Egydio Gióia

Biografia

 

Egydio Gióia (1896-1980)

Deus quis que ele fosse pregador

Egydio Gioia

Rrrrrrressurgiu – Rrrrrrressurgiu! Aleluia! Rrrrrrresrgiu! O forte “r” faria jus ao mais bairrista dos paulistas. O homem de 60 anos estufava o peito e guturalizava os “rr”, de um modo que fazia todos pensarem num daqueles antigos cantores italianos de ópera.

Quem pensava assim, não errava totalmente, pois o homem era italiano mesmo, e só não era cantor de ópera por que lhe faltou a oportunidade de estudar na ocasião própria, e, depois, Deus o chamou para o Santo Ministério.

O homem era Egydio Gióia; o local, a Escola de Línguas, em Campinas; a ocasião, um culto celebrando a páscoa de 1957. Eu estava terminando o meu ano de estudo da “Língua de Camões” (um ano de estudo que era suficiente para mostrar o que havia aprendido). Pos bem, Egydio Gióia fazia parte do Corpo Docente daquela escola.

Não posso me esquecer da cena. Gostei de ouvir um pastor cantando solo. E como cantava bem!

O nosso Brasil Batista foi muito abençoado por ter em seu meio muitos pastores que não somente gostavam de música, mas que foram também dotados de certo talento musical. Este é um fato que garantiu o desenvolvimento da música sacra entre os batistas.

Egydio Gióia foi um desses pastores.

Foram muitos os que, um dia, ouvindo o nome do Pastor Egydio Gióia, não pensaram somente naquele mui querido pastor da 1ª Igreja Batista de Campinas (Estado de São Paulo), mas associaram imediatamente o seu nome ao Coral da Ordem dos Pastores Batistas do Estado de São Paulo, que sempre cantava nos famosos retiros dessa Ordem. Sob a sua firme e entusiástica regência, aquele coral ganhou grande fama.

Outros, ouvindo o seu nome, pensam no hino 331 do Cantor Cristão, que ele gostava muito de cantar. E como interpretava bem esse hino!

Mas, antes de continuar essa história sobre as inúmeras atividades desse homem, cujo nome está intimamente ligado ao trabalho batista em São Paulo e associado à música Sacra no Brasil, vamos fazer um ligeiro retrospecto, para saber quem é e de onde veio.

No dia 30 de outubro de 1896, na pequena cidade de Casteluccio, Itália, no lar de Egydio e Margarida Gióia, nasceu o menino Egydio. O pai era comerciante e agente da Cia. de Navegação Itália.

Desde cedo na vida, o menino Egydio se impressionava com a natureza, os campos, as flores, a música e o canto. Gostava imensamente de teatro lírico e de romances históricos.

Fez o curso primário na Itália, mas – como muitos meninos europeus naqueles dias de tormenta e instabilidade política – sonhava poder um dia sair e conhecer um mundo diferente. Ouviu falar da América (Brasil) e desejou conhecê-la. Sonhou conseguir um dia um bom emprego num outro país, e assim poder ajudar financeiramente os seus pais.

Em 1912, sua mãe consentiu em que ele, ainda adolescente, viesse ao Brasil com um de seus tios. Muitos anos depois, suas irmãs – Rosima, Angiolima e Nicolima – também residiram no Brasil.

O jovem Egydio continuava a querer cantar. No Rio de Janeiro, durante dois anos, estudou com uma professora formada na Itália.

Fez o curso de bacharel em ciências e letras no Colégio Batista, mas Deus não quis que o jovem italiano fosse cantor, e sim um pregador do evangelho.

No decorrer do seu ministério, serviu a quatro igrejas, em três estados da Federação. Trabalhou como pastor, professor e missionário.

Quando viveu no Rio de Janeiro (1922-1927), Egydio Gióia era regente do coro da 1ª Igreja Batista. Em 1954, foi ele que dirigiu o grande coral de 500 vozes no Pacaembu.

Em 1935 fundou a Primeira Igreja Batista em Florianópolis/SC.

Foi pastor da 1ª Igreja Batista de Campinas a partir de 1952, e professor do Instituto Batista de Bauru (SP). Preparou para a Casa Publicadora uma obra intitulada “Notas e Comentários à Harmonia dos Evangelhos”. Foi casado com d. Alice Miranda Pinto, irmã do Pastor José de Miranda Pinto.

No “Córos Sacros” talvez estejam as principais contribuições de Egydio Gióia à música sacra. Entre os números mais cantados dessa coleção, aparecem quatro em que figura o seu nome. “Espera em Deus”, “Deus”, “Os céus declaram a Glória de Deus”, são adaptações das Escrituras Sagradas feitas por ele para que pudessem ser cantadas por coros. A letra do hino “Anseio da Alma” (121 do “Córos Sacros”) é de sua autoria, e a segunda estrofe expressa bem o anseio do Pastor Egydio Gióia: “Minha alma anseia cantar teu louvor, seja na vida, na paz ou na dor. Sempre contente e feliz quero estar, até que eu chegue no teu santo lar”. Egydio compôs também: “Bendita é sempre a hora da prece”, “Ó Santo de Israel”, e tradutor de “Salvador, nós te adoramos”.

Em janeiro de 1966, durante uma das sessões da Convenção Batista Brasileira, o Pastor Egydio Gióia, com os seus quase 70 anos, mostrava-se ainda em boa forma. O seu solo, cantado com bastante expressão, chegou a comover. Os cabelos mais brancos, o corpo sentindo o duro trabalho ao qual tem sido obrigado durante os anos – mas a voz, clara, tinha o mesmo vigor de sempre…E o forte e gutural “r” perdurou.

Egydio Gióia faleceu em 1980.

Bill H. Ichter

“Publicado originalmente em: “O Jornal Batista”, Ed. 17 , Abril de 1966, pág. 5 – “Coluna Canto Musical”

© 1966 de Bill H. Ichter / Atualização do Texto (2015): Robson Junior e Rolando de Nassau – Usado com permissão

Fotografia extraída de: “O Jornal Batista” (http://www.batistas.com/o-jornal-batista)

 (1896-1980)

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