Porque os Coros estão desaparecendo das Igrejas? – Maestro Verner Geier

Maestro Verner Geier

Maestro Verner Geier

Bem, para você que é membro de uma grande igreja, e a sua igreja tem um coro principal chamado de “Coro da Igreja”, e um Coro Jovem, um Coro de Adolescentes, talvez ainda um Coro Feminino e um Coro Masculino, e ainda um outro Coro especial, ou um Madrigal, e ainda quartetos ou trios, e se a igreja desenvolve um trabalho musical com crianças, você tem o privilégio de ouvir também ainda um Coro Infantil, você deve estar questionando a pergunta e não crendo que os coros estejam desaparecendo das igrejas, pois a sua igreja tem esses inúmeros corais.

Mas eu gostaria de desafiá-lo a visitar alguma congregação que já tenha se organizado como igreja, e procurar algum coro nessas igrejas menores.

A diminuição ou a inexistência de coros em igrejas em nossos dias é a mais pura realidade. O que está acontecendo com os coros nas igrejas? Porque estão desaparecendo?

Numa pesquisa americana, que foi feita com mais de mil congregações nos Estados Unidos, foi detectado que, entre os anos de 1998 e 2007, houve uma diminuição de coros nas igrejas de 54% para 44%; e a pesquisa previu que esta porcentagem chegaria até este ano de 2014 a apenas 37%. Se em 1998 apenas 54% das igrejas tinham um coral, hoje, apenas 16 anos depois, somente 37% ainda mantem um coral na sua liturgia.

Embora esta seja uma pesquisa norte‐americana, mas será que no Brasil essa pesquisa seria muito diferente?

A realidade de hoje, que mais nos entristece e preocupa, é que grandes igrejas que já tinham tradição de coros, hoje já não possuem mais, ou, no máximo, juntam os antigos coristas para alguma apresentação especial, uma ou duas vezes ao ano, como por ocasião da Páscoa e para o Natal, e, imagino, que creem que estão desenvolvendo um grande programa musical na sua igreja. Provavelmente a música nas liturgias dessas igrejas, no restante do ano, esteja reduzida a cânticos congregacionais ou algum solo ou algum grupo vocal esporádico. Não deve haver um planejamento musical para os cultos normais.

Algumas explicações para a falta de coros, ou motivos para não cantar em algum coro, que temos ouvido:

‐ “Ninguém tem tempo para ensaiar todas as semanas por causa do trabalho ou de estudos.”

‐ “As pessoas não têm paciência para ficar horas ensaiando uma ou duas músicas num ensaio.”

‐ Alguns acham que Coro é só para os idosos da igreja.

‐ Outros afirmam que “coro já era, esse é o tempo de bandas de louvor”. Outros afirmam a mesma coisa mas de maneira mais polida. “Nós estamos numa nova era e a tendência agora é a massificação dos cânticos, isto é, a maior participação da congregação nos cânticos”.

‐ Já ouvi pessoas dizerem que “coro é chato, e que prefere as bandas”.

Provavelmente você já deve ter ouvido essas justificativas, ou até pensa do mesmo modo.

Devo dizer que concordo em parte com essas justificativas, porque realmente estamos em uma nova era e a música nas igrejas assumiu um outro perfil.

Mas eu quero chamar a atenção para um dos prováveis motivos para a diminuição dos coros e a mudança do perfil musical nas igrejas:

A música nas igrejas, em todos os tempos, sempre teve o perfil do seu pastor. E a música na igreja de hoje também continua tendo o perfil do seu pastor. Mas a pergunta inquietante é: qual é o perfil musical dos pastores na atualidade? Qual é o grau de conhecimento musical, ou cultura musical do pastor, ou da maioria dos pastores que saem hoje dos seminários?

Eu lembro de pastores mais antigos que, ao assumir ou iniciar uma nova igreja, a primeira preocupação era da necessidade de formar um coral, porque toda igreja tinha que ter o seu coral, o seu regente e um pianista, todos  voluntários. E o sonho desses pastores era que um dia o seu coral cantasse alguma música de Bach ou o “Aleluia” de Handel. Mas de onde vinha essa preocupação, ou essa cultura de corais? Vinha dos Seminários e Faculdades de Teologia, pois geralmente os seminaristas tinham em seu currículo alguma disciplina prática de música, como aulas de regência, ou algum instrumento, ou teoria musical, ou algum estudo sobre a história da música sacra, ou simplesmente a disciplina “Coro”. Mas essas disciplinas saíram dos currículos dos cursos de teologia dos seminários atuais, e isso causou um vácuo na cultura e conhecimento musical dos pastores da atualidade. E para estes, portanto, a boa música perdeu sua importância e sua objetividade. A não ser que algum destes seminaristas e futuros pastores, já tenham adquirido alguma cultura musical erudita vinda de casa, mas isso também consiste em uma raridade.

