Entrevista com o compositor Josué Teodoro – Hinologia Cristã

Josué Teodoro

Dono de uma bela voz, e um sucesso na poesia musical. De composição ele entende muito bem, afinal, já se foram mais de três mil músicas compostas. Esse sucesso tem nome: Josué Teodoro.

Hinologia Cristã – Quem é Josué Teodoro? Conte-nos um pouco sobre sua história

Josué Teodoro – Eu nasci em 12 de julho de 1970, no Rio de Janeiro. Fui criado na Igreja Assembleia de Deus. Cresci vendo a minha mãe compondo músicas para crianças, jovens e eventos da igreja. Logo surgiu meu interesse pela música e composição.

HC – Como surgem suas composições? E o que é mais importante, a letra ou a melodia?

JT – Compor para mim é como um ‘ritual’. Dobro os joelhos, falo com Deus e daí surge assuntos na minha conversa com Ele. Às vezes eu nem sabia que iria compor sobre o que orei, mas acabava acontecendo assim. É um processo natural. Agora, quanto à técnica usada para compor as músicas, geralmente vem primeiro o refrão, depois as estrofes. É como se o refrão fosse um ‘impulso’, e as estrofes as explicações do impulso. Agora, quanto à importância da letra e da melodia numa composição, acho que as duas se completam. Sempre observo se a música não tem ‘cacofonia’, ‘prosódia’. E erro de ‘métrica’. Eu não faria uma composição onde o artigo tenha mais força sonora que o sujeito. Ex: Jesus é o (O) Sol da minha vida’. E sim: “Jesus é o sol (sól) da minha vida”. Um grande problema das rádios é a ‘massificação de músicas erradas’. A boa música é durável, independente da época, não se perde.

HC – Até hoje quantas canções você já compôs? E qual delas mais te marcou e trouxe impacto para a sua vida?

JT – Eu parei de contar quando cheguei em aproximadamente 3 mil canções. Sobre a que mais me marcou é difícil dizer, mas eu diria que “Ao amigo distante” foi a canção que mais me trouxe testemunhos significativos por ter sido gravada em inglês e ter alcançado soldados no meio da guerra. Tem também “Jerusalém e eu”, que sensibilizou quase todos no Brasil e sempre que canto lembro que ela me foi revelada. E foi uma das poucas canções que compus sem interferência didática, eu a considero totalmente espiritual. Poderia ficar algum tempo falando sobre várias outras, mas penso que essas duas nos diz bastante sobre a importância de cada uma particularmente.

HC – Como foram os processos de composição da músicas ‘Vencedor’, gravado pelo ‘Grupo Altos Louvores’ e de ‘A Mão do Mestre’, que ficaram famosas no meio evangélico?

JT – Sobre a música ‘Vencedor’, a intenção era dar uma palavra de consolo, um direcionamento para as pessoas que estavam com o coração muito abatido. Ela não foi feita especialmente para o ‘Grupo Altos Louvores’, mas quando eles me pediram uma música para gravar, eu a enviei. Isso ocorreu no ano de 1996, lançamento do CD do grupo. Já ‘A Mão do Mestre’ foi composta em 1991, pensando na voz da cantora Cristiane Carvalho. Ela era a soprano que eu mais admirava, então, o meu foco foi compor para ela.”

HC – Composição é um dom divino?

JT – Com certeza é um dom que vem de Deus porque está ligado a sabedoria e a ciência. E tudo isso também vem do Senhor. Não tem como separar essas coisas. Posso usar para fins cruéis se meu coração for cruel, assim como a Palavra de Deus é usada muitas vezes para fins cruéis.

HC – Mas afinal, o que mais te dá satisfação, compor ou cantar? Por que?

JT – Vai parecer que estou fugindo da resposta, mas acho que não conseguiria responder diferente. Eu sinto que uma habilidade completa a outra. Penso que ficaria um pouco frustrado se não tivesse as duas. Compor é saber exatamente onde a curva melódica fica mais interessante em conjunto com a letra. E cantar é saber ajustar tudo isso de forma a convencer quem ouve que a mensagem que está sendo dita tem a relevância adequada. No fim, o que mais dá satisfação é sentir que o conjunto todo tem um resultado de pessoas se quebrantando diante do Deus.

HC – Qual conselho daria para quem está iniciando na composição musical?

JT – “Ler, ler, ler. Isso implica em conhecer as palavras, Leiam bons poetas e bons compositores. É difícil discutir com alguns arranjadores brasileiros, explicar que naquela melodia é importante que seja feito daquele jeito, pois eles querem fazer ‘acordes valiosos’ e acabam modificando a melodia. E isso acaba entristecendo a gente. A composição é como um ‘filho’ do compositor. Não cabe a mim chegar para o filho de alguém e querer cortar o cabelo, trocar a roupa, etc. Cada um tem sua forma de compor. É preciso respeitar isso!

HC – A música cristã hoje ganhou um rumo bem diferente do que se fazia antes. Como você analisa essa mudança de rumo?

JT – Eu analiso como sendo uma coisa boa, pois não devemos impedir que as coisas evoluam. É de se esperar que alguns venham perder o compromisso real, mas no fim, Deus jamais perde suas batalhas. Esse é o meu pensamento. Deus sempre dá um jeito e sempre vai usar seja como for. Tudo está debaixo de Seu poder e eu O adoro por isso. Não tenho medo de toda essa modernidade porque a individualidade é exaltada por Deus no seu evangelho, e se você consegue ser fiel no seu coração, então é tudo o que importa. Tudo está bem.

HC – Qual o futuro da música na igreja?

JT – Eu acho que no futuro estaremos procurando cantar canções antigas. Penso que chega uma hora que a gente bate no teto, daí a gente começa a recordar as velhas canções que acalentavam a nossa alma. Nos anos 70 eram usados como instrumentos nos cultos somente o violão e a guitarra. Depois a bateria foi introduzida. Aí foram alguns instrumentos de percussão como pandeiros e surdos, e quando demos conta, a bateria estava lá com a banda completa. E depois vieram os play-backs e agora voltamos para as bandas novamente. Sim, tem hora que batemos no teto e damos um passinho atrás.

HC – Qual a receita para uma composição virar sucesso?

JT – Essa receita está realmente com Deus. Tudo bem que existem algumas regras para uma canção fluir bem e que conversa bem com a plateia. Isso é tudo que queremos. Porém, o resultado final é decidido por Deus. Minhas canções sempre foram desacreditadas, mas todas elas foram feitas sob o jugo suave das minhas orações. Poderia dizer que nenhum cantor nunca chegou pra dizer que acreditava nelas. Tudo que aconteceu foi por conta de Deus. Glória a Ele por cada canção de sucesso. E que sejam abençoados todos os que se curvaram diante da Sua vontade. Fazer a vontade de Deus é importante. Às vezes temos que lembrar isso em voz alta.

HC – Até quando pretende continuar lutando pela música evangélica, compondo e divulgando suas canções?

JT – Confesso que já tentei parar várias vezes, mas dói muito mais lutar contra a vontade de Deus do que as pessoas pensam. Não me sinto obrigado a compor e cantar, mas a falta que isso me faz é terrível. Eu sempre vou cantar enquanto houver fôlego em mim. E sempre vou compor enquanto Deus me inspirar. Isso é Deus quem vai decidir.

Hinologia Cristã / Revisão e adaptação: Priscilla Cerqueira

© 2019 de Hinologia Cristã – Usado com permissão

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