Da linda pátria estou mui longe – Rolando de Nassau

(Especial para Hinologia Cristã)

Stephen Collins Foster (1826-1864) é considerado “o pai da música americana”. Ele foi o primeiro compositor profissional a trabalhar com música de salão (“parlor”) e música de menestréis (“minstrel”).

Compôs e escreveu letras para mais de 200 peças musicais, muitas das quais tinham conteúdo biográfico e destinavam-se às crianças.

Stephen não teve instrução formal de composição musical, mas era ajudado por Henry Kleber (1816-1897).

Entre suas composições de sucesso, “Oh! Susanna” tornou-se hino oficial na Califórnia, na época da corrida do ouro (1848-1849). “Old Folks at Home” é a canção oficial da Flórida, modificada por causa de referências de tendência racista.

Embora vivesse no Norte dos EUA, a família de Foster não concordou, em 1861, com a abolição da escravatura.

Parece que Foster não compartilhou da opinião familiar (ver: Hodges Jr., Fletcher. Stephen Foster: America’s Troubadour. New York: Crowell, 1934).

Uma lei federal americana designou o dia 13 de janeiro como “Dia em memória de Stephen Foster”, para comemorar a data do seu falecimento.

 “Old Folks at Home” (também conhecida como “Swanee River”) é uma canção de salão escrita por Foster em 1851.

O texto da canção mistura o dialeto dos escravos africanos e o inglês falado nos EUA.

Parece que Foster nunca viu o rio Swanee, nem visitou a Flórida. Alguns biógrafos concluíram que não há base histórica para afirmar que “Old Folks at Home” foi escrita depois de Foster ter visto o rio Swanee e que muitas ideias musicais surgiram ao ouvir o canto dos escravos ou assistir cultos em igrejas de negros.

As letras e melodias das canções de Foster frequentemente eram alteradas pelos editores e intérpretes.

Em 1891 Justus Henry Nelson (1851-1937) escreveu uma letra religiosa para a música profana de Foster, que estava gozando um surto de popularidade.

A letra foi aproveitada nas edições de SH (no. 592) e do CC (no. 484) impressas no final do século 19. Posteriormente, no HE (no. 453) e no CTP (no. 159).

T.C.Bagby (missionário no Brasil, de 1918 a 1955), numa carta de 12 de agosto de 1908, comunicou que “Da linda pátria estou mui longe” tinha sido cantado no seminário batista em Louisville, Kentucky (EUA) (ver: OJB, 14 jan 1909).

Foster foi autor de alguns hinos, mas a inclusão deles nos hinários americanos cessou em 1910.

No estribilho da canção, Foster confessou: “All de world am sad and dreary, everywhere I roam. Oh, darkeys, how my heart grows weary, far from de old folks at home!”

É muito antiga nossa opinião contrária à inclusão da canção de Foster no “Cantor Cristão”; em 1967, no artigo “Músicas inconvenientes”, escrevemos: “consideramos inconveniente a execução dos hinos nos. 429 e 484, e de todos os outros que tenham origem na música profana, seja operística, folclórica ou popularesca” (ver: OJB, 12 mar 1967).

Em 1975, reiteramos nossa posição, quando descobrimos que oito peças profanas eram executadas em nossas igrejas: duas canções (Arcadelt e Grieg), uma ária lírica (Haendel), um trecho coral de sinfonia (Beethoven), uma abertura sinfônica de peça teatral (Mendelssohn), dois trechos corais de óperas (Wagner e Offenbach) e um poema sinfônico (Sibelius).

Tudo profano, nada sacro! (ver: OJB, 21 dez 1975).

Brasília, DF, em 28 de junho de 2016.

Rolando de Nassau.

© 2016 de Rolando de Nassau – Usado com permissão

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2 Resultados

  1. Genesio do parto costa disse:

    Amo receber hinos bem antigosimples da harpa
    crista

  2. Genesio do parto costa disse:

    Amo receber hinos bem antigos da harpa
    crista , com linda pátria , Jeruzalem e outros

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