Bill H. Ichter, um regente vascaíno e o mais brasileiro dos americanos – Silvino Netto

(Memórias de Silvino Netto, nos idos de 1959…)

Eu e meus irmãos Magno e Samuel e, hoje, a cunhada Dinorinha, éramos coristas assíduos do Coro da Igreja Batista Itacuruçá. Aos 15 anos de idade, 1957, tornei-me corista, sob a maestria do saudoso Arthur Lackschevitz. Com a saída do regente Arthur Lackschevitz, assumiu o Coro,  Bill (William) Ichter, conhecido como o mais brasileiro dos missionários americanos, e um vascaíno, de carterinha, doente. Bill imprimiu um novo estilo de música coral, ainda que conservasse parte do repertório do Arthur Lakschevitz, como: Maravilhosa Graça e Grande é Jeová.

Bill Ichter

Com seu jeito cativante, brincalhão, Bill criou um clima muito gostoso, entre os coristas, de confraternização, descontração, compromisso, alegria, harmonia e fidelização. Cantávamos com espírito de adoração e louvor, como recomenda o salmista Davi.  Bill introduziu um repertório influenciado por um estilo gospel, que surgia nos Estados Unidos, motivado pelas Campanhas Evangelísticas do Pastor Billy Graham. Bill Ichter veio a assumir a Direção do Departamento de Música da Casa Publicadora Batista/JUERP, coordenando a edição de hinários, como Antemas Corais, este, dedicado ao Coro da Igreja Itacuruçá. Belos hinos, repertório dos corais das grandes Cruzadas realizadas no Brasil, com a presença de Billy Graham, e, posteriormente, nas Campanhas Nacionais de Evangelização, realizadas em grandes estádios como o do Maracanã. Assim, o Coro de Itacuruçá tinha o privilégio de cantar, em primeira mão, os hinos, ainda, em processo de editoração no Brasil. O lançamento do disco intitulado: Deus Tem o Mundo em Suas Mãos é um outro marco da era Bill Ichter, que fez sucesso.

Lembro-me, também, deste período, da inauguração das primeiras becas (45) do Coro da Igreja Itacuruça! Lindas, aquelas becas de tom azul celeste e estola branca, de cetim, confeccionadas pela minha mamãe Gigi, também, membro da Igreja. Na confecção das becas, dei minha participação, compulsória, enfiando agulhas, centenas de vezes e ajudando a fazer bainhas.

Marcaram a época billiana hinos, tais como: Deus dos Antigos!, Há Um Remédio em Gilead, Deus Tem o Mundo em Suas Mãos e Grandioso És Tu!. Mas o hino destaque, era  Vencendo Vem Jesus, uma variação do conhecido hino 112, do antigo Cantor Cristão. As primeiras notas deste hino, dedilhadas pelas mãos talentosas de Elza Lakschevitz, tomavam nosso ser, num profundo espírito de adoração e nos elevavam ao perfeito louvor! E, cantando, encantávamos dominados pela contagiante maestria de Bill Ichter.

Que saudades! Que saudades!! Que saudades!!!

Silvino Netto

© de Silvino Netto – Usado com permissão

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