunidade.

 

Clauber Ramos / Guilherme Kerr Neto

 

© 1991 de Clauber Ramos / Guilherme Kerr –  Usado com permissão

 

 

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