É claro que essa é apenas uma das prováveis causas do desaparecimento dos coros nas igrejas.

Outras causas podem ser a falta de regentes, ou pianistas, ou mesmo líderes musicais que tenham interesse em preparar um grupo vocal numa igreja, e teriam que fazê‐lo como trabalho voluntário. Esses trabalhos voluntários são importantes e necessários porque, ou a igreja realmente não tem condições de pagar o trabalho de um regente e pianista, ou a liderança não tem a visão da importância de um coral na sua igreja para pagar um regente, e então se contenta com um pequeno grupo de instrumentistas (guitarrista e baterista) que também são voluntários. Aí é que entra a força do perfil musical ou da cultura musical do pastor.

Alguém tem outras justificativas? Até a próxima!

Maestro Verner Geier

“Publicado originalmente em http://pautasonline.com.br/index.php/opiniao2”

© Verner Geier – Usado com permissão

17 Comentários

  • Luzi Mari E. McGee disse:

    Concordo plenamente com seu artigo. O Canto coral,oars mim, e muito importante no culto da Igreja. Mas os jovens atuais, nao estao preocupados em louvs, nas sim em cantar. E can’tam tudo tudo que aparece, sem se preocupa tem de realmente ler o que cantam, muita letra ruim, sem pe nem cabecs, esta surginfo, mas desde que se possa pular, Bater Palma e gritar, esta bom para ele, e muitos adult os estao Seguin do no mesmo caminho . EU creio que existe a necessidade de uma valor iMac ao e uma restaura ao de nossa musica nos can ticks das I grejas, os pastors precisam, quando ainda srminaristas, de serem oriented os e doutrine dos neste assunto Canto coral e sua importance a no louvor a Deus,.

  • Altiene Flores disse:

    Os desafios são muitos. Sabemos que precisamos, mais do que nunca, levar as igrejas a louvarem, entendendo o valor da música no culto. E os coros das igrejas são um excelente veículo de propagação da boa música que tanto almejamos em nossos cultos dominicais.

  • Os desafios são muitos. Sabemos que precisamos, mais do que nunca, levar as igrejas a louvarem, entendendo o valor da música no culto. E os coros das igrejas são um excelente veículo de propagação da boa música que tanto almejamos em nossos cultos dominicais.

  • Sérgio Andrade disse:

    Esta pesquisa americana reflete a realidade aqui no Brasil também. Percebo isso já há algum tempo aqui em Pernambuco. É triste dizer que está não é uma realidade apenas para os coros, mas também para a genuína pregação e mensagem do evangelho, cada dia mais substituída pela teologia da prosperidade. Oremos pelas nossas igrejas…

  • Rony H. Lopes disse:

    muito bom meu caro maestro Verner. Nossos colegios bem como seus dirigentes, todos doutores em algumas coisa, seguem a linha daquilo que possa torna-los simpaticos as massas. As esposas dos pastores que saem dos colegios levam em sua bagagem um violao, ou guitarra que facilmente substitui os 6-8 ou mais anos de estudo de piano ou orgao, e com tres ou quatro posicao dos dedos acham que estao preparadas e preparados para fazer o “louvor” na s igrejas. Tire uma foto de uma igreja moderna. No lugar do pulpito sagrado, um popular Palco para shows. No lugar do piano, uma Guitarra encostada na parede. No lugar do orgao uma Bateria, e o Palco esta pronto para o show. Parabens pelo seu artigo, continue lutando, parece que perdemos a batalha, mas quando Jesus retornar, veremos o resultado. Que Deus te abencoe…

  • Moisés Dornelles disse:

    No meu livro “A arte de reger coros de Igreja” eu atentei para uma questão crucial no que tange a um coro sacro: a exigência demasiada pela “perfeição” cobrada pelo regente, gerando uma baixa estima e a desistência de muitos coralistas. Seria bom pensar neste lado também. Não há mais espaços para teimosias e buscas incessantes de uma qualidade que não se obtém com um ensaio semanal de duas horas.

  • Alba Janes disse:

    Algumas igrejas e suas lideranças estão preocupadas em agradar a massa. Infelizmente, não se preocupam em ter ministro de músico formados com uma concepção de educação musical, apenas entregam a liderança musical a um instrumentista sem noção ministerial. Desta forma, os coros e as escolas músicas são quase inexistentes.

