“As Bem-Aventuranças” – Rolando de Nassau

As Bem-aventuranças

As Bem-Aventuranças, de Alexandre Reichert Filho

As bem-aventuranças estão entre as mais apreciadas passagens do Novo Testamento.

Sempre ficamos intrigados com as afirmações de Jesus, que contrastam as atuais aparências e as futuras realidades, a respeito daqueles que entrarão no reino de Deus (Mateus 5: 3-12; Lucas 6: 20-26).

A mensagem seria que se pode ser feliz, mesmo quando se sofre. Mas vai mais longe, para acrescentar o aspecto espiritual da vida: felizes os pobres, “em espírito”; felizes os que têm fome e sede, “de justiça”. É um caminho para a felicidade, exigente mas gratificante, pois Deus é quem nos convida. Seu texto é difícil para os adultos, mais ainda para as crianças.

As bem-aventuranças, afinal, definem o caráter de uma pessoa; são promessas que constam dos Evangelhos, vade-mécum do cristão (John Stott, Contracultura cristã, pp. 18-47; São Paulo: ABU Editora, 1981).

Segundo Mateus, foi estabelecido por Jesus um padrão ético para alguém entrar no reino de Deus. Para o evangelista Lucas, as beatitudes mostravam que o reino de Deus poderia preencher os vazios da vida de cada pessoa.

As alegrias desse reino são usufruídas por quem já achou em Deus o Seu grande prêmio.

Deus sabe do que necessitamos. Devemos ter uma conduta diferente da hipocrisia do religioso e do materialismo do ateu.

As bem-aventuranças não são meramente uma promessa; significam uma radical mudança nos valores mundanos; eram um alívio para os que sofriam, no tempo de Jesus (agora em nossos dias), com a pobreza, a fome, a sede, a nudez, a tristeza e a discriminação.

As bem-aventuranças referem-se a uma nova relação com a  vida;    constatam que o reino de Deus é uma vantagem para os que necessitam de ajuda em suas vulnerabilidades, materiais, espirituais ou psicológicas.

Espera-se que todos os crentes experimentem as bem-aventuranças em suas vidas e, por isso, dêem glória a Deus! (David Martyn Lloyd-Jones, Estudos no Sermão do Monte, pp. 28- 36. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 1999; Roberto Torres Hollanda, Os ensinos de Jesus, pp. 57-58. Brasília, DF: Editora Tagore, 2022).

Tendo em vista a importância dos ensinos de Jesus contidos no Sermão do Monte, era de supor que os compositores cristãos teriam interesse em produzir obras sobre este assunto.

Foi oportuna em 1875 a admoestação da hinógrafa Fanny Jane Crosby (1820-1915) aos músicos de seu tempo: “Sabeis falar de tudo que neste mundo há, mas nem sequer palavra de Deus que tudo dá?!”  (Cantor Cristão, no. 421; Hinário para o Culto Cristão. No.547).

Fanny Crosby falava aos “sem-esperança” a respeito das beatitudes.

Talvez por ser fácil pertencer a uma igreja cristã, mas extremamente difícil observar e proclamar em sua arte musical os ensinos de Cristo, muitos compositores se calaram.

César Franck

Depois de longa pesquisa, descobrimos que na história da música erudita somente um compositor dedicou atenção a este tema: César Franck (1822-1890), no seu oratório “Les Béatitudes”, composto na década de 1870.

Tomamos conhecimento da obra em 1992, por intermédio de uma gravação em disco CD, realizada pelo “Gächinger Kantorei” e a “Radio-Sinfonie Orchester”, de Stuttgart (Alemanha), dirigida por Helmut Rilling. É uma grandiosa epopeia! As intervenções de “Jesus” representam o que existe de mais belo na partitura.

Rejeitando a música frívola dos seus contemporâneos, César Franck, homem profundamente crente, compreendeu o que podia ser música-de-igreja, dando-lhe a devida seriedade (Norbert Dufourcq, La musique française, pp. 30-34. Paris: Larousse, 1949).

Alexandre Reichert Filho

Escrever algo, mesmo que fosse simples, que pudesse ser cantado numa igreja, durante um culto, exigiu do compositor Alexandre Reichert Filho (1949-2020) uma obra para figurar com mérito na galeria dos que contribuíram para a música evangélica.

Imitando Léo Schneider e Guilherme Loureiro, ele (na composição) e “Arautos do Rei” (na execução) nisto contam com o nosso mais efusivo aplauso!

Rolando de Nassau

Brasília, DF, em 21 de outubro de 2022.

Doc.HC-133

© 2022 de Rolando de Nassau – Usado com permissão

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