Emílio Conde (1901-1971)

Biografia

Emílio Conde (1901-1971)

O Acendedor de Lampiões

Emílio Conde

O epitáfio, “o acendedor de lampiões” foi dado pelo vice-governador do Rio de Janeiro, Erasmo Martins Pedro no funeral de Emílio Conde: “Conde fazia o trabalho do acendedor de lampiões: entrava numa rua escura e ia deixando luz atrás de si”.

Nasceu em 08 de Outubro de 1901 em São Paulo. Seus pais João Batista Conde e Maria Rosa Conde, eram de origem italiana.*

Escritor, compositor, tradutor de hinos e evangelista pentecostal, Emílio Conde começou a se destacar quando frequentou a Assembleia de Deus de São Cristóvão, que se localizava à Rua Figueira de Melo, 232, em São Cristóvão pastoreada pelo missionário Samuel Nyström.

Seu primeiro contato com o evangelho se deu na Congregação Cristã do Brasil em São Paulo, igreja fundada por Louis Francesconi. A propósito o fundador da Congregação Cristã do Brasil e os missionários Gunnar Vingren e Daniel Berg foram enviados para as missões com imposição de mãos de William Durham, de Chicago.

Nota: Veja o primeiro hino que Daniel Berg e Gunnar Vingren cantaram no Brasil em 1910:

Conde teria conhecido Gunnar Vingren em 1923 quando este pregou na Congregação Cristã, o que atesta que por aquele tempo os missionários Vingren e Francesconi se relacionavam.

Ali, Conde, o futuro escritor evangélico creu em Jesus Cristo e se tornou membro da igreja no dia 21 de abril de 1919, sendo em seguida batizado com o Espírito Santo. Logo se transferiu para o Rio de Janeiro. Existem relatos de que trabalhava como intérprete num restaurante quando o missionário Nils Kastberg o encontrou em 1937 e o convidou para ser o redator-chefe do emergente Mensageiro da Paz.

Por escolha pessoal, Emilio Conde se manteve celibatário por toda a vida e nunca aceitou títulos e nomeações ministeriais, coisas tão cobiçadas hoje. Trabalhando na Casa Publicadora tornou-se uma espécie de apóstolo da imprensa evangélica pentecostal.

Oficialmente foi admitido como funcionário da CPAD em 15 de março de 1940. Por mais de trinta anos, Emílio Conde se dedicaria à missão de escrever e compor cânticos que estão inseridos no hinário oficial das Assembleias de Deus.

Deus chama pessoas certas para ministérios certos e Conde se encaixou perfeitamente na CPAD com a missão que Deus lhe outorgara numa época carente de bons escritores. De sua pena habilidosa surgiram artigos para o jornal Mensageiro da Paz e para os demais periódicos deixando um legado de muitos livros e hinos, entre os quais, “O Testemunho dos Séculos” e “História das Assembleias de Deus no Brasil”, que posteriormente foi ampliado pela Editora.

Emílio Conde preferiu viver na simplicidade de sua vocação sem nunca ostentar seu conhecimento. Conde era discreto em seu viver, no entanto representava as Assembleias de Deus nas conferências mundiais pentecostais em Estocolmo, Londres e Toronto. Apesar de sempre rejeitar consagração ao ministério participou de convenções nacionais em 1932 e 1933. Somente em 1968 por motivos de doença deixou a direção de O Mensageiro da Paz.

Publicou muitos livros destacando-se Igrejas Sem Brilho e Tesouros de Conhecimentos Bíblicos. Oito hinos da Harpa Cristã são de sua autoria e outros 14 foram por ele traduzidos e inseridos no hinário. Alguns em parceria com Nils Kastberg. Humilde, cantava no coral da Assembleia de Deus de São Cristóvão, e era também organista e acordeonista.

Acometido de uma enfermidade dormiu no Senhor no dia 5 de janeiro de 1971.

Sua morte foi noticiada pelos principais meios de comunicação do Rio de Janeiro. Em seu funeral, representantes de algumas denominações afirmaram que Emílio Conde não pertencia apenas às Assembleias de Deus, e, sim, aos evangélicos de todo o Brasil.

Seus hinos permanecem no hinário Harpa Cristã, sendo oito de sua autoria, entre eles os hinos 453, 451 e 395 e tantos outros feitos em parceria com Nils Kastberg.

Pr. João Antônio de Souza Filho

© 2022 de João Antônio de Souza Filho – Usado com permissão

*dado extraído do, Dicionário do Movimento Pentecostal – Isael de Araújo – Editora Cpad, 2016, página 196. 

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