Anna Campello Egger, educadora de intérpretes e ouvintes – Rolando de Nassau

Filha do missionário Zacarias Campello, pioneiro na evangelização dos indígenas brasileiros, Anna fez cursos de canto orfeônico e piano em São Paulo (SP); foi a primeira brasileira a estudar música-de-igreja em Louisville, Kentucky (EUA).

Em 1967, Anna assumiu a regência do Coro da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, o mais antigo na Cidade Maravilhosa, reorganizado com o nome de Coral “Eclésia”.

Tivemos o privilégio de ouvir, num culto dominical, em 1972, numa comemoração natalina, quando a maioria dos coros das igrejas prefere encenar espetáculos musicados (“musical shows”) ou cantar hinos tradicionais, uma obra difícil, o “Te Deum”, de Bruckner, que impressiona pela arquitetura sonora, engenharia da escritura musical e majestade da expressão de fé; essa composição simboliza uma vasta catedral.

No Natal de 1976, Anna escolheu o “Salmo 150”, do mesmo Bruckner, que exigiu dois anos de preparo vocal; é um hino triunfal, mas, em apenas oito minutos, mostra um multicolorido vitral sonoro. Causou-nos estranheza Anna ter procurado um sinfonista para patrocinar duas audições corais.

Mas Bruckner revelou-se, sob a batuta de Anna, um mestre da voz que interpreta um texto religioso.

Em 1993, voltou ao Salmo 150, mas de Franck, que era principalmente organista; talvez porque nesse ano tinha sido inaugurado o órgão-de-tubos da Primeira Igreja.

Em julho de 1997, o “Eclésia” gravou em CD um concerto de peças eruditas, mas o gravado em 2002 foi considerado o mais importante disco, nos últimos 50 anos, de um coro batista no Brasil.

Anna enfrentou os muitos desafios de reger aquelas obras, com coragem e, de certo modo, com familiaridade, pois não é somente em concertos, mas também nos cultos dominicais da Primeira Igreja, que prefere a música religiosa de maior envergadura. Sirva de exemplo aos regentes das igrejas.

Comemorando os 40 anos da nova fase da existência do coro, em março de 2007, para seu concerto mais uma vez optou pelo refinamento.

Em março de 2010, Anna completou 43 anos como regente do “Eclésia”. O concerto foi realizado na Sala “Cecília Meireles”, no Rio de Janeiro (RJ), o coro cantando nos idiomas originais (latim, alemão e inglês) dos textos. Num trecho de uma “Paixão” de Bach, o de maior duração e dificuldade do programa, a orquestra transmitiu dor humana, o coro afirmou a glória divina; assim, conseguiu captar o clima solene e melancólico da peça. Em todos esses anos, Anna Campello Egger foi educadora musical dos intérpretes e dos ouvintes.

Brasília, DF, em 1º. de maio de 2017.

Rolando de Nassau

Doc. HC-89
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