Cleide Van Dorth

Biografia

Cleide Van Dorth

É com muito prazer que publicamos neste site, um trabalho escrito pelo irmão Jaubas de Freitas Alencar em 1974. Jaubas foi aluno do Curso de Música Sacra do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (STBNB) e fez parte da Classe de Hinologia da Prof.ª Elenaide Martins e dele foi requerido um trabalho escrito sobre um compositor batista. Na mesma semana deste trabalho, o Conjunto Coral do Seminário de Educadoras Cristãs (SEC) apresentou sua audição anual, sob a regência da professora Cleide Dorta Benjamin, cantando músicas quase que exclusivamente escritas por ela. Jaubas não somente resolveu, então, escrever sobre a Prof.ª Cleide como teve, também a gentileza de nos enviar uma cópia do seu trabalho. Damos parabéns ao irmão Jaubas e temos o maior prazer em divulgar os dados sobre a Professora Cleide Dorta Benjamin. B.H.I.

“Meu ideal era ser pianista…”

Mas Deus tinha outro plano para aquela menina que passava horas ao piano, preparando-se para ser uma virtuose.
E Ele foi lentamente, como Perfeito Artífice que é, executando Seu plano na vida daquela que hoje é uma importante compositora sacra do Brasil.

Cleide Dorta Benjamin nasceu em 11/02/1936 na cidade de Recife/PE.

Cleide começou a estudar música aos 11 anos, impulsionada por um grande amor à arte. Após a iniciação estudou com D. Cármen Câmara Jansen (também pertencente a uma grande família de músicos, da qual fez parte Stela Câmara Dubois). D. Cármen a encaminhou ao Maestro Manoel Augusto dos Santos, com quem estudou no Conservatório Pernambucano de Música. Durante esta época começou a dar recitais no Teatro Santa Isabel, a principal casa de espetáculos do Nordeste.

Com o casamento, que ocorreu em 1955, tornou-se difícil para ela continuar a dedicar-se aos estudos como fazia anteriormente. Nem mesmo de um mínimo de tempo dispunha para os estudos por causa dos cuidados que devia dispensar aos filhos. Viu-se mergulhada, então, num terrível impasse: estava feliz com o casamento, mas ao mesmo tempo via claramente sua carreira destroçada. Sem saber o que fazer quanto á sua carreira entregou-se totalmente nas mãos de Deus a fim de que Ele lhe indicasse o caminho a seguir, disposta a fazer a Sua vontade.

Recebeu, então, um convite do SEC para lecionar piano e teoria musical. Sentiu que aquela era uma boa oportunidade, pois podia estar sempre em contato com o instrumento.

Em 1963 concluiu o Curso de Filosofia com Especialização em letras Anglo-Germânicas, sendo laureada pela Faculdade e recebendo o Prêmio Banco Nacional do Norte por se classificar em 1.º lugar.

Apesar de todas as vitórias até então alcançadas não se sentia, entretanto, satisfeita. Desejava aprofundar-se na música, desenvolver cientificamente seus conhecimentos nessa área, pesquisar em outro campo que não fosse o piano. Não havia, porém, em Recife, nenhum curso especializado.
Inexplicavelmente abriam-se várias portas para D. Cleide. Chegaram alguns professores estrangeiros que eram verdadeiras sumidades no campo da Música. Todas aquelas oportunidades chegaram com um “cheiro de milagre”. É como ela mesma disse: “Na vida do crente não há coincidências. Ocorrem milagres!”

Liderou em 1965 um movimento para instalação do Curso de Composição e Regência na Escola de Artes da Universidade Federal de Pernambuco. Foi vitoriosa em seu intento e com mais quatro candidatos iniciou o curso em 1966. Entre os candidatos havia um padre e dois pastores.

Cleide Van Dorth

Ali, na Escola de Arte, seu principal professor foi o Padre Jaime Diniz, o maior musicólogo e, quiçá, o mais profundo conhecedor da nossa Música Popular.
Após seis anos de curso ganhou mais uma vez o prêmio Banorte. Deixemos que ela mesma diga como se sentiu naquela ocasião:

“… senti então uma grande responsabilidade, pois me sabia preparada, e recebendo bênçãos tão evidentes de Deus, compreendi que toda a minha carreira teria que ser, mais que nunca, a Ele dedicada.”

E assim tem sido sua vida: uma entrega total no altar dos sacrifícios, a fim de que seja usada pelo Mestre.

D. Cleide Dorta tornou-se Diretora do Curso de Música do Seminário de Educadoras Cristãs e regente dos Conjuntos Corais e de Sinos daquela instituição. Havia ali um madrigal, o “MAGNIFICA LAUS”, que cantava exclusivamente músicas compostas por ela. Posteriormente foi convidada para lecionar Composição no Curso de Música Sacra do STBNB.

Cleide fez Concurso para Professor Adjunto do Curso de Música da Universidade Federal de Pernambuco. Em seguida foi enviada, pela Missão da Junta de Richmond, para fazer o Mestrado e Doutorado no Southwersten Seminary, no Texas;

DorBen (esse foi o seu primeiro pseudônimo, pois depois se tornou Cleide Van Dorth) se dedicou muito à composição de música sacra contemporânea, com muitas dissonâncias, usando os estilos Serial livre, semitonal, tonal-livre, bitonal, e muitos outros, contribuindo, assim, para que haja um desenvolvimento no nível musical de nossas igrejas.

O povo já a conhece – disse – mas com fundo de filmes no cinema e na televisão, onde é plenamente aceita, porque intensifica a dramaticidade, o lirismo ou a comicidade das cenas. Se for colocada isoladamente falta a capacidade abstrata para captá-la. E acrescentou: “É esta a capacidade que temos de desenvolver, incrementar, a fim de que a música seja aceita.”

Além de composições para Coros, Piano e Orquestra, D. Cleide tem se dedicou à composição de músicas para sinos (Hand Bells), tarefa muito árdua e penosa, principalmente porque é um instrumento com possibilidades musicais muito limitadas.

Entre suas composições para Coral, temos:
“Salmo 121” (em idioma tonal livre)
“Salmo 48” (em estilo bitonal)
“MAGNIFICAT” em estilo semitonal, e uma “CANTATA DA CRUZ”.

Além dessas, tem um “PRELÚDIO”, no estilo Webern, para Oboé e Piano; um “ESTUDO DE CÂMERA”, no estilo serial-tonal, para Oboé, Clarineta, Fagote e Violoncelo. Para

Conjunto de Sinos escreveu uma “MEDITAÇÃO”, em estilo serial livre.

D. Cleide sempre se sentiu feliz por ter atendido a voz do Mestre e por ter participado na insigne tarefa de preparar obreiras.

Deus a tem abençoado ricamente durante toda sua vida e ela tem sabido usar com inteligência a grande criatividade musical com que foi agraciada.

Depois de anos de trabalho, D. Cleide se expressou: “Sinto-me orgulhosa quando penso em Jailce, Ana, Eliete, Diana, Isá, Valnice Milhomens e tantas outras às quais tive a honra de transmitir um pouco de minha experiência musical”.

Bill H. Ichter

Com a Colaboração de Jaubas Alencar e Milzede Albuquerque

© 1974 de Bill H. Ichter – Usado com permissão
Atualização do Texto: Jaubas Alencar e Milzede Albuquerque
(Publicado originalmente em: O Jornal Batista, 27/01/1974, p. 2)

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