  • nelio disse:

    fui batizado em uma igreja aos 14anos e cantava em um coro lindo, coral louvor eterno, hj tenho 39anos e aquela igreja hj, so tem louvor, e som altissimo, batendo palmas, nem tenho prazer em visitar aquela igreja, desanima e graças a deus que m igreja tem coro masculino coro da igreja coro jovem, ainda possui pois nosso pastor ainda é do tempo que os pastores valorizavam a musica sacra…. infelizmente nem sei onde vai parar, acho que jesus voltara logo o mundo estar no maligno mesmo, so auto ajuda so egocentrismo so egoismo so amor proprio so culto a si mesmo…..

  • Atila Lopes saxofonista disse:

    A verdade é que isso é uma realidade e cada dia que passa o canto coral perde forças para um amadorismo inusitado.Acreditamos que é possível as mudanças e transformações, mas não nas extinções dos nossos corais e falo mais que como músico instrumentista digo que o mesmo acontece nas orquestras que estão desaparecendo.A originalidade perde-se diariamente e a cópia segue rumo sem fim.Eu e minha esposa Denise Cõvolo Lopes conhecemos o Verner Geier em Brasília ali na FTBB onde minha esposa tbm formou-se e foi aluna dele e convivemos durante uns dez anos ali no DF.Parabéns maestro.Sua luta é a nossa luta e o seu Deus o nosso Deus e unidos Nele somos fortes.

  • Isaias Rufino, Pr. disse:

    Inicio meu comentário afirmando que, mesmo à distância, admiro seu trabalho. Me emociono todas as vezes que canto e ouço “Com a minha voz clamo ao Senhor” (380 HCC). A meu ver os coros estão desaparecendo das igrejas por: 1) Falta de renovação de repertório – o povo não aguenta mais continuar cantando e ouvindo canções importadas de mais de 50 anos; 2) Não há mais espaço nos cultos de nossas igrejas para músicas corais eruditas – queremos canções contemporâneas – canções eruditas são bem vindas para eventos em dias e horários especiais; 3) Não há produção de composições de nossas raízes brasileiras como as produzidas pelos saudosos Nabor Nunes, Marcilio de Oliveira. 4) À semelhança dos compositores da MPB, parece que esgotou a criatividade dos poucos compositores evangélicos; 5) Os maestros de igrejas grandes, com muitos coros, ao invés de incentivar os poucos coristas que ainda restam nas igrejas pequenas, a permanecerem em suas igrejas, oferecem oportunidades para engrossarem ainda mais os seus grandes coros – falta de visão do Reino.
    Esses e outros motivos, justificam uma avaliação URGENTE sobre o assunto, que considero de suma relevância. Fica aí a minha sugestão.

  • Marilda Pessanha disse:

    Creio que vivemos na era da pressa. Ha muito que se fazer. Nao sobra tempo para as coisas de Deus. As pessoas tem que trabalhar, descansar, incluindo o lazer com a familia.
    Desde cedo aprendi que domingo era o dia separado para o trabalho do Senhor. Cedo estavamos na igreja para o culto de oracao, tinhamos um cafe e iamos para a EBD que era seguida pelo culto douteinario. Depois havia os ensaios de Coral, conjuntos … O almoco era adiantado no Sabado. Tinhamos pouco tempo para comer, um breve descanso, banho e voltar para a igreja. As Unioes de Treinamento eram um gozo. Apos seguiamos para o Culto ao Ar Livre, na praca. A igreja se enchia de visitantes para o Culto Evangelistico com uma ordem de culto incluindo hinos congregacionais, musica especial, as vezes alguma outra parte especial, Coral, pregacao da Palavra, apelo com hino de dedicacao. Havia sempre decisoes. Tinhamos ainda algumas outras atividades durante a semana.
    Todo esse envolvimento nos fazia crescer no conhecimento do nosso Deus, forticava a nossa fe, estreitava relacionamentos como familia de Deus, e nos preparava para responder a quem nos perguntasse sobre a razao da esperanca que ha em nos.
    Muita gente argumenta que todos os dias sao do Senhor e que nao faz qualquer diferenca dizer que domingo e o dia do Senhor. Mas o ponto eh: numa semana de sete dias, quanto tempo gastamos com as coisas de Deus?
    Os crentes de hoje estao muito ocupados para gastar um domingo todo com o Senhor. Assim, o que eu chamo “a igreja auditorio” basta.
    Assim foram caindo em desuso as organizacoes das igrejas, incluindo o Coro.
    Nao temos tempo para Deus. Quanto tempo queremos dele?

