A Riqueza Histórica, Cultural e Musical de Nosso Hinário – Luiz Otávio do Carmo

Temos uma vasta tradição musical que vem herdada da Reforma Protestante do Séc. XVI, com os reformadores Lutero, Calvino, etc… Com Martin Lutero a congregação passa a cantar no culto, ele resgata a participação do canto das mulheres dentro da igreja, utilização de melodias mais fáceis para que a congregação aprenda e participe ativamente das celebrações de culto a Deus.  Com João Calvino, temos a valorização do uso dos Salmos, para isso em 1562, publica-se o “Saltério de Genebra”, sendo usado como o hinário das Igrejas Reformadas. Desde então a Igreja Reformada/Presbiteriana vem trazendo consigo o uso de Salmos e Hinos para o canto congregacional. O primeiro hinário brasileiro, “Salmos e Hinos”, foi publicado pelo casal de missionários Robert Kalley e Sarah Kalley, a sua 1ª publicação é de 1861 e foi usado por várias igrejas evangélicas brasileiras como seu hinário oficial e até pouco tempo nós da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil também adotávamos o “Salmos e Hinos” como nosso hinário. Desde 2003 a IPIB adotou como hinário oficial o “Cantai Todos os Povos”, portanto um hinário novo, mas com uma proposta e com um conteúdo rico em diversidade musical para o uso nas igrejas, claro que ele precisa ser melhorado, corrigido e revisado, serviço que atualmente já está sendo feito por uma comissão de revisão destinada para esse fim.  Gostaria de destacar alguns exemplos de riqueza e tradição litúrgica e musical que encontramos em nosso hinário e que muitas vezes não percebemos e não valorizamos.

Segue abaixo uma pequena mostra do conteúdo do CTP:

  • Temos até mesmo melodias tão antigas que vieram antes da Reforma Protestante, como a do hino “Ó Vem Emanuel” – CTP 327, melodia Gregoriana do Séc. XIII. O hino 488, o texto é oriundo do Séc. II do Cristianismo.
  • Hinos herdados da Reforma Protestante do Séc. XIV: 30, 57, 144, 162, 409 e 488, etc… O hino 69, a letra é atribuída ao reformador João Calvino.
  • Hinos de Bach, Haendel, Mozart e Beethoven ambos conhecidos como os grandes mestres da música: 36, 223, 247, 472, etc…
  • Hinos de vários países Europeus: 32, 33, 94, 96, 335, etc…
  • Hinos Norte Americanos: 1, 11, 45, 78, 112, 122, etc…
  • Spiritual Afro Americanos: 255, 288, 350, 369, etc…
  • Hinos oriundos de vários países, tais como: Argentina (44, 75, 179, 474, etc…) – Chile (42), China (90), Paraguai (462), França (346), Letônia (399), Honduras (434), Peru (455), Rússia (460, 461), Israel (56, 500, 501), Jamaica (310, 433), etc…
  • Hinos oriundos dos países Africanos: Gana (227, 264), Zaire (498), África do Sul (496, 497, 499), Nigéria (428), etc…
  • Hinos Brasileiros com ritmos regionais do nosso país: Baião (74, 95), Xote (128), Modinha Brasileira (290), Marcha Rancho (277), Música Caipira (289), etc…
  • Hinos de vários compositores brasileiros: Asaph Borba (37), Aristeu Pires Júnior (243); Jonatas Liasch (38); Jorge Camargo Filho (9) Guilherme Kerr Neto (25, 67); Edilson Botelho (301); Déa Kerr Afini (302); Nelson Bomilcar (22); Nabor Nunes (261, 307); Jaci Maraschin (206, 256, etc…); Rodolfo Gaede Neto (468); Aricó Júnior (201); Flávio Irala (16, 128, etc…); Elias Loureiro (8); Leopoldina Ruth da Conceição (390); Nilton Tuller (248); etc…
  • Hinos de autores e compositores ligados a IPIB: Rev Otoniel Mota (202, 291); Hermes Rangel (395); Rev. Valdomiro Pires de Oliveira (16); João Lucas Esvael Rodrigues (356); Eliabete J. C. Damião (27, 77, 97, etc…); Marcio Lisboa (426); Rev. Adolpho Machado Corrêa (416); Rev. Ricardo W. Irwin (474); Jair F. Gasparini (479); Rev. João Wilson Faustini é o 1º ministro de música ordenado na IPIB e um dos maiores nomes da música sacra no Brasil (10, 55, 69, etc…)
  • No CTP temos vários cânticos contemporâneos de vários compositores, tanto brasileiros como estrangeiros: (3, 8, 9, 15, 20, 21, 25, 37, 228, etc…)

Acima está um pequeno exemplo do rico conteúdo musical, cultural, histórico e litúrgico que temos em nosso “Cantai Todos Povos”. Nós podemos também utilizar outros hinários e mesmo composições novas, contemporâneas para a liturgia e culto, temos um vasto e rico repertório para isso.  Agora, como infelizmente algumas pessoas pensam, vamos jogar fora tudo isso? Será que toda essa herança musical não vale mais hoje em dia? Para a igreja crescer, inovar e se contextualizar ela precisa apagar seu passado, sua história e sua tradição? O uso dos hinários nos cultos é coisa do passado?

Luiz Otávio do Carmo

Publicado originalmente em: “O Estandarte” – Jornal Oficial da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil em 2013
© 2013 de Luiz Otávio do Carmo – Usado com permissão

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2 Resultados

  1. Jônatas Fernandes disse:

    Que maravilha!! Como pode um pequeno livro conter inf históricas; culturais; musicais; etc?
    #PorMaisHináriosNasIgrejas

  2. Jônatas Fernandes disse:

    Que maravilha!! Como pode um pequeno livro conter inf históricas; culturais; musicais; etc?
    #PorMaisHináriosNasIgrejas

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