  • DAMARIS DE OLIVEIRA disse:

    Nasci em lar cristão, e desde da minha meninice ouvi coral, aos catorze anos comecei a cantar em coral na Igreja da Penha, hoje é quase impossível voce ir numa igreja e ter um coral, e só grupos de louvor, e samba pra Jesus e outros absurdos, coral e coisa pra idoso, entretanto, esquecem que os hinos tradicionais tem mensagem, tem história, mas ninguém quer saber, vamos cantar corinhos, sem sequer prestar atenção na letra, se tem mensagem, não interessa, os jovens logo depois do louvor sequer escutam a mensagem, sequer ensaiam convenientemente para apresentar o chamado louvor, tocam bateria, sem saber tocar. Aliás, fazem um “cultinho” dentro do culto. E mais, na maioria das igrejas, o coral canta 02 hinos, a congregação quando muito 1, o sermão do pastor não pode ultrapassar 25 minutos, que todo mundo já se cansa, porém o chamado grupo de louvor, canta 03 corinhos, e repete cada corinho umas cinco vezes, e a gente não sei porque tem que ficar em pé, para participar do louvor, se sentar você é tachado como chato, intransigente e por ai vai. Daí os corais não sobrevivem, feliz a igreja que ainda consegue conservar o coral. Está muito difícil.

  • Ronaldo Vicente disse:

    Concordo com o maestro Verner, que a banda toca conforme o líder. Infelizmente, a falta de formação musical dos pastores é um dos motivos de terem terceirizado a música para “grupos de louvor” bem intencionados na sua maioria, mas sem formação musical e teológica suficientes. Os shows tomaram lugar ao louvor, e a qualidade e conteúdo se renderam a modernidade: emoção e satisfação pessoal vale mais do que rendição, conversão e mudança de vida; performance vale mais do que conteúdo; populismo é mais importante do que humildade e serviço; superficialidade e pressa tomaram o lugar da dedicação, estudo e reflexão.
    Sou pianist e canto em coral desde os 10 anos de idade. Hoje, com 56 anos lamento o que vejo! Mas a indústria Gospel agradece!!!

  • Décio de Assis disse:

    Concordo plenamente com o maestro Verner,pois como amante da música(principalmente música sacra) tenho a dizer que ouvir um Coral satisfaz não sómente aos nossos ouvidos,mas também a nossa alma,pois quando as vozes completam a harmonização dos acordes entendemos perfeitamente que o o Grande Criador de todas as coisas deixou ao nosso dispor a música como UM GRANDE PREPARO PARA NOSSA ALMA,ANTECIPANDO UMA MENSAGEM; e o Coral especialmente desempenha este papel de uma maneira muito especial,lamentamos viver esta realidade em muitas igrejas que hoje não se encontra mais um Coral.Mas uma coisa nos conforta…que depois do arrebatamento da Igreja haveremos de participar de um Grande Coral cujo regente será o próprio Senhor Jesus Cristo. Amém

  • Francinaldo Rodrigues da Silva disse:

    Muito bom o seu artigo. Temos que lutar para que os coros das igrejas não acabem.

  • Clauber C.Cecconi disse:

    Bom! este assunto já entristeceu-me muito…! Por todas as razões que já foram colocadas e muitas outras que não valem em nada comentar…! Simplesmente estou numa Igreja de seis mil membros e temos um coral “de boca” Nunca se apresenta, e quando acontece de se apresentar é simplesmente para cantar com a congregação. Não vejo o regente! Em todas as Igrejas que participei, sempre cantei no Coral, desde os meus 15 anos de idade… Meu primeiro regente foi o Mazucato de Alcântara e a pianista Alristela de Alcântara, lá na Igreja Batista da Floresta em Porto Alegre…!! Sou Artista Plástico há 54 anos, gosto de Coral, creio que um Coral passa uma mensagem ao coração daquele que está ali sentado, tanto para o Cristão como também para aquele convidado que ainda não entendeu o plano da Salvação em Cristo. Agora vamos e venhamos, como dizia minha vovó, É gostoso cantar num coral e também é delicioso ouvir uma Coral bem ensaiado….!

  • joel ferreira disse:

    A paz , concordo plenamente com tudo..a musicalidade nas igrejas tem mudado muito, isto tudo depende o perfil do seu pastor, muitos usam conjunto instrumental varias vezes no culto, tomando tempo de outras atividades, ( nada contra, mas tudo tem o seu momento )…pela graça de Deus, nossa igreja ainda tem um coro…com trabalho voluntario…devemos buscar mais face de Deus..sucesso a todos Deus abençoe…

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